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- Author, Jack Skelton
- Role, BBC Sport
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Infantino disse que ficou claro que o projeto havia “criado divisões” e que “já não atendem ao interesse” de seu objetivo original.
O suíço acrescentou: “Como resultado, esta proposta não seguirá adiante”.
Infantino havia oferecido US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) a cada uma das 211 associações-membro da Fifa caso elas apoiassem uma proposta de investimento privado em seus torneios, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.
O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, afirmou que a própria administração da entidade havia sido “enganada” sobre o projeto.
Carlos Cordeiro — principal assessor de Infantino para estratégia global e governança — renunciou ao cargo, dizendo que a proposta era “um mau negócio para o futebol” e que iria “hipotecar o futuro do futebol”.
A decisão ocorreu depois que outras duas grandes confederações também se manifestaram contra o plano.

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A Concacaf, entidade que administra o futebol na América do Norte, Central e no Caribe — e que sediou a Copa do Mundo deste verão — afirmou que seus membros “rejeitaram” a proposta. Fontes disseram que a grande maioria das associações da região está perdendo, ou já perdeu, a confiança em Infantino.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) afirmou estar em “solidariedade” com Uefa e Concacaf, enquanto o primeiro-ministro britânico Andy Burnham disse que Infantino era “a pessoa errada” para liderar a Fifa.
Infantino, de 56 anos, agora está sob forte pressão enquanto busca a reeleição para um quarto mandato como presidente no Congresso da Fifa, em março.
Ele afirmou que pretende agora “reunir novamente todas as partes interessadas” no “espírito de interesse comum” pelo futebol.
Plano de Infantino dificilmente seria aprovado
Apesar das rejeições de Uefa e Concacaf, a Fifa havia dito, nesta sexta-feira, que seguiria adiante com a proposta, afirmando que “ninguém está vendendo o futebol”.
Contudo, ao anunciar o abandono do plano, Infantino reconheceu que precisava do apoio da maioria das associações-membro da Fifa — ou seja, de pelo menos 106 das 211 entidades com direito a voto.
Esse cenário tornou-se improvável quando a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntou à Uefa e à Concacaf na oposição ao projeto.
A Uefa reúne 55 votos, a Concacaf, 35, e a AFC, 46.
Se todas as associações-membro seguissem a posição de suas respectivas confederações, 136 países votariam contra o plano de Infantino.
As entidades que comandam o futebol na África (CAF) e na Oceania (OFC) haviam informado que discutiriam a proposta da Fifa em agosto.
Já a Conmebol, responsável pelo futebol sul-americano, afirmou ter solicitado à Fifa “informações adicionais e esclarecimentos” sobre o “alcance, a estrutura, a governança e os possíveis efeitos” da proposta.
Qual era o plano de Infantino?
A Fifa e Infantino queriam criar uma subsidiária comercial para administrar seus principais eventos, incluindo as Copas do Mundo, permitindo que investidores externos comprassem participações na nova empresa.
A entidade afirmou que convidaria “terceiros a fazer investimentos minoritários, sem controle acionário” na nova subsidiária, batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE).
Infantino estabeleceu o prazo de 19 de setembro para que as federações nacionais aceitassem a proposta caso quisessem ter acesso a uma primeira parcela de US$ 20 milhões (cerca de £ 15 milhões).
Um documento de 25 páginas elaborado pelo banco de investimentos JP Morgan detalhava como a expansão dos torneios da Fifa permitiria elevar os repasses às associações-membro para uma estimativa de 24 milhões de euros por entidade no ciclo de 2035 a 2039.
O texto mencionava “novas iniciativas de negócios” e a necessidade de “atrair os melhores talentos com remuneração baseada em incentivos”.
O documento descrevia a Copa do Mundo como o evento esportivo “mais assistido” do planeta, mas afirmava que, em contraste, a Fifa era uma organização “submonetizada”, indicando que ainda explorava pouco seu potencial de receitas.
Não havia qualquer menção ao futebol feminino.
A Fifa informou que a Thrive Eternal lideraria o grupo de investidores proposto para a FFE.
A Thrive é uma empresa americana de capital de risco fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump, que comentou a proposta pela primeira vez nesta sexta-feira, afirmou que não havia conversado com Infantino sobre o plano.
