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8 de maio de 2026

Como é a visita à fábrica Cristais de Gramado

Como é a visita à fábrica Cristais de Gramado

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Gramado é feita de referências e inspirações – e, de tanto reunir histórias, acabou construindo a sua própria. Cada lugar, cada atração, carrega uma narrativa que dialoga com o destino e ajuda a sustentar a ideia de que a cidade é mais do que um refúgio de inverno. Na Cristais de Gramado, não é diferente.

Portico Gramado Rio Grande do Sul
A Cristais de Gramado fica próxima ao pórtico, aproveite para tirar uma fotinho! (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

A verdade é que não existe atração melhor do que aquela em que você coloca a mão na massa. Durante minha viagem em Gramado, fiquei empolgada em entender o que existia por trás das vinícolas e chocolaterias que moldam o circuito turístico local. Mas nada se comparou à experiência de, de fato, construir algo meu ali dentro.

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A Cristais de Gramado fica logo na entrada da cidade. Quem chega pela RS-115 já dá de cara com o espaço, próximo ao pórtico. Por fora, um edifício cinza, de linhas simples, com uma parede formada por um mosaico de cores.

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Cristais de Gramado
O edifício discreto guarda uma das experiências mais curiosas da cidade (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Fundada em 2002, a Cristais de Gramado se tornou referência na produção de cristal artístico no Brasil ao reproduzir a técnica da ilha de Murano, em Veneza. O espaço funciona como uma mistura de museu vivo e fábrica: ali, o visitante acompanha todas as etapas do processo – do material incandescente ao acabamento final – e entende por que cada peça carrega tanto valor.

Tipos de visitação

A Cristais de Gramado é daquelas atrações que funcionam para toda a família. Do vovô ao netinho, sempre tem alguma etapa que fisga o visitante. A maneira mais comum de conhecer o espaço é pelo tour imersivo (R$ 88 a inteira), uma visita guiada que percorre as criações, explica a técnica e revela as histórias por trás de cada peça, com direito a um encerramento musical que foge do óbvio.

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Mas o interessante mesmo é ir além do tour. A fábrica oferece experiências em que o visitante assume o papel de artesão por um dia, criando sua própria peça com a orientação dos mestres vidreiros. Dá para escolher entre joias (R$ 299), flores de cristal (R$ 619) e vasos (R$ 1.189) – e, ao optar por qualquer uma delas, o tour guiado já vem incluído no pacote.

Vasos e flores da Cristais de Gramado
Entre as escolhas, peças delicadas como flores e vasos ganham forma nas mãos do visitante (Cristais de Gramado/Reprodução)

Na minha visita, fiz minha própria flor de cristal Murano.

Cores e Curiosidades

A visita começa depois que atravessamos uma porta que lembra aquelas de cofre, que se abre lentamente após apertar um botão vermelho. 

O primeiro espaço é o “Cores e Curiosidades”, onde a história do cristal Murano é apresentada de forma didática. O guia conduz a explicação enquanto mostra os componentes, as ferramentas e algumas peças produzidas na fábrica – incluindo o Kikito de cristal, troféu do Festival de Cinema de Gramado.

No meio da sala, um lustre imponente ajuda a contar a origem da Cristais de Gramado. Foi a partir daquela peça, comprada pelos fundadores Telmo de Freitas Gomes e Irane Land durante uma viagem à Europa, que surgiu a ideia de criar o espaço na Serra Gaúcha.

Para além da magnitude, o mais interessante é poder tocar nos cristais pendurados e sentir seu peso real – eles são bem pesadinhos. O lustre funciona quase como um marco zero, símbolo da paixão que deu início a tudo.

Cristais de Gramado
O começo de tudo, traduzido em cristal (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Outro detalhe que acaba roubando a cena são os vasos cheios de água que funcionam como lentes. Dependendo do ângulo, quem está do outro lado parece estar completamente distorcido e alongado. É simples, mas acaba virando uma pequena atração paralela, com gente testando posições, tirando fotos e tentando entender o efeito entre uma risada e outra.

Cristais de Gramado
Vasos de cristal preenchidos com água que criam efeitos visuais curiosos e refletem as cores da parede (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

O Inquestionável

Em seguida, a visita avança para a obra “O Inquestionável”, instalada em uma sala própria.

A instalação foi concebida por Telmo como um presente para Irane e funciona como um símbolo da dedicação da família em manter viva a arte do cristal. Fundadores da Cristais de Gramado, os dois seguem envolvidos na gestão e no conselho administrativo. A obra, por sua vez, foi construída a partir do trabalho conjunto dos mestres e artesãos da casa.

O inquestionavel Cristais de Gramado
Peças, que, juntas, formam a obra mais impressionante da visita (Cristais de Gramado/Reprodução)

Antes de chegar à instalação principal, uma pequena antessala contextualiza o que está por vir, com um teto feito com decorações em cristal.

Cristais de Gramado
Antes da obra principal, o olhar já é conduzido pelos cristais no teto (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Seguindo em frente, está então “O Inquestionável”, instalação que reúne cerca de 1.200 peças e é considerada a obra em cristal Murano mais valiosa do Brasil, avaliada em cerca de R$ 1 milhão – e, claro, não está à venda.

Inspirada nas obras de Dale Chihuly, a instalação brinca com formas e cores, com um detalhe que só se revela no completo escuro: uma das peças brilha, reforçando o caráter surreal da obra.

