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- Author, Margarita Rodríguez
- Role, BBC News Mundo
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“O mundo persa é responsável por muitas das ideias que temos no Ocidente”, afirma o professor José Cutillas, que estudou e lecionou no Irã.
“Do nosso ponto de vista, achamos que tudo é eurocêntrico, que tudo tem sua origem no mundo greco-latino e que ali se deu o pontapé de saída de todas as ideias”, explica o professor de Língua Persa e Cultura Iraniana da Universidade de Alicante, na Espanha.
Mas, no período persa pré-islâmico, surgiram conceitos aos quais “estamos muito acostumados. Existe uma infinidade de elementos provenientes desse mundo dos quais nos apropriamos”.
Quando estudamos como as sociedades europeias foram se estruturando em nível político e administrativo, por exemplo, encontramos características claramente estabelecidas no gigantesco Império Persa aquemênida (550 a.C-330 a.C.).
No setor religioso, o monoteísmo estava presente no antigo Irã há cerca de 3,5 mil anos, quando Zaratustra fundou o zoroastrismo.
“Os conceitos de anjos, profetas, encontramos no zoroastrismo”, segundo o acadêmico, da mesma forma que de céu e inferno.
Para o historiador Tom Holland, “a Pérsia é, pelo menos, tão influente na história mundial quanto Atenas, se não mais”.
O escritor participou da palestra intitulada What Have the Persians Ever Done For Us? (“O que os persas já fizeram por nós?”, em tradução livre), organizada pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres e pela Sociedade Iraniana britânica.
Ele contou que o historiador grego Heródoto (485 a.C.- 425 a.C.), conhecido como o pai da história no Ocidente, era admirador dos persas.
“Ele tem uma frase famosa que diz que os persas ensinam três coisas: disparar com o arco, montar a cavalo e dizer a verdade”.
Para os reis do Império Persa, a verdade estava imersa em “uma grande batalha cósmica” contra a mentira, como a luz contra a escuridão, o bem contra o mal.
Prepare-se para uma viagem fascinante pela Pérsia, antes e depois do Islã, com oito contribuições da sua cultura milenar.
1. Vestir calças
Entre 5 mil e 2 mil anos atrás, homens de diferentes civilizações vestiam saias: sumérios, assírios e gregos, segundo o Instituto Arqueológico Alemão no documentário The Invention of the Trousers (“A invenção das calças”, em tradução livre).
Os romanos, por exemplo, iam para a guerra com as pernas descobertas e uma túnica.
Definir exatamente onde e quando foram inventadas as calças é algo extremamente complexo.
Mas muitos especialistas acreditam que povos nômades se envolveram no seu desenvolvimento, como os citas, de origem iraniana, que floresceram nas estepes euroasiáticas.

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“Perto do ano 600 a.C., na arte grega, as calças se tornaram símbolos dos arqueiros estrangeiros, especialmente citas, persas e amazonas”, escreveu Adrienne Mayor no artigo Who Invented Trousers? (“Quem inventou as calças?”, em tradução livre), publicado pela revista Natural History.
Vasos gregos mostram guerreiras e a maioria delas “veste túnicas e calças similares às dos homens citas”, destaca a historiadora.

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Segundo o Museu Arqueológico da Grécia, Heródoto contou que os persas “usavam gorros soltos na cabeça”, túnicas com mangas e “calças”.
Eles usavam calças devido à sua ascendência, segundo o professor Lloyd Llewellyn-Jones, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, no vídeo do Museu Britânico Persia and Greece — Objects in Focus: Oxus Treasure Figures (“Pérsia e Grécia — objetos em foco: figuras do tesouro de Oxus”, em tradução livre).
“Os persas são originários das estepes da Eurásia e eram nômades, que montavam a cavalo”, explica o professor.
Esta atividade era fundamental na sua vida. E, para proteger o corpo e para comodidade ao percorrer longas distâncias, eles vestiam calças.

