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6 de agosto de 2026

Hot pot chinês na Aclimação aposta em ritual à mesa – 06/08/2026 – Restaurantes

Hot pot chinês na Aclimação aposta em ritual à mesa – 06/08/2026 – Restaurantes

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Crítica | SP
The Story of Beef Hot-Pot

Três estrelas (Bom)
Av. da Aclimação, 344 – Aclimação, região central. @storyofbeef_hotpot

Ir a um restaurante chinês para cozinhar a própria comida pode parecer estranho. E é mesmo. Nas casas hot pot —como são chamadas— você se senta numa mesa com um fogão por indução embutido, escolhe um caldo (que pode ser neutro, de carne, de cogumelos, de tomate ou apimentado) e os ingredientes crus que vai querer mergulhar nele.

Depois, faz uma miscelânea de temperos fortes (como alho, coentro e óleo de gergelim) com outros ricos em glutamato, como shoyu, pasta de amendoim e molho de ostra. A ideia é passar nessa mistura (R$ 10, por pessoa) tudo o que cozinhar.

Mesa de madeira com panela dividida ao centro contendo caldo fervente para hot pot. Ao redor, pratos com fatias de carne crua, legumes, cogumelos e molhos. Dois pares de hashis apoiados em pratos decorados com desenhos coloridos. Garrafa verde de bebida ao lado.

Pratos servidos no The Story of Beef Hot-Pot. À esquerda, uma porção de miniguiozas; ao centro, paleta e acém preparados para o cozimento no caldo; à direita, um mix de cogumelos. Na parte superior da imagem, a panela dividida em dois compartimentos reúne dois sabores de caldo para o preparo dos ingredientes.


Priscila Pastre/Folhapress

No The Story of Beef Hot-Pot, no bairro Aclimação (região central da cidade), além do nome pouco convencional para um restaurante, chama a atenção a quantidade de ingredientes do cardápio.

Entre os cogumelos, há opções de shitake a orelha de pau. Entre as verduras, de espinafre a gòng cài (um tipo de alface). Entre as carnes, de acém a bucho, passando por rim, tendão, orelha de porco e intestino de pato (ou de ganso). Tem até aorta. Sim, você pode pedir artéria de boi para preparar no seu caldo fumegante.

É também o cliente quem manda o pedido à cozinha por meio de um aplicativo aberto com QR code no celular. Comecei numa linha mais conservadora: mix de cogumelos (R$ 42), miniguioza (R$ 42) miolo de acém (R$ 58) e paleta (R$ 58). Como queria provar essas opções cozidas em dois tipos de caldo, pedi a panela dois sabores, que vem com uma divisória: metade com o neutro e metade com o picante (R$ 53).

Quando os caldos começaram a ferver, chegaram os cogumelos e os miniguiozas. Não segui a orientação do garçom de colocar tudo imediatamente para cozinhar —a ideia é comer sem pressa, e não faz sentido deixar fervendo por tanto tempo.

Sem aviso prévio, logo descobrimos que shitake em molho picante é algo arriscado até para paladares pimenteiros como o meu. Como absorvem bastante líquido, no caso deles, melhor apostar no caldo neutro. Os miniguiozas decepcionaram. Tinham massa grossa (talvez para suportar cozimentos longos) e um recheio processado igualmente sem gosto.

Na sequência vieram as carnes, muito frescas e cortadas em fatias bem fininhas. Elas, sim, foram bem nos dois caldos. A sugestão é deixá-las apenas alguns poucos segundos na fervura, para que não cozinhem demais e acabem duras.

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Mesmo já satisfeita, queria experimentar algo diferente. E para desgosto do meu acompanhante, pedi o intestino de pato (R$ 42). Tubinhos compridos rosados e delicados, uns sobre os outros, prontos para serem capturados com os hashis e mergulhados no panelão que voltava a borbulhar.

Perguntei ao garçom quanto tempo deveria deixá-los imersos. Ele fez uma cara de dúvida, respirou fundo e arriscou: “Um tempinho é o ideal”. Então tive de aprender na prática. Dez segundos já foi muito: nesse tempo, o intestino perde a elasticidade e se enrola todo. Quanto ao sabor, revelou-se neutro, mesmo depois de acertar o cozimento. Mas só sei disso porque provei sem passar pelo tal molho.

No fim, fica a constatação de que não importa se você pede miojo (R$ 15), casca de tofu fresco (R$ 26) ou sangue de pato (R$ 23). Tudo fica com o mesmo sabor de glutamato.

Porém, a experiência vale para mostrar que a gastronomia não se restringe a grandes pratos, receitas inovadoras ou cozimentos precisos. Ela está também na tradição, no ritual e na conexão dos grupos de amigos e famílias que se divertem a valer cozinhando juntos em volta da mesa.





Fonte.:Folha de São Paulo

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