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27 de julho de 2026

Conheça Dominique Jardy, que se baseou na fauna do Brasil – 27/07/2026 – Turismo

Conheça Dominique Jardy, que se baseou na fauna do Brasil – 27/07/2026 – Turismo

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Helicônias gigantes, bromélias, embaúbas, tucanos, micos e capivaras ocupam paredes inteiras. As paisagens são salpicadas com uma variedade enorme de espécies da fauna e da flora brasileiras, sem jamais tirar o sossego dos ambientes.

Nos painéis de Dominique Jardy, a natureza é reconstruída em camadas de verdes profundos, sombras úmidas e luz filtrada entre as copas. Pequenos personagens se escondem entre as folhas. São pinturas que acolhem, feitas sob medida para cada espaço.

Mas não confie apenas nesta descrição, veja as imagens de onde estão alguns de seus painéis mais emblemáticos, como no lobby do Copacabana Palace e no luxuoso Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. No Solar do Império, outro hotel de luxo, em Petrópolis, a pintura se integra de tal forma ao casarão histórico que muita gente acredita que ela sempre esteve ali, desde sua construção, no século 19.

Mais recentemente, as lojas da grife carioca Farm, espalhadas em todo o Brasil, são quase todas decoradas com os trabalhos dessa artista singular.

Enquanto a mostra de arquitetura e decoração CasaCor está aberta em São Paulo, até o próximo dia 9, no Parque da Água Branca, o novo trabalho de Dominique pode ser visto ao vivo. A artista francesa assina um dos ambientes da mostra e aproveita a vitrine para lançar uma coleção de papéis de parede desenvolvida a partir de seus próprios painéis.

Pela primeira vez, a estética que durante décadas esteve restrita a hotéis ou projetos de arquitetura e residências de alto padrão passa a poder ser comprada por qualquer pessoa.

O curioso é que, apesar de assinar algumas das imagens mais brasileiras da decoração contemporânea, a autora nasceu bem longe daqui, no interior da França.

“Vim ao Brasil de férias, fugindo do frio. Tinha um endereço em Belo Horizonte e um no Rio de Janeiro. Acabei ficando dois meses aqui”, conta a quase carioca, em entrevista por vídeo feita de seu imenso ateliê, no bairro de Laranjeiras, na capital fluminense, de onde ela observa a natureza que tanto ama pelas janelas iluminadas.

Chegou a voltar para a Europa, mas já tinha se apaixonado pelo Rio e, quando decidiu voltar, veio para ficar. Isso foi em 1984. “Foi o destino que me trouxe para o lugar certo”, afirma. Aos poucos, foi fazendo contatos de trabalho e pintando seus painéis decorativos, ainda com estética muito europeia, que era o que os clientes mais gostavam.

Formada em pintura decorativa na Bélgica, Dominique iniciou a carreira trabalhando com grandes decoradores italianos, participando de projetos em Nova York, Marrocos, Japão e Itália.

Seu repertório era essencialmente composto por afrescos, ornamentos, colunas clássicas e efeitos de textura inspirados na tradição renascentista. Nada a ver com a exuberância tropical que virou a marca registrada de sua arte. Foi o Brasil que mudou sua pintura.

Ela lembra exatamente quando percebeu que algo estava acontecendo. Durante um trabalho no Rio de Janeiro, um cliente perguntou se ela poderia incluir um papagaio na composição. “Respondi: ‘Por que não?'”. Foi o primeiro. Depois vieram tucanos, araras, seriemas, quaresmeiras, buritis e uma infinidade de espécies que passaram a ocupar seus murais. “Descobri que era isso que eu gostava realmente de pintar, e nunca mais parei”, diz a artista.

Dominique sempre procura recriar a sensação de estar dentro da floresta. Por isso, há profundidade, mistério, luz e sombra. “Quando pinto uma paisagem, parece que estou mergulhando. Tento reviver em mim a sensação da escuridão, da umidade, dos tons de verde, do roxo, do marrom.”

Para ser fiel à paisagem que retrata, a artista passa boa parte do tempo observando a natureza de perto. Caminha frequentemente pela floresta da Tijuca, pedala, pratica esportes ao ar livre e participa de expedições botânicas. Já percorreu a Amazônia em viagens dedicadas à observação da flora.

As fotografias que faz durante esses passeios servem de referência para futuras obras, mas ela insiste que o mais importante não é copiar uma planta ou um animal, e sim guardar a atmosfera do lugar.

Sua transformação artística coincidiu com outra mudança importante: a forma como o próprio Brasil passou a olhar para sua paisagem. Durante décadas, a decoração sofisticada era quase sinônimo de reproduzir modelos europeus.

Aos poucos, arquitetos e clientes começaram a perceber a riqueza estética da biodiversidade brasileira. E Dominique tem muito a ver com isso.

“O fato de eu ser francesa e me inspirar pela natureza do Brasil abriu um pouco esse caminho, mas o mais importante foi que os brasileiros viram que tinha tesouros aqui e não precisavam imitar a França, a Itália ou os Estados Unidos“.

Foi nos anos 1990 que aconteceu a grande mudança, quando participou da renovação do Copacabana Palace, criando grandes painéis que ajudaram a consolidar uma estética tropical elegante, integrada à arquitetura. Desde então, seu trabalho passou a ser requisitado por hotéis, residências e projetos assinados por alguns dos principais arquitetos do país.

“Um ambiente tem que acolher. Tem que oferecer conforto visual”, diz a artista, que sempre deixa pausas visuais em seus trabalhos, não preenche todos os espaços e nem usa cores que interferem com o resto da decoração.

Nada de tons pastéis, não se trata disso, uma natureza colorida e cheia de vida, vista na luz do amanhecer ou no pôr do sol, quando as cores e os contrastes são mais suaves.

Embora faça pintura decorativa, Dominique rejeita a ideia de que seu trabalho ocupe um lugar secundário em relação às galerias. “No fundo, eu gostaria também de fazer uma exposição”, confessa.

Enquanto não realiza esse sonho, Dominique começa a ampliar o alcance de sua obra. A coleção de papéis de parede lançada durante a CasaCor São Paulo está à venda em seu site, e permite que sua obra chegue a endereços onde ela talvez nunca pintasse pessoalmente. “Gosto de tornar minhas artes mais acessíveis”, diz.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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