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É muito possível que os persas tenham ajudado a propagar esta peça de roupa.
Em persa, existe uma palavra que significa “cobertura de pernas”: pā[y]ǧāme.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o dicionário de espanhol da Real Academia Espanhola (RAE), dessa palavra saiu outra em hindi, pā[e]ǧāma, e, dela, outra em inglês e francês: pyjamas.
No sentido de “roupa para dormir”, pyjamas se popularizou no final do século 19, quando os britânicos viram os habitantes da Índia vestirem blusas e calças folgadas.
E foi daí que surgiu em português e espanhol a palavra “pijama”.
2. A ‘primeira’ declaração sobre o direito dos povos de viverem em liberdade
Em setembro do ano passado, durante uma conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foi apresentada uma iniciativa para fomentar os princípios apresentados em um objeto de mais de 2,5 mil anos atrás.
Conhecido como o Cilindro de Ciro, trata-se de uma peça de argila onde foram gravadas, em escrita cuneiforme, as reformas de um rei persa que “muitos especialistas consideram a primeira declaração dos direitos humanos conhecida”.
O ano era 539 a.C. E Ciro, o Grande (c.600 a.C.-530 a.C.), acabava de conquistar a Babilônia e viria a liderar o primeiro grande império mundial.

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Ciro não só deu a liberdade aos cativos escravizados, como também permitiu que eles voltassem às suas terras. Ele respeitou as tradições e religiões de dezenas de comunidades étnicas.
O ex-diretor do Museu Britânico Neil MacGregor recorda, na palestra TED Talk 2600 Years of History in One Object (“2600 anos de história em um objeto”, em tradução livre), que a entrada de Ciro “sem luta” em Babilônia foi “um grande momento da história do povo judeu”.
Graças ao rei persa, os judeus puderam regressar a Jerusalém, que havia sido saqueada pelos babilônios.

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O império liderado por Ciro foi “o primeiro Estado multicultural e multirreligioso em larga escala”, uma potência que atingiu 200 anos de estabilidade.
O legado de Ciro chegou à Europa, onde foi tomado como exemplo.
O historiador grego Xenofonte (c.430 a.C.-354 a.C.) escreveu um livro sobre Ciro, que “foi um dos grandes textos que inspiraram os pais fundadores da revolução americana”, conta MacGregor.
“Este objeto é uma das grandes declarações da aspiração humana. Ele aparece na Constituição dos Estados Unidos. Sem dúvida, ele diz muito mais sobre as liberdades reais do que a Magna Carta”, assinada pelo rei João da Inglaterra, em 1215.
O Cilindro de Ciro, hoje, nos recorda o “direito dos povos de viverem juntos no mesmo Estado, com diferentes credos, em liberdade”.
3. Os jardins e o paraíso
“A razão por que a maioria das casas tem um jardim ou pátio, provavelmente, se deve aos persas”, segundo Jonny Thomson no artigo Five Ways Ancient Persia Shaped our Modern World (“Cinco formas em que a Pérsia antiga moldou nosso mundo moderno”, em tradução livre), publicado pelo portal Big Think.
O filósofo destaca que, embora os egípcios tivessem oásis e os babilônios, os Jardins Suspensos, foram os persas que popularizaram os jardins.
Eles não eram apenas espaços para desfrute dos governantes, mas para o restante da população, na busca de harmonia com o cosmos.

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“Caracterizado pela sua divisão em quatro setores e pela onipresença da água como elemento de irrigação e ornamentação, o Jardim Persa foi concebido como símbolo do Éden e dos quatro elementos zoroástricos: céu, terra, água e o mundo vegetal”, destaca a organização.
A associação do jardim com um paraíso na terra leva à origem da palavra.
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra “paraíso” provém do latim paradisus (“jardim próximo à casa”), que se originou do grego parádeisos, (“jardim, parque dos nobres e reis persas”).
Já os gregos tomaram esta palavra de pairidaēza, do idioma avéstico (um dialeto do iraniano antigo), que fazia alusão aos jardins reais, segundo o Dicionário da Língua Espanhola da RAE.

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Além da etimologia, a Unesco destaca como o jardim persa foi “a principal referência para o desenvolvimento do projeto de jardins na Ásia ocidental, nos países árabes e mesmo na Europa”.
“A geometria e a simetria da arquitetura, ao lado do complexo sistema de gestão da água, parecem ter influenciado o projeto de todos estes jardins.”
4. Serviço postal formal
Thomson conta que os egípcios e assírios mantiveram serviços de mensageiros, mas foram os persas que deram ao mundo “a primeira rede de entregadores e agências postais”.
Na época, o império era liderado por Dario 1° (550 a.C.-486 a.C.), que chegou ao poder no ano 521 a.C.
O acadêmico conta que os mensageiros percorriam longas distâncias a cavalo e chegavam a locais determinados para descansar.

