
Rodovias e cidades brasileiras estão ampliando o uso de inteligência artificial para monitorar motoristas e aplicar multas automaticamente. Sistemas equipados com câmeras inteligentes já operam em estados como São Paulo, Espírito Santo e Bahia, sendo capazes de identificar infrações como o uso de celular ao volante e a falta de cinto de segurança, sem a necessidade de um policial no local.
Como funcionam as câmeras inteligentes no trânsito?
Esses equipamentos utilizam uma tecnologia chamada aprendizado de máquina. Através do processamento de milhares de imagens, o sistema é treinado para reconhecer padrões específicos, como o formato de um celular junto ao rosto ou a ausência da faixa do cinto no peito. Diferente da IA que escreve textos, esta foca na visão computacional para separar cenas suspeitas entre a multidão de veículos, enviando os alertas para que autoridades de trânsito validem a infração.
Onde essa tecnologia já está em operação?
A expansão é visível principalmente em São Paulo, com câmeras ativas nos trechos Sul e Leste do Rodoanel, na Rodovia Raposo Tavares e na SP-340. Outros exemplos incluem a BR-101 no Espírito Santo e trechos das BRs 116 e 324 na Bahia. Além das rodovias federais e estaduais, cidades como Curitiba, Belo Horizonte e Fortaleza utilizam a IA para controlar o tempo de semáforos, otimizando o fluxo de veículos conforme o movimento em tempo real.
Existe o risco de o sistema aplicar multas injustas?
Sim, pois a IA trabalha com estatística e não com certeza absoluta. Especialistas explicam que situações incomuns — como uma roupa com estampas listradas ou um objeto próximo ao rosto — podem gerar o chamado ‘falso positivo’, quando o sistema aponta um erro que não existiu. Para reduzir esses equívocos, as normas atuais exigem que um agente humano analise a imagem selecionada pela máquina antes de emitir a autuação, embora exista o risco dessa conferência se tornar mecânica.
O que a legislação brasileira diz sobre multas por IA?
Atualmente não existe uma lei específica para o uso de inteligência artificial em multas, mas a prática é enquadrada em regras de videomonitoramento do Contran. A lei permite que motoristas sejam autuados sem abordagem policial, mas o órgão autuador continua com a obrigação de comprovar a infração com imagens de qualidade. O motorista que se sentir prejudicado pode questionar administrativamente a precisão do equipamento ou a clareza da prova fornecida pelo sistema.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte. Gazeta do Povo


