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30 de julho de 2026

Preá, no Ceará, é paraíso do kitesurfe – 29/07/2026 – Turismo

Preá, no Ceará, é paraíso do kitesurfe – 29/07/2026 – Turismo

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Ver turistas, muitas vezes estrangeiros, com enormes malas de equipamentos esportivos se tornou uma cena comum no aeroporto de Jericoacoara, no Ceará. É que o local é um dos principais pontos de chegada para quem vai praticar kitesurf nas dezenas de praias da região.

Com ventos fortes e constantes na temporada de julho a começo de janeiro, essenciais para o esporte, o Preá costuma ser a primeira parada de quem quer aprender a velejar e de quem já pratica, mas não abre mão de boa infraestrutura hoteleira e opções de restaurantes.

Localizada dentro do Parque Nacional de Jericoacoara e a 15 minutos do aeroporto, a vila começou a receber turistas anos depois de Jeri, a vizinha mais famosa e agitada, e o perfil dos visitantes das duas praias varia bastante.

Enquanto quem vai para Jericoacoara costuma pensar na união de passeios com agito noturno, o público do Preá tem o kitesurfe como principal objetivo. Por sua geografia, e os ventos de 24 a 30 Nós, a praia é uma das melhores opções do mundo para a prática do esporte.

É comum ver grandes grupos de franceses —a França é considerada o berço do kitesurfe e onde são criados a maioria dos equipamentos— alemães e americanos nos hotéis e pousadas, mas a construção de um condomínio de casas pela XP Investimentos também fez o esporte se popularizar entre muitos executivos da Faria Lima.

“O kite virou o novo golfe, o novo tênis, o novo esqui. Virou o esporte da vez da elite, para o bem e para o mal. Tem muitos Faria Limers aqui”, diz Marco Dalpozzo, um dos sócios do Rancho do Peixe, uma das primeiras pousadas a chegar na região. O preço do passatempo confirma a exclusividade: um equipamento novo completo, com kite, prancha, barra e trapézio, pode custar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

Aberto em 2005, o Rancho tem ocupação média de 60% de estrangeiros e 40% de brasileiros. Além de toda a estrutura para a prática de kite, que é o maior atrativo, o hotel conta com piscina, dois apartamentos e 26 bangalôs feitos em decks suspensos, um restaurante aberto para não hóspedes e eventos com música ao vivo.

Na alta temporada do esporte, a pousada oferece bangalôs para duas pessoas a partir de R$ 2.570 a diária.

“Aqui a atração é o vento. Nós estamos no melhor lugar do mundo para a prática do kite. A praia daqui não é de uma beleza deslumbrante, não é uma praia para ficar sentado embaixo do guarda-sol. Quem vem para cá, vem para praticar kite, mas também há a opção de fazer turismo de experiência, com visitas a lagoas, dunas e até mesmo ficar dentro do Rancho. Temos só 8% de área construída num espaço de 60 mil metros quadrados com muito verde. Fazemos um tour de fauna e flora aqui dentro”, diz Dalpozzo

Na WindSpirit Kite Center, escola na praia do Preá, há aulas de kitesurfe do básico ao avançado, organização de kitetrips e até sessão de fotos da prática do esporte. O curso completo da modalidade, que dura 12 horas, com aulas de em média duas horas, sai por R$ 4.300, com o equipamento incluído. Crianças a partir de 30 kg estão aptas a fazer aula, mas sempre na maré baixa, com menos ondulação.

A 1h30 do aeroporto fica a descolada Tatajuba. Com cerca de 900 habitantes e diversas novas opções de pousadas e restaurantes, a praia é o novo hot spot dos praticantes que, além do kitesurfe, buscam algo mais rústico e intimista que o Preá. O diminuto tamanho da vila facilita o clima de comunidade e é fácil se sentir parte de uma grande turma de novos amigos.

Para chegar lá, a maioria dos turistas opta pelo transfer do aeroporto ou aluga veículos 4×4, mas uma opção popular é fazer o downwind desde o Preá, modalidade em que os praticantes vão via mar a favor do vento usando seus kites, enquanto um motorista leva as bagagens até a hospedagem.

Lá, a pousada Tatadise oferece —para hóspedes e não hóspedes mediante reserva— jantares feitos na parrilla de onde Lucho, argentino que vive ali desde 2012, tira saborosos peixes e carnes. Segundo Teresa Mindelo, a Teka, proprietária da pousada, a maioria dos turistas que vão para lá é de estrangeiros de até 30 anos e busca “uma boa hospedagem sem ostentação”. O quarto duplo é R$ 980 e o triplo custa R$ 1.190, com café da manhã incluído

“Muita gente vem até o restaurante e às vezes nem é para jantar, eles vêm para tomar um vinho, jogar sinuca e ouvir os DJs e bandas que trazemos”, diz Teka. Apesar do clima descolado, a vila ainda é sossegada e a Tatadise é um dos poucos lugares que fica aberto por lá depois das 22h.