Os dois, no entanto, estreitaram a relação desde que Trump assumiu seu segundo mandato, em 2025.
Infantino resistirá à crise?
Infantino assumiu a presidência da Fifa em 2016, ao derrotar o então presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman al-Khalifa, por 115 votos a 88.
O próximo presidente da entidade será escolhido durante o 77º Congresso da Fifa, que será realizado no Marrocos, em março de 2026. Os candidatos têm até 18 de novembro para registrar suas candidaturas.
Até esta semana, a expectativa era de que Infantino fosse reeleito sem oposição. Associações de todo o mundo, incluindo algumas da Europa, já haviam manifestado a intenção de votar nele.
Agora, resta saber se os acontecimentos desta semana provocarão uma retirada em massa desse apoio.
Em seu comunicado, Infantino reiterou que a proposta tinha como objetivo fortalecer as associações-membro, “especialmente nos países onde o apoio é mais necessário”.
Ele acrescentou: “Nosso propósito sempre foi — e sempre será — unir e melhorar”.
No entanto, a proposta evidenciou divisões dentro da própria Fifa.
Carlos Cordeiro, que representava a entidade na força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026, tornou-se o primeiro dirigente de alto escalão da Fifa a renunciar em razão do projeto.
Em um longo comunicado, Cordeiro afirmou que se opunha “de forma inequívoca” ao plano e disse não aceitar a ideia de que a Fifa precisasse de investidores externos para “desbloquear maior valor”. Ele também afirmou que não participou da elaboração da proposta.
Segundo fontes, Infantino teria mantido até mesmo alguns dos oito vice-presidentes da Fifa sem conhecimento do plano, que, segundo estimativas, poderia levantar US$ 10 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões).
O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, classificou a iniciativa como “o projeto de uma única pessoa” e afirmou que “um presidente deve reunir as pessoas, uni-las e inspirá-las”, mas que aquele projeto representava “o oposto”.
“Se isso significar que vou perder meu emprego, que assim seja”, acrescentou. “Vou entender e respeitar essa decisão. Pelo menos dormirei tranquilo esta noite.”
Cronologia dos acontecimentos
Segunda-feira, 27 de julho
Em um carrossel de 15 imagens publicado no Instagram, Infantino disse a seus críticos para “meditar, rezar ou assistir a uma partida de futebol”, em vez de “espalhar ódio e rumores falsos” sobre sua liderança
Terça-feira, 28 de julho
Os jornais The Times e Financial Times revelam o plano de Infantino de vender participações em competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, para investidores privados.
A Uefa divulga seu primeiro comunicado afirmando que “o futebol não está à venda pela Fifa” e acusa a entidade de “ultrapassar um limite”.
A Fifa confirma oficialmente a proposta.
Quarta-feira, 29 de julho
Infantino envia uma carta às 211 associações-membro da Fifa informando que cada uma receberia US$ 40 milhões (cerca de £ 30 milhões) caso apoiasse o plano. Para receber uma primeira parcela de US$ 20 milhões (cerca de £ 15 milhões), seria necessário aderir até 19 de setembro.
A Uefa afirma que “a Fifa não pode continuar usando nosso esporte para enriquecer a si mesma e seus amigos”.
Quinta-feira, 30 de julho
As 55 associações filiadas à Uefa votam por boicotar as Copas do Mundo caso o plano avance.
A Concacaf informa que suas associações-membro também rejeitaram a proposta.
A Fifa afirma que “ninguém está vendendo o futebol” e diz que seguirá com o projeto.
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) declara estar “em solidariedade” com Uefa e Concacaf, embora sem rejeitar explicitamente a proposta.
Carlos Cordeiro renuncia ao cargo de assessor de Infantino, classificando o projeto como “um mau negócio para o futebol” que “hipotecaria o futuro do esporte”.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirma que Infantino é “a pessoa errada” para liderar a Fifa.
Kevin Lamour diz que a própria administração da Fifa foi “enganada” em relação ao projeto.
Por volta de 20h30 (horário de Brasília), Infantino divulga um comunicado anunciando que a proposta foi abandonada.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