De perto, cada um enxerga algo diferente: há quem veja uma floresta ou até algo quase alienígena. Minha imaginação foi por um caminho mais infantil: a obra me lembrou um fundo do mar fantasioso, mais especificamente a Fenda do Biquíni, do desenho animado Bob Esponja, que eu assistia durante todos os meus almoços quando criança.

Produção ao vivo

Depois de se impressionar, chegou a hora de conhecer a produção de um modo mais direto. Em uma sala bastante quente – vale ir com uma roupa leve por baixo do agasalho -, acompanhei o processo com meus próprios olhos.

Ali, os fornos ficam ligados o tempo todo, passando dos 1.000 °C. É nesse calor que o cristal ganha uma consistência quase líquida, parecida com mel, e começa a ser moldado. Vi de perto cada etapa: os artesãos giram a massa incandescente na ponta da cana de sopro, usam o ar para dar forma e recorrem a ferramentas para ajustar detalhes com precisão. Tudo precisa acontecer de forma rápida, pois em poucos minutos o material começa a endurecer e pode quebrar.

Cristais de Gramado
Entre o fogo e o sopro, o cristal começa a se transformar (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Enquanto o processo acontece, o guia vai explicando como as cores são incorporadas e o que está sendo feito. Bastante simpáticos, os artesãos se aproximam em diversos momentos para mostrar as peças que estão produzindo.

Cristais de Gramado
Olha que fofo esse peixinho de cristal! (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Hora da mão na massa

Chegou então a minha hora de virar artesã – ou pelo menos tentar. Após preencher um documento especificando a cor e o que iria fazer, recebi um jaleco, um óculos e uma luva acompanhada de uma manga para então começar a moldagem.

Escolhi a cor rosa e segui para a minha flor de cristal. Como sou míope, me deixaram usar meus próprios óculos, o que já ajudou bastante na hora de focar no que estava fazendo. Não tem mistério, mas também não é tão simples quanto parece: sentei ao lado do artesão, que foi explicando cada etapa enquanto guiava os movimentos.

Cristais de Gramado
Antes da forma, o cristal é só calor e possibilidade (Cristais de Gramado/Reprodução)

Depois de aquecer o material, ele encaixa o cristal em uma espécie de molde inicial, que já sugere o formato da flor. A partir daí, entra a parte manual: precisei puxar a massa ainda quente para formar as pétalas e, depois de um novo aquecimento, afinar e ajustar os detalhes até chegar no resultado final. O tom sai mais escuro no momento da produção, mas vai clareando conforme a peça esfria.

Cristais de Gramado
Eu, o cristal e um pouco de nervosismo (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Como o resfriamento precisa ser lento, a flor só fica pronta para retirada cerca de 24 horas depois – ou pode ser enviada para o hotel (ou para casa, caso você more em Gramado) mediante taxa. No fim, além da peça, ainda recebi um certificado de “artesã por um dia”.

A Cristais de Gramado se tornou minha atividade favorita no destino por um motivo simples: pude fazer parte da história do local e levar um pedacinho dele comigo. Ao chegar em casa, a primeira coisa que fiz foi colocar a flor em uma estante alta, longe do alcance dos meus gatos. Agora, toda vez que recebo uma visita, aponto orgulhosa para a decoração e digo: “eu que fiz!”.

Cristais de Gramado
Minha tentativa no mundo do cristal (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Showroom

Depois de fazer a minha flor, circulei pelo showroom, com algumas peças à venda, para ver o que os profissionais conseguem criar. Apesar de orgulhosa da minha produção, a comparação é inevitável: o nível de acabamento das peças expostas impressiona. Há de tudo – vasos, esculturas decorativas dos mais diversos formatos e uma infinidade de joias -, com preços igualmente variados, de lembrancinhas a itens mais elaborados.

Cristais de Gramado
Entre vitrines e prateleiras, o cristal aparece em todas as formas (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Também dá para acompanhar de perto a produção das miniaturas, feitas com a técnica de flamework, em que o cristal é moldado diretamente na chama para ganhar formas delicadas. É um trabalho minucioso, quase hipnótico de assistir. Fiquei especialmente encantada com os bonequinhos em formato de palhaços e pássaros.

Voz do Cristal

Para finalizar a visita, nada como música. Mas aqui, assim como todo o resto, o som vem do cristal. Depois de uma breve espera, a sala escurece e ganha uma iluminação em tons de azul e verde, criando um clima quase etéreo.

Então, o músico entra em cena e começa a tocar usando apenas taças de cristal com água e os próprios dedos. O repertório passeia por estilos e épocas, de Beethoven a Alceu Valença, passando até por Guns N’ Roses. O som é delicado e combina perfeitamente com o ambiente, tendo um quê de magia que funciona como um encerramento à altura para a visita.

Cristais de Gramado
A delicadeza do material transformada em melodia (Cecília Carrilho/Arquivo pessoal)

Serviço

Onde? Rodovia RS-115, Km 36 – Várzea Grande – Gramado.

Quando? Aberto todos os dias, das 8h30 às 17h. O Voz do Cristal é apresentado às 9h30, 10h, 11h, 12h, 13h, 14h, 15h e 16h.

Quanto? Tour imersivo por R$ 88 (meia-entrada por R$ 44). Experiências: joias (R$ 299), vasos (R$ 1.189) e flores de cristal (R$ 619).

Leia o guia completo de Gramado

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Fonte.:Viagen

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