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12 de maio de 2026

James Webb: exoplaneta pode ter semelhança com Mercúrio – 12/05/2026 – Ciência

James Webb: exoplaneta pode ter semelhança com Mercúrio – 12/05/2026 – Ciência

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Astrônomos conseguiram obter a visão mais nítida da superfície de um exoplaneta —um planeta fora do nosso Sistema Solar— graças ao telescópio James Webb, da Nasa. A descoberta é descrita em um estudo que saiu no dia 4 deste mês na revista Nature Astronomy.

Ele foi batizado de LHS 3844 b, ou Kua’kua, palavra que significa borboleta em uma língua indígena falada na Costa Rica. Ele orbita uma estrela menor e menos luminosa que o Sol, localizada a cerca de 49 anos-luz da Terra —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de quilômetros.

O exoplaneta rochoso tem um diâmetro cerca de 30% maior que o da Terra e sua superfície pode se assemelhar à de Mercúrio, o planeta mais interno do nosso Sistema Solar. A ausência de uma atmosfera detectável e as suas temperaturas extremas —escaldantes de um lado e gélidas do outro— parecem torná-lo inabitável.

“Este planeta não é um lugar agradável”, disse a astrônoma Laura Kreidberg, diretora-geral do Instituto Max Planck de Astronomia na Alemanha e autora do estudo.

“É uma rocha infernal e estéril, muito mais parecida com Mercúrio do que com a Terra”, continuou ela. “Não há nenhum vestígio de atmosfera. Em vez disso, estamos vendo uma superfície escura, provavelmente antiga. Imagine uma rocha nua vagando pelo espaço por bilhões de anos. Você não ia querer ir para lá.”

As observações sugerem uma superfície planetária antiga coberta por regolito escurecido —material rochoso solto e fragmentado que cobre a rocha sólida, formado por eras de bombardeio contínuo de radiação estelar e impactos de micrometeoritos.

Lançado em 2021, o James Webb entrou em operação em 2022. O telescópio espacial tem contribuído para avanços na compreensão dos exoplanetas. Sua robusta capacidade de observação infravermelha já ajudou a discernir a composição química e a dinâmica interna das atmosferas de exoplanetas, revelando até mesmo que tipos de nuvens presentes.

O telescópio possibilita que astrônomos estudem diretamente a geologia e a composição da superfície de exoplanetas, segundo o astrônomo e coautor do estudo Sebastian Zieba, do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, em Massachusetts (Estados Unidos).

“Isso era muito desafiador antes do James Webb. Portanto, isso também põe a Terra e o Sistema Solar como um todo em um contexto mais amplo, permitindo-nos verificar se processos ou composições de superfície familiares dentro do sistema solar são comuns ao redor de outras estrelas também”, afirmou Zieba.

“É como se tivéssemos limpado nossos óculos de repente e pudéssemos ver os planetas claramente pela primeira vez”, acrescentou Kreidberg.

A estrela que Kua’kua orbita é de um tipo comum chamado anã vermelha. Sua massa equivale a cerca de 15% da massa do Sol e sua luminosidade, a 0,3%.

O exoplaneta está localizado extremamente próximo da estrela, completando uma órbita a cada 11 horas. Uma face dele sempre está voltada para a estrela e o outra, para o lado oposto, assim como a Lua em relação à Terra.

A superfície do “lado diurno” do planeta apresenta uma temperatura estimada em cerca de 725 graus Celsius. Não foi detectado calor no “lado noturno”.

O James Webb permitiu que os pesquisadores detectassem luz —especificamente na região infravermelha do espectro eletromagnético— vinda diretamente da superfície do exoplaneta.

“Rochas diferentes têm assinaturas espectrais diferentes, assim como as atmosferas. Rochas vulcânicas escuras como o basalto corresponderam muito melhor às nossas observações do que rochas mais claras e ricas em sílica, como o granito”, explicou Zieba.

As superfícies de Mercúrio e da Lua são dominadas por basalto.

“Na Terra, a formação generalizada de granito está ligada à água e às placas tectônicas”, disse Zieba, referindo-se ao processo geológico em nosso planeta que envolve o movimento gradual das imensas placas que compõem a superfície terrestre. “Então, se você identificasse de forma robusta superfícies semelhantes ao granito em um exoplaneta, isso não significaria [automaticamente] vida, mas sugeriria uma história geológica muito mais parecida com a da Terra em comparação com outras superfícies.”

Outra possibilidade que correspondia às observações era uma superfície sólida de rocha vulcânica relativamente recente, mas os pesquisadores procuraram por gases relacionados ao vulcanismo, como dióxido de enxofre, e não encontraram nenhum.

Sem atmosfera, há pouca proteção contra a radiação estelar ou partículas carregadas da estrela e nenhuma chance de água líquida, considerada fundamental para a vida. “Então, no geral, está quase certo que não é um mundo habitável”, afirmou Zieba.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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