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- Author, Phil McNulty
- Role, Da BBC Sport em Miami
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Tempo de leitura: 7 min
Jude Bellingham conduziu a Inglaterra através da altitude da Cidade do México e depois sob o calor e a umidade escaldantes de Miami, no que parece uma missão pessoal para acabar com a espera de 60 anos do país para vencer a Copa do Mundo.
A Copa do Mundo pode, por vezes, se tornar o destino de um jogador, impulsionando-o numa trajetória imparável rumo ao maior prêmio do esporte.
Pense em Diego Maradona com a Argentina em 1986. Pense na redenção de Ronaldo com o Brasil em Yokohama em 2002. Pense em Lionel Messi finalmente conquistando seu Santo Graal pessoal com a Argentina em Doha em 2022.
Apesar de o astro inglês ter ajudado novamente sua seleção com dois gols que garantiram a vitória sobre a Noruega no calor escaldante de Miami, Bellingham ainda tem um longo caminho a percorrer para ser comparado a essas figuras icônicas.
De fato, existem enormes barreiras a serem superadas ainda neste torneio, com Messi e a Argentina aguardando em Atlanta para a semifinal, após vencerem a Suíça no sábado (11/7).
E, mesmo então, existe a possibilidade de que a Espanha, ou Kylian Mbappé e uma brilhante seleção francesa, sejam a última fronteira a ser cruzada para pôr fim aos agonizantes anos de seca que se estendem desde 30 de julho de 1966, quando a Inglaterra de Alf Ramsey conquistou a Copa do Mundo.
Barreiras formidáveis, mas às vezes jogadores de classe mundial encontram a força de vontade para moldar uma Copa do Mundo como desejam — e Bellingham ameaça fazer isso após a mais recente de uma série de exibições magníficas.

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Bellingham se compara aos gigantes
Sem colocar Bellingham no mesmo patamar de Pelé ou Maradona — o que seria ridiculamente prematuro, dada a história e o status lendário desses astros do futebol — suas atuações decisivas contra o México no Azteca e contra a Noruega em Miami permitem, pelo menos, uma comparação estatística favorável.
Bellingham é o primeiro jogador a marcar dois ou mais gols em jogos consecutivos da fase eliminatória de uma mesma Copa do Mundo desde o grande torneio de Maradona em 1986.
Ele é também, aos 23 anos, o segundo jogador mais jovem a alcançar esse feito, atrás apenas de Pelé, que fez o mesmo aos 17 anos em 1958, quando o Brasil venceu a Copa do Mundo na Suécia.

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E ele é digno de vestir a famosa camisa número 10 que esses gigantes usaram nas Copas do Mundo, só que desta vez no uniforme branco da Inglaterra.
As estatísticas pessoais de Bellingham, além dos seus dois gols na vitória contra a Noruega, foram um indicador convincente da sua influência.
Ele teve cinco chutes, o maior número entre os jogadores ingleses, e também liderou as estatísticas de maior número de toques na área adversária (6), maior número de duelos vencidos (8) e faltas sofridas (4).
E Bellingham continuou sua trajetória de marcar gols importantes para a Inglaterra.
O jogador que muda o jogo para a Inglaterra
Bellingham proferiu a célebre frase “quem mais?” na direção dos torcedores ingleses ao evitar o vexame de uma derrota para a Eslováquia na Euro 2024.
O gol de empate veio após um espetacular voleio, aos 94 minutos e 34 segundos, em Gelsenkirchen. A jogada abriu caminho para a vitória da Inglaterra na prorrogação, nas oitavas de final.
Desde então, ele passou por altos e baixos, chegando até a ser excluído do elenco do técnico Thomas Tuchel em determinado momento.
Esta Copa do Mundo tem sido uma trajetória ascendente.
Bellingham pode ser perdoado por revisitar aquela mensagem de “quem mais?” depois de seus dois gols na vitória por 3 a 2 na Cidade do México, e depois os dois gols que derrotaram a Noruega.
Foi também o exemplo mais recente da capacidade de Bellingham de marcar gols em momentos cruciais, de dar as contribuições decisivas quando a Inglaterra mais precisa delas.
Dos seus 12 gols pela Inglaterra, nove foram em grandes torneios. Cinco colocaram a Inglaterra em vantagem e dois foram gols de empate.
Apenas Gary Lineker, com seis gols em 1986, marcou tantos gols (sem contar pênaltis) em uma única Copa do Mundo, e Bellingham tem a chance de aumentar esse número antes do fim do torneio.
E para coroar ainda mais seu status de jogador de classe mundial, Erling Haaland é o único outro jogador nesta Copa do Mundo a marcar com o pé esquerdo, o pé direito e de cabeça.
Resumindo, ele está demonstrando um dinamismo impressionante nos tipos de gols que marca. Alguns são gols típicos de oportunista, outros chegam no lugar certo na hora certa dentro da área, e há aqueles momentos de puro brilhantismo individual, com força, velocidade e habilidade em exibição.

