10:27 PM
22 de agosto de 2026

Desgastes de Lula e Flávio mantêm a disputa acirrada – 22/08/2026 – Opinião

Desgastes de Lula e Flávio mantêm a disputa acirrada – 22/08/2026 – Opinião

PUBLICIDADE


Nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Flávio Bolsonaro (PL) chegaram ao início oficial da disputa pelo Planalto em momentos favoráveis. Em tal contexto, ambos podem encontrar motivos para se darem por satisfeitos com a estabilidade das intenções de voto captada pela nova pesquisa Datafolha.

A liderança de Lula e Flávio na corrida se mostra tão estável que, a esta altura, é a simulação de segundo turno que mais atrai as atenções. Nela, o mandatário petista tem 47% das intenções de voto, ante 43% do oposicionista à direita. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a liderança do primeiro é provável, mas não uma certeza.

Tal distância se mantém praticamente inalterada desde maio, quando o bolsonarista sofreu o impacto de suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado pelo maior desfalque financeiro da história do país e por corrupção de autoridades nos três Poderes. Até então, o Datafolha mostrava empate entre os dois principais postulantes.

O desgaste de Flávio não se limitou à modesta desvantagem para Lula. Imposto pelo pai e ex-presidente Jair Bolsonaro para preservar a hegemonia familiar no campo conservador, o senador fluminense não foi capaz de formar alianças com outras siglas da direita ao centro.

Neste agosto, escolheu o correligionário Alfredo Gaspar como vice, depois de uma fracassada busca por nomes de outros partidos que dessem maior amplitude a sua candidatura.

É Lula, no entanto, quem passa por maiores atribulações no momento. A Polícia Federal avança em investigações sobre as atividades de seu filho Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, e de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, ou Marcola, que levam a suspeitas de tráfico de influência —e, pior ainda, ligadas ao escândalo das fraudes contra aposentados do INSS.

Por ora, o caso não alterou as intenções de voto no petista, mas parece sintomático que a avaliação negativa de seu governo tenha voltado a aumentar —41% o consideram ruim ou péssimo, enquanto 33% o avaliam como bom ou ótimo, ante uma relação de 38% a 32% medida em julho. O trabalho do presidente é aprovado por 47% e reprovado por 50%.

Trata-se de um saldo frustrante para quem, em busca de um quarto mandato, tem promovido uma multiplicação temerária de gastos e operações de crédito favorecido, agravando a já calamitosa situação das contas do Tesouro Nacional a ser herdada pelo vencedor da corrida.

Resta claro que Lula e Flávio têm pisos e tetos pouco elásticos no eleitorado. Os líderes em preferências são também campeões de rejeição —45% rechaçam o voto no primeiro, e 46%, no segundo. O cenário prenuncia uma nova disputa acirrada, decidida por pequenas flutuações nos estratos mais avessos à polarização, o que não ajudará a popularidade do próximo governo.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima