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29 de abril de 2026

“Homem forte ajuda a mulher”, diz Cazarré em resposta a ataques

“Homem forte ajuda a mulher”, diz Cazarré em resposta a ataques

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Conhecido por atuações em novelas da Globo e filmes, Juliano Cazarré voltou aos holofotes recentemente não apenas por seus papéis na dramaturgia, mas pelas posições que tem assumido fora das telas. Em entrevista à Gazeta do Povo, o ator falou sobre o que considera ser um homem forte e comentou a reação — incluindo críticas da classe artística — ao lançar um evento voltado ao fortalecimento da masculinidade.

“Quero que os homens tenham acesso a conteúdos sobre ser família e ser presente. Falar sobre voltar para casa para ajudar a mulher a colocar as crianças na cama, ficar com a esposa e cuidar dela. Não é só pensar em dinheiro e pensar em trabalho”, afirma.

Intitulado “O Farol & a Forja”, o congresso traz como proposta fortalecer os homens e ajudá-los a encontrar verdadeiros propósitos. A iniciativa, no entanto, gerou confusão nas redes sociais ao ser associada a um movimento machista que difunde violência contra a mulher, chamado de movimento red pill. O termo, inspirado no filme Matrix, sugere “enxergar a realidade como ela é”.

Vídeos vinculados a perfis que aderiram a essa lógica viralizaram nas redes sociais. Em um deles, homens simulam agressões com facas e armas contra mulheres que recusam pedidos de namoro. Não é essa a masculinidade defendida por Cazarré.

Parte dos colegas, como a atriz Marjorie Estiano, afirmou que o “discurso” de Cazarré seria responsável por tirar a vida de mulheres. Cláudia Abreu, Guta Stresser, Julia Lemmertz e outros nomes também fizeram comentários na publicação do ator com críticas citando “feminicídio” e “usar o nome de Cristo”.

“Existe uma distorção profunda do que é ser forte. Homem não é forte quando bate na mulher ou nos filhos. Não é ‘o cara’ quando grita”, diz. “Ser forte é manter uma decisão que a sua inteligência identificou como correta para o bem. Eu quero que os homens sejam fortes: fortes diante da bebida, da pornografia, da traição. Fortes diante de um prato de comida exagerado, com muito além do que precisam para serem pessoas saudáveis e funcionais”, explica.

“Não esperava uma reação tão virulenta”

Cazarré mal conseguiu apresentar em detalhes a proposta do evento antes que começassem os ataques, muitos deles feitos por integrantes da própria classe artística, nos comentários de seu perfil no Instagram.

“Dizem que eu sabia que isso [reação negativa] ia acontecer e que eu busquei isso de propósito. Não é verdade. Eu sabia que ia ter alguma reação contrária, mas não imaginava que seria tão virulenta”, afirma.

Ao mesmo tempo, ele se diz surpreso pelo volume de apoio recebido. “Eu também não imaginava que a quantidade de apoio ia ser tão grande”, completa. Nos últimos cinco dias, o ator ganhou cerca de 500 mil novos seguidores no Instagram e recebeu diversas manifestações públicas de solidariedade.

Parte desse apoio veio também de colegas de profissão, mas de forma discreta. “Muita gente, do meio também, me manda mensagem dizendo ‘fica firme, é isso aí’, mas no privado, no WhatsApp”, relata.

“Mas confesso que não tem como não ficar chateado. Essas pessoas que me atacam me conhecem. O meio me conhece. Eu estou nele há 20 anos e todos conhecem a minha conduta.”

“Sou um cara normal, que se diverte com todo mundo, que trata bem as pessoas. Procuro ser gentil e generoso em cena. Coisa que muita gente não é, sabe”, diz. “E ficam criando essa caricatura de que sou o cara que anda por aí falando grosso, um estereótipo de machão. Estou tentando promover iniciativas que acredito que serão boas para a sociedade. A sociedade precisa de homens mais fortes, com mais autocontrole e saudáveis mentalmente”.

“O contato de uma criança com o pai é insubstituível”

Na infância, Cazarré acompanhava a mãe, espírita kardecista, nas atividades religiosas e também teve sólida formação católica. Mais velho, se aproximou do Candomblé, da Umbanda e do Budismo Tibetano, mas não chegou a viver intensamente nenhuma das práticas. A conversão ao catolicismo, no entanto, aconteceu de forma mais profunda quando se preparava para fazer Jesus Cristo na Paixão. A leitura dos evangelhos o comoveu e transformou sua forma de enxergar a vida e as tarefas cotidianas.

Depois da conversão dele e da esposa, Letícia Cazarré, a família cresceu. O casal teve mais quatro filhos e ainda deseja ter outros. A paternidade, então, passou a ocupar um espaço central em sua vida, o que motivou o ator a usar sua visibilidade pública para defender a importância da presença paterna.

“É fundamental que as crianças tenham a figura do pai. Mesmo quando o casal se separa, é uma verdade autoevidente, pelos dados que temos, que o contato com o pai é insubstituível”, afirma.

Dados do Censo de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que há 7,8 milhões de mulheres que criam filhos sem a presença paterna no Brasil. São 2,6 milhões a mais do que em 2000. A ausência do pai está associada a maior risco de envolvimento com o crime na adolescência, segundo uma revisão de pesquisas publicada pela revista Psychology, Crime & Law em 2020.

“Pais que leem para os filhos na hora de dormir, por exemplo, dão a eles vantagens enormes ao longo da vida. Essas crianças aprendem a se comunicar melhor, a compreender melhor e, consequentemente, ficam mais inteligentes. Esse evento existe também para espalhar a mensagem de que é preciso cuidar dos filhos”, conclui.



Fonte. Gazeta do Povo

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