
A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (Asfav) pediu que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) cobre do Brasil a aplicação da Lei da Dosimetria aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O pedido da associação foi protocolado nessa terça-feira (7) e representa cerca de 1.400 pessoas atingidas por processos relacionados ao 8/1.
De acordo com o texto enviado à CIDH, a demora na apreciação das ações em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) mantém pessoas presas e com restrições mais severas do que as previstas na legislação atual. A situação, segundo a Asfav, gera “graves e contínuas violações de direitos humanos perpetradas pelo Estado brasileiro”.
No documento — assinado pela advogada Gabriela Fernanda Ritter, presidente da instituição —, a Asfav explica que a Lei nº 15.402/2026, promulgada após derrubada de veto presidencial pelo Congresso Nacional, criou novas regras em relação à individualização de pena, progressão de regime, remição e diminuição das punições aplicadas a essas pessoas.
A instituição também aponta que o direito interno brasileiro e o direito internacional dos direitos humanos impõem que normas benéficas sejam aplicadas de forma imediata e retroativa aos potenciais beneficiários.
No entanto, a Asfav explica que isso não ocorreu no caso em questão, pois, embora a nova lei tenha sido regularmente promulgada e já integre o ordenamento jurídico brasileiro, ações diretas de inconstitucionalidade em tramitação no STF criariam um cenário de insegurança jurídica.
A situação, de acordo com o texto, prolonga o cumprimento de penas acima do que é legalmente previsto de forma “irrecuperável” e precisa da atuação imediata da CIDH para corrigir violações a direitos previstos na Convenção Americana. Entre os direitos citados no documento estão liberdade pessoal, garantias judiciais, proteção judicial efetiva, igualdade perante a lei e legalidade penal.
A associação solicita, então, que a Comissão Interamericana reconheça a gravidade do caso e conceda medidas cautelares em favor das pessoas atingidas. Também pede que a CIDH recomende ao Estado brasileiro a aplicação efetiva e uniforme da lei, que solicite informações urgentes às autoridades brasileiras e que realize visita ao Brasil para tratar do assunto.
Fonte. Gazeta do Povo


