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- Author, Paul Glynn
- Role, Repórter de cultura
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Tempo de leitura: 7 min
Essa foi a mensagem de Liam Gallagher, vocalista do Oasis, em 1º de julho, depois que a torcida inglesa — que viajou para acompanhar a equipe — cantou mais uma vez a música mais famosa da banda junto com os jogadores ao final da partida.
O jogo foi tenso e decidido nos minutos finais, garantindo a vitória sobre a República Democrática do Congo, em Atlanta, pela fase eliminatória da Copa do Mundo.
Neste sábado (11/7), a postagem de Liam Gallagher na rede social X se repetiu, após a Inglaterra derrotar a Noruega nas quartas de final, se classificando para enfrentar Argentina ou Suíça na semifinal.
A cantoria conjunta entre jogadores e torcedores ingleses se tornou uma nova tradição nas últimas semanas, com a música do Oasis sendo cantada a plenos pulmões após as vitórias da seleção masculina nos Estados Unidos.
Em entrevista ao jornal The Sun após a vitória de estreia em Dallas, o compositor da canção — Noel Gallagher, irmão e colega de banda de Liam — disse: “Wonderwall pertence ao povo, e foi um momento mágico entre o público e os jogadores.”
Ele afirma não ser torcedor da seleção inglesa.
O capitão Harry Kane disse ao podcast Lions’ Den que aquela primeira cantoria espontânea foi um dos seus “momentos favoritos de todos os tempos vestindo a camisa da Inglaterra”.
Seu antigo companheiro de equipe e atual comentarista da BBC Sport, Joe Hart, disse que esses momentos “fenomenais” de união permitem que os jogadores “deixem de lado, nem que seja por alguns minutos, a máscara de profissional de elite”.
“A música tem tudo a ver com a identidade inglesa”, disse um torcedor à BBC Sport sobre a canção.
Embora hinos tradicionais da Inglaterra — incluindo Three Lions, Vindaloo, World in Motion e até Sweet Caroline, de Neil Diamond (sucesso inesperado da Euro 2020) — continuem sendo ouvidos em pubs por todo o país, Wonderwall parece ser a música do verão inglês até o momento.
A canção, que chegou ao segundo lugar nas paradas e faz parte do álbum de enorme sucesso do Oasis lançado em 1995, (What’s the Story) Morning Glory?, retornou ao Top 40 de sucessos do Reino Unido na semana passada, impulsionada pela repercussão viral na Copa do Mundo.
Em 2008, pouco antes de a banda de Manchester se separar, Liam declarou que “não suportava cantar aquela música” — a balada de base acústica que inspirou inúmeros músicos de rua.
No entanto, desde então, ele fez exatamente isso — e muitas vezes, com grande êxito junto aos fãs apaixonados ao redor do mundo — durante a turnê de reencontro da banda, que registrou vendas expressivas no ano passado.
‘Canção para o momento’

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O autor e radialista PJ Harrison, que no ano passado lançou a biografia Gallagher: The Fall and Rise of Oasis (“Gallagher: A Queda e a Ascensão do Oasis”, em tradução livre), acha fascinante o processo pelo qual músicas pop são adotadas pelos torcedores de futebol.
Na década de 1960, conta ele à BBC News, havia uma tradição de os torcedores simplesmente cantarem sucessos pop da época.
Ele acredita que o que está acontecendo agora com a Inglaterra e a música Wonderwall não poderia ter sido algo forçado ou planejado.
“Há a longa trajetória de Wonderwall e, depois, o interesse renovado com a turnê”, observa ele. “E, obviamente, se você precisa escolher uma música daquela turnê, ela se encaixa perfeitamente.”
“Então, basta o DJ ter a percepção do momento para pensar: ‘Essa é a música ideal para agora’, colocá-la para tocar e ver todo mundo abraçá-la.”
Ele acrescenta: “Assim que ela cria raízes e se funde a um momento emocional — como vencer o primeiro jogo de uma Copa do Mundo —, ela ganha vida própria no campo das emoções e rapidamente desperta uma nostalgia imediata.”