Um dos programas mais procurados depois da prática de kite é observar o pôr do sol no beach club Sunset. É comum que as pessoas cheguem do seu velejo, guardem seus equipamentos no local e já estiquem o fim de tarde com música e drinques por lá mesmo.

Se a ideia é isolamento quase total cercado de paisagens deslumbrantes e muito vento para a prática do esporte, a quase desconhecida Praia das Curimãs é a pedida. A região tem cerca de 12 km de praias intocadas, com paredões de cascudos (formação geológica protegida por lei ambiental), dunas e lagoas. Apesar do isolamento, o acesso feito pela CE-085 desde o aeroporto é fácil e dura 1h50.

Ali, a forte cultura da pesca, com dezenas de barcos de pescadores que aportam no início da praia, convive com alguns poucos praticantes do esporte que ainda têm o mar praticamente só para eles. Em alguns pontos da praia é possível ver os currais, técnica em que estacas de madeira são fincadas no fundo do mar, formando uma espécie de cercado que guia e aprisiona os peixes com a maré. Sem redes de arrasto nem produtos químicos, o curral é considerado uma das formas mais sustentáveis de pescaria.

Em Bitupitá, praia vizinha a Curimãs, é fácil negociar com pescadores para pegar uma carona de barco e ver o processo de perto, e cada passeio custa em média R$ 200. No fim da visita, o turista ainda consegue comprar os peixes e lagostas recém-pescados direto na praia.

Para quem não quer largar a pipa, a escola Kite Riders, em Curimãs, trabalha somente com professores nativos e o curso de 12 horas, considerado o padrão para quem não tem experiência e quer ter autonomia no esporte, custa R$ 3.600. “Eu adorei fazer kite por ser um esporte inovador, que eu não conseguiria em Curitiba, onde eu moro. Valeu a pena fazer a aula mesmo sendo cara, porque eu aprendi em uma semana”, diz Felipe Rocco, 16, que fez o curso de kitesurfe pela primeira vez ao viajar com a família para Curimãs.

A vila de Curimãs ainda dá os primeiros passos no turismo, mas já oferece opções de casas de aluguel e algumas poucas pousadas. A cerca de 10 quilômetros da vila, na Barra dos Remédios, fica a Casa Daia.

Aberta em 2025, a Daia foi recentemente incorporada à OIÁ, marca de hospitalidade que conta com endereços nos Lençóis Maranhenses, mas segue apostando na exclusividade com apenas sete suítes.

A gastronomia fica a cargo do chef Fábio Vieira, com inspiração na cultura da região para elaborar o cardápio. Arroz caldoso com mariscos, polvo com quiabo na brasa, sorvete de tapioca e moqueca de arraia estão na lista.

Lá, além de passeios de bicicleta pela vila, velejos de kite e windsurfe e da oportunidade de observar o pôr do sol nas dunas, o hóspede pode fazer uma imersão na cultura local. Sair ao amanhecer para, junto com os pescadores, pescar o peixe que será grelhado no almoço ou fazer a coleta de sururu com os locais.

A cerca de uma hora de Curimãs, já no Piauí, fica a charmosa vila de Barra Grande do Piauí, localidade já conhecida por praticantes de kite.

Com ótima infraestrutura de restaurantes, pousadas e passeios, a vila se destaca por manter um certo ar hippie, com forrós à noite e vendedores de artesanatos espalhados pelas ruas de terra. No ecossistema da Laguna do Santana —uma lagoa de água salgada com oito quilômetros de extensão que durante muito tempo foi fonte de sustento dos nativos pela extração do sal— há boas opções de hospedagem sustentável, como a Casa Camuá.

Desenvolvida pela arquiteta Laura Ducca, a casa foi concebida com foco em soluções de baixo impacto ambiental, priorizando o uso de materiais naturais e de origem local, como a madeira e a palha de carnaúba, abundantes na região.

Além de captação de água da chuva, toda a energia consumida pela casa é proveniente de um sistema de geração 100% solar. A hospedagem para dez pessoas com equipe fixa de duas camareiras e cozinheira fica a partir de R$ 5 mil ao dia.

Em Barra Grande, um dos passeios mais buscados por quem quer descansar um pouco do kite é observar a revoada dos Guarás no Delta do Parnaíba, em que centenas de aves com plumagem vermelho-vivo sobrevoam o céu no fim da tarde. O passeio inclui o transfer que leva os turistas até os barcos no Porto dos Tatus, em Parnaíba, e custa a partir de R$ 1.500 para oito pessoas.

Um dos destaques na grande gama de boas opções gastronômicas da vila é o La Cozinha, misto de pousada e restaurante que trabalha com reserva e serve pratos como moqueca para duas pessoas (R$ 252) e a picanha de sol com purê de abóbora e arroz (R$ 118).



Fonte.:Folha de S.Paulo

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