Após a illycaffè registrar em 2025 um lucro líquido 41% menor do que o ano anterior, o presidente da companhia, Andrea Illy, disse nesta quinta-feira (7) que, em 2026, a rentabilidade será normalizada.
A empresa fechou 2025 com receita de 700 milhões de euros, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, descontando a variação cambial do período. Mas o lucro líquido foi de 20 milhões de euros, ante 33 milhões de euros em 2024.
“A média dos preços do ano passado foi mais de três vezes o custo histórico”, diz. “É preciso um período breve de adaptação para absorver aumento de custos, otimizar outros custos operacionais, aumentar preços pelo mercado, negociar, etc. Isso é a causa de leve –porque afinal foi uma leve diminuição– de profitabilidade [SIC] no ano que fechamos. Este ano o custo do café é maior que a média do ano passado, mas a rentabilidade vai ser normalizada”, afirma.
Para a próxima safra, Andrea, que concedeu entrevista coletiva em São Paulo, diz esperar que a colheita seja o suficiente apenas para cobrir o consumo corrente –talvez com uma pequena sobra. Logo, não será o bastante para suprir os baixos estoques que a indústria acumula após uma sequência de anos com colheitas menores. Com isso, é difícil vislumbrar uma queda nos preços para o consumidor final.
O executivo comentou ainda a compra da Capitani, empresa especializada em fabricação de máquinas de café em cápsula. Apesar da aquisição, Andrea evitou afirmar que pretende, com o movimento, expandir sua presença no segmento e que seria um “suicídio” responder de maneira mais forte à Nespresso.
“Primeiro, a Itália não é um dos países mais competitivos. A Suíça [país sede da Nespresso] é o primeiro ou o segundo [em competitividade]. Depois, a marca que você mencionou [Nespresso] faz parte da maior indústria alimentícia do mundo [Nestlé], super capitalizada, super rica, que investiu recursos infinitos para o desenvolvimento da marca que você mencionou. Assim, seria para nós um suicídio tentar responder de uma maneira mais forte”, diz Andrea.
Questionado sobre aspectos geopolíticos, Andrea afirmou que questões como o tarifaço de Donald Trump e as guerras pelo mundo têm impacto limitado nos negócios da Illy. “Nós temos uma vantagem que a Europa é um mercado que tem um grande potencial intrínseco”, diz.
O empresário voltou a defender a adoção de agricultura regenerativa, ainda que a empresa não pague um prêmio específico para cafeicultores que adotem práticas regenerativas –em geral, a companhia paga um preço que é 30% acima do valor de mercado para todos os seus fornecedores, diz Andrea.
Em sua visita ao Brasil, o executivo disse que observou três coisas nas lavouras do país. “Uma é que a agricultura regenerativa, em menos de dez anos, se tornou universal, pelo menos em Minas Gerais”, diz. “Observamos também que este ano vai ter uma colheita mais abundante, por causa do ciclo de alta e também por causa de melhores condições climáticas. A terceira coisa que observamos foi um maior número de novas lavouras”.
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Fonte.:Folha de São Paulo


