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4 de junho de 2026

Araucanía: neve, termas e cultura indígena no Chile – 03/06/2026 – Turismo

Araucanía: neve, termas e cultura indígena no Chile – 03/06/2026 – Turismo

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Nancy Meliñir mexe a panela de ferro na fogueira instalada no centro da casa onde recebe turistas em Lonquimay, na região de Araucanía Andina, no sul do Chile. Na estrutura de madeira e terra batida rodeada de neve, ela avisa: ali o tempo é diferente, não é hora de ficar olhando o relógio.

Ela cozinha pinhões, que vão em quase tudo que prepara, das massas ao café (na verdade uma infusão com o fruto, sem cafeína e adoçada com mel). “É o superalimento que nos ajudou a subsistir ancestralmente, que nos deu a vida”, diz ela.

A refeição quente, preparada sob demanda, é combustível para enfrentar o frio lá fora. No Centro de Montaña Arenales, é possível brincar na neve com diferentes equipamentos e acessórios: com “raquetes” nos pés e bastões, de esqui ou de trenó. A entrada custa o equivalente a R$ 20, e o aluguel dos equipamentos pode ir a R$ 115 na alta temporada, dependendo do modelo.

Saindo daquele espaço, a jornada continua montanha acima, em direção ao topo, a 1.900 metros de altitude. Nem sempre é fácil, e às vezes as raquetes vão ficando presas na neve. Mas o convite é desacelerar. A jornada pode terminar em uma banheira de ofurô instalada alguns níveis cima ou em uma enorme araucária milenar que precisa de sete pessoas para ser abraçada completamente.

A araucária é parte fundamental da cultura da Araucanía. É considerada sagrada e vital para os pewenches, povo originário da região. Viajar pelo local é tomar contato com essa história, muito presente e preservada.

Carlos Catrileo, da Turismo Amuley, oferece trilhas que podem acabar com um assado a ser saboreado em uma ruca, a casa tradicional de madeira e terra batida, onde toda a convivência se dá ao redor do fogo central, símbolo de conexão direta com a natureza.

A região da Araucanía Andina mistura um cenário de vulcões e montanhas nevadas com o conforto regenerador de águas termais aquecidas naturalmente pela atividade vulcânica.

A jornada até lá começa com uma transição dramática de cenário. Deixando para trás a agitação de Santiago, um voo de duas horas leva o viajante a Temuco, capital da região. A partir dali, a estrada serpenteia por cerca de quatro horas até Lonquimay –que pode ser difícil de percorrer, com longas distâncias, e onde muitas das atrações culturais e de turismo são propriedade privada.

Para transitar pela região, invariavelmente é preciso passar pelo Túnel Las Raíces com 4,5 km de extensão. Ele detém o título de túnel mais longo do Chile (já foi o mais extenso da América Latina). A travessia é feita em sentido único alternado. Em mais uma mensagem sobre desacelerar, é preciso esperar pela autorização para passar.

Passa-se por pelo túnel, por exemplo, para chegar à cidade de Malalcahuello, onde os visitantes encontram complexos com hotéis que oferecem acesso direto às termas relaxantes, aquecidas pela atividade vulcânica. A água brota das fontes a uma temperatura de aproximadamente 45°C. Devido a esse calor intenso, é necessário misturá-la com água gelada para que o banho seja seguro.

Apesar de ser um destino de neve, Araucanía tenta mostrar ao mundo que é mais do que isso, e pode ser aproveitada o ano todo.

No inverno, a região é marcada por um cenário que os locais comparam a “nárnia”, com montanhas cobertas de branco, ideais para praticar esqui, snowboard e outros esportes de neve. Com a chegada da primavera, a fauna ressurge, e o degelo aumenta o volume dos rios, tornando-os ideais para a prática de caiaque.

O verão traz um contraste térmico considerável, com temperaturas que podem passar dos 37°C, convidando os visitantes a desfrutar dos lagos e rios, além de participar de feiras gastronômicas tradicionais como a Feira do Assado de Cabrito, em que a comida é protagonista, mas também há artesanato e música, conta Juane Vida, da Agreste Chile, agência que opera tours na região, ligando clientes aos estabelecimentos.

Esse turismo artesanal, próximo da comunidade local, convive na Araucanía com uma estrutura maior dedicada à prática do esqui. Na Reserva Nacional Malalcahuello está o centro de esqui de Corralco. Guias ensinam iniciantes a descer da montanha com cuidado, enquanto seleções internacionais do esporte, inclusive a brasileira, rasgam a neve com velocidade. Quem conhece o esporte diz que se trata de boa opção pela quantidade de neve o ano todo. Ali, é permitido acelerar.

O jornalista viajou a convite de Chile Travel e SKY Airline



Fonte.:Folha de S.Paulo

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