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12 de junho de 2026

Gero Fasano quer paz em sua cozinha e para os clientes – 11/06/2026 – Restaurantes

Gero Fasano quer paz em sua cozinha e para os clientes – 11/06/2026 – Restaurantes

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São Paulo


55 Pitacos de Gero Fasano e Suas 14 Receitas da Culinária Italiana
Preço: R$ 120 (174 págs.)
Autoria: Gero Fasano
Editora: DBA
Onde comprar: Livraria da Vila e Livraria da Travessa

Receitas para vida, com ingredientes básicos, mas que exigem atenção no preparo. Essa é a maneira mais simples de definir o livro “55 Pitacos de Gero Fasano e Suas 14 Receitas Preferidas da Culinária Italiana“. Claro que não estamos falando apenas de gastronomia, mas usando uma analogia sobre a publicação, que é assinada pelo empresário à frente de hotéis e restaurantes em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Punta del Este e Nova York.

Antes de entrar no preparo de pratos feitos com vitelo, ossobuco, costela de angus e lagostim —que o autor reconhece não serem fáceis de fazer, mas necessário conhecer—, a publicação traz uma sequência das pensatas de Gero, acompanhadas das ilustrações do artista Marcelo Cipis. O humor é perspicaz, inteligente. Você se diverte lendo sozinho e olhando as gravuras, mas também dá para compartilhar ao lado de amigos à mesa.

O restaurateur Gero Fasano

Empresário Gero Fasano em um dos restaurantes do grupo; restaurateur reúne pensamentos em livro para distrair a mente à mesa


Divulgação

O próprio autor contou, em conversa com a Folha, que as frases foram extraídas de vídeos que ele gravou para reels em sua conta de Instagram (@gerofasano).

“Tomei coragem de fazer esses reels. Alguns ficaram muito engraçados, alguns geraram risadas, outros foram polêmicos. Comprei umas briguinhas aqui, outras por lá. Digo que tenho essa função social de ser o pentelho de plantão. Aí revi três anos de gravações, fizemos um pot-pourri e o livro é a consequência.”

Ou seja, enquanto a maioria segue agarrada numa ode ao virtual, Gero não se importa de, após transitar no ambiente da rede social, fazer o caminho inverso. Sai da fala gravada para a palavra escrita. Da imagem em movimento para o desenho de traço limpo.

Seja online ou offline, mantém as críticas contra as tentativas de, segundo ele, transformarem a cozinha em palco ou até em ringue.

“Bobagens são ditas todos os dias. É impressionante, viu? Cada hora é um modismo, uma verdade, um programa de televisão como esses do Gordon Ramsay”, afirma sem perder a chance de usar o seu antiexemplo favorito.

“O tonto chega berrando nos restaurantes, dando esporro em todo mundo, dizendo que está tudo errado. Aí o cara põe lá dois pratinhos no menu, troca os quadros da parede e o restaurante começa a bombar. Não é assim que funciona. É mentira.”

O escocês Ramsay, para quem não sabe, é um chef que virou youtuber e personalidade televisiva na Inglaterra com o programa Hell’s Kitchen, inspirando similares pelo mundo (no Brasil, Cozinha sob Pressão). “Estamos em 2026. A palmatória não acabou nas escolas? Até para dar bronca, o professor escolhe as palavras. Então, quero paz na minha cozinha”, diz Fasano.

Ele afirma desejar o mesmo para os clientes no salão. Como diz no livro, pior que a falta é o excesso de atendimento.

“Restaurante tem outras funções que vão além do comer bem. É onde você vai ter uma conversa séria com o teu filho, encontrar a sua mulher. É chato quando o garçom vem toda hora na sua mesa. Deixem o cliente. Essa é a minha frase para todos os meus garçons: não aporrinhem o cliente quando não for necessário.”

O compilado de comentários da publicação, porém, não traz apenas estocadas. O leitor pode usar licença poética para resumir o conjunto como flashes autobiográficos. Sutilmente, sintetiza a trajetória que construiu a visão de mundo de seu autor.

Há história em muitas frases. Um exemplo: “Minhas preferências são cozinha italiana, vinho francês e carro alemão. Se tudo isso puder estar em Londres, você é um abençoado”.

Fasano explica: “Morei em Londres para estudar cinema, e a escola era simplesmente o máximo. Cinéfilo, via dois, três filmes por dia. Sonhava ser diretor. Foram anos maravilhosos, e passei a amar Londres”. Segundo ele, ainda hoje, exercita o lado cinéfilo cuidando da luz dos estabelecimentos.

Foi naquele período em Londres que também conheceu e se tornou amigo do escritor e jornalista Diogo Mainardi, que assina o prefácio do livro.

Duas citações fazem referência a filmes da saga “O Poderoso Chefão“, de Francis Ford Coppola, por misturarem comida e emoção —segundo Gero, algo até previsível em se tratando do contexto das produções. Ele garante que não importa onde esteja um italiano ou descendente de italiano, comida será um assunto.

“Italiano almoça discutindo o que vai comer à noite. É impressionante. Eu até perguntei para o Coppola, quando ele esteve no Brasil e almoçamos, qual era a ligação dele com a comida.”

Em outras passagens, o empresário escreve conselhos. “Se você, jovem, está pensando em trabalhar nessa profissão, seja no salão ou na cozinha, saiba de uma coisa: você vai trabalhar à noite —a noite é cheia de armadilhas.” A gente lê, e a pergunta é automática: afinal, quais são as armadilhas da noite para um Gero Fasano? E ele explica.

“Você está falando com um cara que teve que trocar o fígado, né? Quando você fecha um restaurante à meia-noite, e deu tudo certo, você está pilhado. Nunca chega em casa do mesmo jeito. Aí é a hora do teu relaxamento com os amigos. Bebi demais. Paguei um preço.”

O livro não traz receitas etílicas, mas Gero não se furta a redigir comentários. “Gim-tônica é feito, no máximo, com uma fatia de limão. Nunca com pepino ou especiarias, e jamais servido em copo balão”.
Na conversa com a reportagem, ele ainda reforçou o pitaco. “Gim-tônica é para copo longo e o mais grosso possível, para que o gelo se mantenha por mais tempo, senão fica aguado. Você tem ideia de quanto líquido cabe naquele copo balão?”

Fasano conta que o livro não foi pensado para ser vendido, mas acabou indo para livrarias. Ele até participou das seções de lançamento com autógrafos.

Inquieto, mal concluiu esse projeto e já tem outro. “Quando eu voltar a gravar os reels, vou pegar cada uma das frases que eu mais gosto e me aprofundar nelas.” Uma frase que merecia explicação é aquela em que a Itália é um país e a Sicília, outro.

“Você sabe como é que um siciliano fala quando vai a Roma? Amanhã, eu vou para Itália. Eles nunca se conformaram com a unificação. Tem um filme fantástico sobre isso, ‘Il Gattopardo’.” Fica aí mais esse pitaco.





Fonte.:Folha de São Paulo

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