Existem cidades brasileiras que nasceram de projeto régio, com ruas alinhadas e praças amplas desenhadas em pergaminho. No sul da Chapada Diamantina, a mais de mil metros de altitude, um município do século XVIII preserva um dos maiores conjuntos arquitetônicos coloniais da Bahia, o ponto mais alto do Nordeste e vestígios de aquedutos e represas do ciclo do ouro. Também foi cenário de filme premiado no cinema brasileiro.
Como uma cidade projetada por Portugal em 1745 virou a primeira planejada do Brasil?
Rio de Contas nasceu em 1687, com a chegada de escravos foragidos vindos da costa baiana. A região entrou no mapa colonial em 1710, quando o bandeirante paulista Sebastião Pinheiro Raposo descobriu ouro no Rio Brumado. A Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas foi criada em 1723, ainda em local diferente.
Segundo o portal oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1745 a sede foi transferida para um local planejado, por ordem do vice-rei Conde de Sabugosa. A Provisão Real recomendava a escolha de um sítio próximo a algum arraial estabelecido, saudável, com traçado regular e arquitetura capaz de garantir o embelezamento. É por isso que a cidade é considerada uma das primeiras cidades planejadas do Brasil colonial. Hoje conta com cerca de 13 mil habitantes, situada a mais de 1.000 metros de altitude.

Por que o conjunto arquitetônico foi tombado pelo IPHAN em 1980?
O conjunto arquitetônico e urbanístico de Rio de Contas foi tombado pelo IPHAN em 1980. É constituído por edifícios da segunda metade do século XVIII e do início do século XIX. Está entre os três conjuntos coloniais mais bem preservados da Bahia, ao lado de Salvador e Cachoeira.
A cidade preserva o traçado original, com praças e ruas largas, monumentos públicos e religiosos construídos em pedra e casario em adobe. As construções de uso público, como igrejas e prédios oficiais, foram erguidas em pedra, enquanto as casas dos moradores usaram a técnica do adobe. Nos arredores do centro urbano, ainda é possível observar vestígios de represas, aquedutos, túneis e galerias, testemunhos da intensa atividade de mineração do ouro no século XVIII. O centro histórico ganhou projeção nacional em 2001, quando foi cenário do filme Abril Despedaçado, dirigido por Walter Salles e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O que ver no centro histórico com casarões em adobe e pedra?
O centro histórico reúne centenas de edificações preservadas, com foco no traçado colonial regular. Confira abaixo os principais pontos:
- Casa da Câmara e Cadeia: hoje abriga o Fórum Barão de Macaúbas, com fachada colonial preservada.
- Antiga Casa de Fundição: onde o ouro era derretido em barras, atualmente sede da Prefeitura Municipal.
- Igrejas barrocas: exemplares religiosos do século XVIII em estilo colonial.
- Escritório Técnico do IPHAN: instalado em residência típica do ciclo da mineração de diamantes.
- Arquivo Municipal: acervo com documentos históricos do período aurífero.
- Estrada Real: 4,5 km de calçamento em pedra bruta, construído por volta de 1725, que ligava Rio de Contas a Jacobina ao norte.
- Casario em adobe: técnica construtiva colonial preservada em dezenas de imóveis do centro.
Este vídeo do canal Rios Por Aí, com 7,6 mil visualizações, apresenta um passeio detalhado por Rio de Contas (Bahia), considerada a primeira cidade planejada do Brasil, localizada na Chapada Diamantina.
Como é a subida ao Pico do Barbado, o mais alto do Nordeste?
O Pico do Barbado tem 2.033 metros de altitude e é o ponto mais alto do Nordeste brasileiro. Fica entre os municípios de Rio de Contas, Abaíra e Rio do Pires. Do topo, é possível avistar o Pico das Almas, o Pico do Itobira, a Serra da Tromba, o Morro do Pai Inácio e outros marcos da Chapada Diamantina.
A trilha via Rio de Contas é a única que oferece vista completa do pico desde o início da caminhada. A subida tem grau de dificuldade alto e leva cerca de cinco horas entre ida e volta. Muitos aventureiros optam por pernoitar no cume para acompanhar o pôr do sol e o nascer do sol. Nas imediações, o Pico das Almas, com 1.958 metros, é famoso pela flora rara, com orquídeas, bromélias e sempre-vivas. O Pico do Itobira, com cerca de 1.970 metros, completa o circuito dos gigantes do Nordeste, considerado o mais difícil da região.
Como é o clima em Rio de Contas?
A cidade tem clima tropical de altitude, com temperaturas amenas o ano inteiro. Confira abaixo as médias por estação:
16-27°C
☔ Alta
Dias amenos e chuvosos ótimos para curtir a Cachoeira do Fraga e o Rio Brumado.
CACHOEIRA DO FRAGA
15-25°C
🌤️ Média
Clima fresco propício para explorar o centro histórico e a charmosa Estrada Real.
CENTRO HISTÓRICO
10-22°C
☀️ Baixa
Ideal! Período seco e fresco perfeito para escalar o Pico do Barbado e o Pico das Almas.
PICO DO BARBADO E ALMAS
14-25°C
🌤️ Média
Temperaturas agradáveis excelentes para encarar as trilhas dos gigantes e as cachoeiras locais.
TRILHAS DOS GIGANTES
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio de Contas?
A cidade fica a cerca de 620 km de Salvador, capital da Bahia, com acesso principal pela BR-116 e depois pela BA-148. O trajeto de carro leva em média nove horas partindo da capital baiana.
Os aeroportos mais próximos são o de Vitória da Conquista, com voos diretos de Salvador e São Paulo, e o de Lençóis, com oferta limitada de voos. Também é possível chegar pelo Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, com trajeto rodoviário longo. Linhas de ônibus intermunicipais partem de Salvador com destino a Rio de Contas. A cidade permite roteiros combinados com Lençóis, Mucugê, Livramento de Nossa Senhora e outras cidades da Chapada Diamantina.
Uma cidade onde a Provisão Real dividiu o mesmo endereço com o teto do Nordeste
Poucos endereços do Brasil conseguem juntar em pouco espaço um centro histórico projetado por Portugal em 1745, o ponto mais alto do Nordeste, um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN em 1980 e a memória do ouro que enriqueceu a região por décadas. A combinação faz de Rio de Contas um destino cultural e completo no sul da Chapada Diamantina, com camadas que atravessam do ciclo aurífero colonial ao ritmo contemporâneo do ecoturismo de aventura.
Fonte. MG.Superesportes


