8:44 PM
22 de maio de 2026

Denúncia contra culto evangélico na UFMG e MPF

Denúncia contra culto evangélico na UFMG e MPF

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O Ministério Público Federal investiga Lucas Teodoro, líder do movimento Aviva Universitário, após denúncias de que cultos realizados na UFMG em 2025 violariam a laicidade do Estado. O caso gera debates sobre a liberdade religiosa e a isonomia no uso de espaços públicos universitários.

Qual é o motivo da investigação contra o movimento cristão?

A investigação começou após uma denúncia da Associação Movimento Brasil Laico. O grupo acusa os jovens evangélicos de desrespeitarem a laicidade do Estado — que é o princípio de neutralidade do governo em relação a religiões — ao realizarem um culto em uma praça dentro do campus da UFMG. Além disso, houve acusações de uso indevido de recursos públicos, embora especialistas apontem que o uso do espaço comum por alunos não gera custos extras ao patrimônio público.

O que diz o líder do movimento sobre as reuniões no campus?

Lucas Teodoro afirma que os encontros eram voluntários e pacíficos. Segundo ele, os jovens estavam apenas orando e se arrependendo, sem o uso de aparelhos de som que pudessem atrapalhar as atividades acadêmicas. Ele defende que o grupo foi alvo de intolerância, chegando a ser chamado de organização criminosa por realizar atos de adoração em um ambiente que deveria ser aberto ao pluralismo de ideias.

Como a Constituição brasileira trata a questão da laicidade?

A Constituição Federal proíbe o Estado de estabelecer cultos, manter relações de dependência ou subvencionar instituições religiosas. No entanto, juristas explicam que isso não significa que o espaço público deva ser ateu. A laicidade exige paridade de tratamento: se a universidade permite manifestações políticas, festas e eventos culturais, ela não pode proibir apenas os grupos religiosos, sob pena de estar discriminando cidadãos por sua crença.

Por que o processo foi reaberto após ter sido arquivado?

Inicialmente, um procurador arquivou o caso por não ver irregularidades, entendendo que a universidade deve garantir a liberdade religiosa. Contudo, após um recurso da associação laicista, a subprocuradora Mônica Nicida Garcia decidiu pela continuidade. Ela argumenta que é preciso apurar se a cessão da infraestrutura favoreceu uma religião específica em detrimento de outras ou se houve quebra da neutralidade exigida de uma instituição federal.

Quais são as possíveis consequências deste embate jurídico?

O desfecho pode definir limites para a expressão da fé em universidades públicas. De um lado, o Instituto Brasileiro de Direito e Religião alerta que tentar banir orações pode criar um ‘laicismo militante’, que isola a religiosidade da vida pública. Do outro, o MPF apura se houve barulho excessivo ou ocupação não autorizada, o que, embora não seja crime federal, pode resultar em punições administrativas e novas regras para o uso dos espaços comuns.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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Fonte. Gazeta do Povo

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