Quanto à música em si, Noel disse à revista Uncut, na época do lançamento, que era uma carta de amor musical para sua então esposa, Meg Mathews. Mas ele posteriormente mudou sua versão, dizendo à revista Q que era sobre “um amigo imaginário que virá e te salvará de você mesmo”.
A ambiguidade na letra, aliada à melodia familiar e fácil, permite que os fãs “expressem uma demonstração de amor sem necessariamente especificar para quem é direcionada”.
“O que é uma Wonderwall? Eu realmente não sei o que é, mas posso cantar sobre isso e pode ser o que eu achar que é”, diz o ex-diretor do clube de futebol Plymouth Argyle e cofundador do City of Angels FC, de Los Angeles.
“Se eu achar que é Jude Bellingham ou se eu achar que a Inglaterra está ganhando, pode ser isso, ou pode ser minha namorada ou qualquer outra coisa.”
Ao contrário de algumas das outras canções inglesas mais animadas e esperançosas, ele acredita que a natureza reflexiva de Wonderwall significa que ela “também serviria como consolo caso a equipe fosse eliminada”.
‘Euforia e melancolia’
O termo “Wonderwall” vem originalmente do filme psicodélico e surrealista de 1968 de mesmo nome.
O filme é estrelado por Jane Birkin, que se torna o objeto de obsessão de um vizinho; ele vai abrindo buracos na parede aos poucos para observá-la.
George Harrison compôs a trilha sonora — o primeiro álbum solo de um Beatle —, e foi aí que Noel, um ávido colecionador de discos, a conheceu.
O título provisório original da música era Wishing Stone (“Pedra dos Desejos”, em tradução literal), mas uma alteração inteligente na letra resultou em seu maior sucesso de vendas — milhões de discos e bilhões de reproduções via streaming — e provavelmente pagou pela piscina do compositor.
John Robb, redator da revista Louder Than War e músico da banda Membranes — que também lançou um livro sobre o Oasis no ano passado, intitulado Live Forever: The Rise, Fall And Resurrection Of Oasis (“Live Forever: A Ascensão, a Queda e a Ressurreição do Oasis”) —, diz que Wonderwall é a música perfeita para torcedores de futebol, graças à sua mistura inebriante de “euforia” e “melancolia”.
“Há algo realmente melancólico em ser torcedor de futebol, porque a qualquer momento você pode estar prestes a perder, mas, no instante seguinte, pode estar prestes a ganhar”, diz o torcedor do Blackpool.
“A música captura ambos os sentimentos; é a canção de futebol perfeita.”
Ele continua: “Ela tem aquela característica de permitir que você cante junto, mas carrega um tom subjacente de tristeza e também aquele impulso de energia no refrão.”
Embora não tenha sido composta como uma música de futebol, Noel já falou sobre como o tempo que passou nas arquibancadas do antigo estádio Maine Road, assistindo aos jogos do Manchester City, influenciou sua composição, recorda Robb.
“O futebol trata de comunidade, camaradagem e de todos estarem juntos naquele momento, e esse tipo de música é perfeito para isso”, acrescenta ele.
“O coral supremo é a arquibancada de um estádio de futebol, pois são muitas pessoas que não sabem cantar muito bem, mas cantam juntas e em harmonia.”
“É algo realmente bonito.”

Crédito, Mike Egerton/PA Wire
Os torcedores da Inglaterra esperam que sua seleção esteja em sintonia neste mês, para que possam levar sua nova tradição até a final em Nova York.
Wonderwall perdeu sua própria espécie de final em novembro de 1995. A música foi cruelmente impedida de chegar ao topo das paradas pelo single de Robson & Jerome — “I Believe” e “Up On The Roof” —, canções que, até onde sabemos, não são entoadas pelas multidões de torcedores ingleses.
Se a Inglaterra conquistar a Copa do Mundo pela primeira vez em 60 anos, fique de olho: a música pode, quem sabe, acabar também com um jejum de 30 anos nas paradas de sucesso.
“Vamos manter as vibrações bíblicas”, como disse Liam no X.
Caso contrário, os torcedores podem acabar chorando as mágoas.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