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Na manhã seguinte, eles comiam, pegavam outro cavalo e prosseguiam seu caminho.
“Era muito mais rápido, mais seguro e muito mais eficaz do que qualquer sistema anterior”, explica o professor.
Cutillas nos recorda a vastidão do Império Persa, que chegou a se espalhar por três continentes.
“Para se comunicar, eles precisaram inventar o correio. Era a forma de ter todas as regiões do império conectadas e isso chegou até os nossos dias.”
5. Seus famosos tapetes
Em 1929, uma descoberta deslumbrou os arqueólogos.
Após uma escavação na Sibéria, eles encontraram túmulos com corpos mumificados, um carro fúnebre e diversos objetos com quase 2,5 mil anos de idade.
“Na sua superfície quase quadrada (cerca de 2 x 2 metros), estão representados cavalos e cavaleiros, cervos pastando, grifos e plantas estilizadas”, descreve ela.
“Este tapete, o mais antigo do mundo do gênero, desperta justa admiração pela habilidade dos tecedores iranianos.”

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Segundo seu artigo, publicado no Correio da Unesco, é possível que os nômades daquela região trocassem gado e metais preciosos por tapetes e roupas de lã “confeccionadas no estilo característico do Irã”, que chegavam pela Ásia central.
É muito difícil especificar quando e onde nasceu o tapete, mas tudo indica que seu desenvolvimento se deu em uma ampla região conhecida como o cinturão dos tapetes, que cobre a Ásia central e o Oriente Médio, incluindo o território onde hoje fica o Irã, segundo a professora Margaret Squires, do Instituto de Arte Courtauld, em Londres.
“A arte de tecer tapetes tem pelo menos 2,5 mil anos, provavelmente muito mais”, destaca ela à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC). Mas, independentemente de onde a arte terá nascido, o Irã foi fundamental para o seu desenvolvimento.
“Sem dúvida, o tapete persa é a exportação cultural iraniana mais reconhecida em todo o mundo. Ele remonta ao século 16, quando era usado como presente diplomático durante o período safávida [1501-1736]”, explica a professora.

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Alguns tapetes foram objetos de luxo. Magistralmente desenhados por artistas e tecidos à mão, eles serviram de presentes para reis e instituições religiosas.
Com o passar dos séculos, os tapetes persas se transformaram em mercadoria e em manifestação artística reconhecida internacionalmente.
“Em um contexto ocidental, cristão, esta ideia de que os tapetes marcam um espaço se materializaram vividamente ao se colocar um tapete persa embaixo do caixão papal, durante o enterro dos três últimos papas”, prossegue Squires. “Ele marcou um espaço sagrado.”

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E não é algo novo. Os tapetes persas são encontrados em recintos religiosos desde o século 14, segundo a pesquisadora.
“Ele esteve em igrejas católicas de muitos países e já vi tapetes persas no pé do altar”, conta Squires. “Estamos tão acostumados a vê-los no nosso dia a dia que não percebemos suas conexões culturais.”
6. Enciclopédia médica monumental
Em 1913, O médico canadense William Osler (1849-1919), considerado o pai da medicina moderna, ministrou algumas conferências intituladas A Evolução da Medicina Moderna, na Universidade Yale, nos Estados Unidos.
Osler falou sobre “um dos nomes mais importantes da história da medicina”: Ibn Sina (c. 980-1037), conhecido no Ocidente como Avicena.
“Ele é o autor do livro de medicina mais famoso escrito até hoje”, conta ele. “Pode-se afirmar com certeza que o Cânone permaneceu como bíblia médica por mais tempo que qualquer outra obra.”
Osler se referia a O Cânone da Medicina, uma enciclopédia em cinco volumes que o médico persa, um gigante da era de ouro do Islã, começou a escrever em 1012.

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Avicena resumiu nessa obra o conhecimento de fontes gregas, romanas, indianas, persas, islâmicas e incluiu suas próprias observações e experimentos.
Seu Cânone foi fundamental para o ensino da Medicina nas universidades europeias, “especialmente durante o Renascimento”, segundo a Universidade de Nova York, nos Estados Unidos.
“Mesmo com o auge da anatomia e as novas descobertas científicas, o Cânone continuou sendo estudado, o que reflete sua profunda integração à medicina acadêmica.”
As faculdades de Medicina europeias adotaram a obra até meados do século 17. Na Universidade de Pádua, na Itália, ela chegou a ser utilizada até 1715.
Dois outros eruditos persas, Al-Razi (865-925) e Al-Majusi (930-994), também escreveram textos médicos considerados magistrais. Mas os especialistas destacam o método científico de Avicena, adotado no Cânone, como claro e sistemático.

