10:13 PM
25 de julho de 2026

Leis criadas para proteger o cidadão viram escudo para blindar o poder público

Leis criadas para proteger o cidadão viram escudo para blindar o poder público

PUBLICIDADE



Assim como acontece em tantas situações no Brasil, a Lei de Acesso à Informação (LAI) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) têm tido seus objetivos originais deturpados quando o assunto é o acesso a informações de interesse público.

A Lei de Acesso à Informação (LAI), promulgada em 2011 e considerada um marco da transparência pública no Brasil, tem sido alvo de interpretações que extrapolam seu propósito original. Entre os dispositivos mais controversos está o artigo 31, que protege dados pessoais e prevê, em casos específicos, restrição de acesso por até 100 anos — o chamado “sigilo de 100 anos” —, utilizado, em alguns casos, como instrumento de blindagem política. 

Já a LGPD, criada para proteger o cidadão do uso abusivo de seus dados, tem sido usada contra a população para proteger o Estado, em um desvio de finalidade com aparência de legalidade. O artigo 23, que vincula o tratamento de dados pelo poder público à Lei de Acesso à Informação, também passou a ser invocado para justificar restrições ao acesso a informações públicas.

Em 2025, quase 39% dos pedidos de acesso à informação negados pelo governo federal tiveram como justificativa a existência de sigilo, conforme noticiou a Gazeta Povo. A reportagem também aponta que, desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a média de negativas subiu de 27,3%, registrada durante a gestão Jair Bolsonaro, para 32,2%. Os números contrastam com a promessa de campanha de Lula de ampliar a transparência da administração pública.