10:15 PM
24 de julho de 2026

Invocada para criminalizar a misoginia, alta de feminicídios é enganosa

Invocada para criminalizar a misoginia, alta de feminicídios é enganosa

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As estatísticas apontando número recorde de feminicídios no Brasil em 2025 são enganosas e provavelmente refletem mudança na classificação dos crimes, mais do que um crescimento real dos casos, afirmam especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo

Os especialistas apontam para a queda no número total de mulheres assassinadas — estatística que inclui tanto os feminicídios quanto os homicídios comuns contra mulheres — como indício de que o que estaria acontecendo seria uma tendência de reclassificação dos crimes de uma categoria para outra, e não um aumento dos casos de feminicídio realmente ocorridos.

O feminicídio é definido em lei como o ato de “matar mulher por razões da condição do sexo feminino”. Também por determinação legal, essa situação é caracterizada quando o crime envolve “menosprezo ou discriminação à condição de mulher” ou, ainda, quando envolve “violência doméstica e familiar”. Assassinatos de mulheres que não se enquadrem nessas condições continuam sendo classificados como homicídios.

Estatísticas enganosas vêm embasando projetos de lei 

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado na quinta-feira (23), registrou um aumento de 4% no número de feminicídios registrados em 2025 em relação ao ano anterior, de 1.504 casos para 1.571.