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O pensamento de Avicena era tão vasto que há quem considere que sua influência mais transcendental se deu na filosofia.
Para Tony Street, professor emérito da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Avicena, no final da vida, “havia suplantado Aristóteles como o filósofo mais importante de todos os tempos, pelo menos para os eruditos muçulmanos”.
E tudo começou quando ele era adolescente. Depois de curar um sultão, Avicena ganhou acesso à majestosa biblioteca dos samânidas (819-999), uma dinastia iraniana que promoveu a educação.
7. Equações cúbicas
É muito possível que você já tenha ouvido falar de Al-Khwarizmi (c.780-c.850), conhecido como o pai da álgebra.
Foi graças a um livro deste matemático persa que o Ocidente conheceu o sistema numérico indo-arábico.
Ao lado da vírgula decimal, ele é a base dos números que utilizamos hoje em dia. Tanto é verdade que o nome de Al-Khwarizmi deu origem à palavra algarismo.
Al-Khwarizmi emigrou da Pérsia oriental para Bagdá, hoje capital do Iraque. Ali, ele dirigiu a Casa da Sabedoria, uma academia extraordinária fundada durante a era de ouro do Islã.
Outro eminente matemático daquele período foi Omar Khayyam (1048-1131), natural de Nishapur, um centro intelectual iraniano.

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“Omar Khayyam e a ciência e a matemática persa em geral sofreram profunda influência de todo o desenvolvimento que ocorria no mundo árabe”, declarou à BBC News Mundo o professor de Matemática Marcus du Sautoy, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
“Khayyam foi um dos pioneiros no uso da álgebra, a nova linguagem matemática introduzida pela Casa da Sabedoria e por Al-Khwarizmi, que nos ajudou a entender como os números funcionam”, explica o professor.
Com seu revolucionário Tratado de Álgebra, Khayyam ampliou este campo para as equações cúbicas, relacionadas a problemas envolvendo volumes e figuras tridimensionais.
Para ele, a álgebra era o caminho para solucionar problemas de geometria e aritmética. Khayyam chegou a identificar 14 tipos diferentes de equações cúbicas e ofereceu métodos para resolver algumas delas.

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Há quem atribua a Khayyam ter sido o primeiro a apresentar uma teoria geral das equações cúbicas e a realizar uma pesquisa científica sistemática a este respeito.
“Omar Khayyam foi original ao resolver este tipo de equação quando não havia um procedimento para fazê-lo”, explica o professor de Matemática Alfonso J. Población, da Universidade de Valladolid, na Espanha.
Foi apenas no século 16, 500 anos depois, que houve progresso neste campo na Europa.
Quando você observar x³ em uma equação, talvez se lembre de Khayyam. Esta incógnita ao cubo aparece em uma infinidade de problemas em diversos setores, como a economia, a engenharia, a computação e muitos outros.
Até ao observar um almanaque você poderá evocar o matemático. Seus cálculos ajudaram a conceber o calendário persa, considerado um dos mais precisos da história — muito acima do gregoriano.
É possível que você tenha conhecido Khayyam através de algum dos seus poemas. Muitas pessoas no Ocidente conhecem o matemático pela sua obra Rubaiyat.
8. Superalimento
O espinafre foi cultivado pela primeira vez na Pérsia, mais de 2 mil anos atrás.
Acredita-se que os chineses consumissem a verdura no século 6 e que, perto do século 11, os árabes a tenham levado para a Espanha, segundo a Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
“No século 14, o espinafre já havia se espalhado para o resto da Europa e chegou à América com os primeiros colonos.”
A palavra espinafre provém do árabe isbānaẖ ou isfānaẖ, que surgiu do persa espenāẖ.
E, se você preparar um delicioso escabeche de espinafre, lembre-se de que esta palavra também tem origem persa (sekbā).

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Preciso encerrar esta reportagem porque, só de pensar na comida iraniana, fiquei com fome. Mas não posso deixar de mencionar um alimento para o espírito que encanta gerações de iranianos e estrangeiros há séculos: a poesia do país.
Versos do poeta iraniano Saadi (1210-1291) foram bordados em um tapete persa que está na sede das Nações Unidas. O poeta mereceu a admiração de Voltaire, Goethe e Victor Hugo.
A tradução em português abaixo é baseada na versão em espanhol publicada pela Embaixada iraniana no México:
“Os seres humanos são membros de um mesmo corpo
Criados de uma mesma essência e alma
Os demais não podem permanecer tranquilos
Se você não sente compaixão pelo sofrimento humano
Não merece ser chamado de ser humano.”
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