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A caminho do panteão dos grandes
Aqueles de nós que estamos cobrindo nossa sétima Copa do Mundo já vimos isso antes: um jogador simplesmente eleva seu próprio desempenho e o de sua equipe para corresponder ao ambiente e à pressão em que se conquista o maior prêmio do esporte.
No Japão e na Coreia do Sul, em 2002, o grande atacante brasileiro Ronaldo trilhava seu próprio caminho de redenção após o mistério que envolveu sua participação e desempenho na França quatro anos antes, quando o Brasil perdeu a final por 3 a 0 para a França em Paris.
Ronaldo esteve no centro de especulações sobre problemas de saúde na França e também sofreu lesões graves, então decidiu esclarecer as coisas no Japão.
Ele marcou os dois gols na vitória do Brasil sobre a Alemanha na final, e ficou diante de nós, da imprensa mundial, em Yokohama, com a simples frase: “A agonia acabou”.

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Messi sofreu a dor da derrota quando a Argentina perdeu para a Alemanha na final da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, mas finalmente alcançou o ápice no Catar com uma vitória dramática nos pênaltis contra a França.
Embora ainda não tenha alcançado esse status icônico, a importância de Bellingham para a Inglaterra está se aproximando desse nível de relevância, assim como, é claro, a do capitão Harry Kane.
Pode-se dizer que Bellingham está em uma jornada de redenção desde que brilhou na campanha da Inglaterra até a final da Euro 2024, onde perderam para a Espanha.
Sua trajetória foi interrompida por lesões no ombro e na coxa que o afastaram dos gramados do Real Madrid, e a possibilidade de ele não ser titular na Copa do Mundo, com sua vaga ameaçada pela excelência de seu amigo de infância Morgan Rogers, tornou-se um debate acalorado.
O técnico inglês Thomas Tuchel incentivava ativamente essa rivalidade amigável, mas quando a situação apertava no calor de uma Copa do Mundo, ele optava pela experiência e pelo histórico de classe mundial de Bellingham em grandes jogos.
Bellingham simplesmente encarou tudo com naturalidade, desmentindo qualquer sugestão de que ele não deveria estar na melhor escalação de Tuchel.
Para ser considerado um dos grandes, Bellingham precisará ajudar a Inglaterra a finalmente ultrapassar a barreira que tem sido intransponível por seis décadas – mas se alguém parece disposto a fazer isso, esse alguém é ele.
Messi é o próximo desafio

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Lionel Messi, aos 39 anos, continua sendo o líder e a inspiração da Argentina, ainda capaz de produzir a magia que faz com que este país orgulhoso e apaixonado por futebol contemple uma repetição da vitória na Copa do Mundo de quatro anos atrás. Ele já marcou oito gols nesta Copa do Mundo.
Mas em Bellingham, a Inglaterra acredita ter encontrado sua própria potência, com talento suficiente para ser seu diferencial.
Promete ser uma batalha intrigante entre os camisas 10.
Quem sair vitorioso entre Messi e Bellingham poderá muito bem definir quem avançará para a final da Copa do Mundo para enfrentar a França ou a Espanha.
É um sinal da influência insubstituível de Bellingham, bem como do impacto que ele está tendo na Inglaterra e nesta Copa do Mundo, que ele seja visto como uma figura de tamanha importância antes da partida de quarta-feira (15/7) em Atlanta.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


