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2 de junho de 2026

Monges de Pinheirinho: como movimento messiânico no Rio Grande do Sul acabou em massacre esquecido

Monges de Pinheirinho: como movimento messiânico no Rio Grande do Sul acabou em massacre esquecido

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A única imagem atribuída a Monge Chico

Crédito, Domínio Público

Legenda da foto, A única imagem atribuída a Monge Chico anos depois foi identificada como do mítico monge João Maria, curandeiro que viveu entre Paraná e Santa Catarina, entre 1886 e 1905, anos depois do conflito no Taquari

    • Author, André Vargas
    • Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
  • Published

  • Tempo de leitura: 9 min

Dono de um hotel na vila de Encantado (RS), em maio de 1902 João Ferri se recuperava de ferimentos sofridos em um ataque que lhe custara um naco da orelha direita e cortes pelo corpo. Ele havia perdido dois amigos e outros três estavam feridos, um deles gravemente.

Ainda com dores, recebeu um embrulho com um “presente” e um bilhete: “Para substituir a que perdeste”. A mutilação vinha de um homem abatido a tiros de fuzil pela Brigada Militar no dia anterior, quase no final da Guerra de Pinheirinho, uma represália que virou massacre de pelo menos 28 pessoas no Vale do Alto Taquari, no sopé da Serra Gaúcha.

A brincadeira macabra se tornou lendária na comunidade e ilustra um confronto alimentado por medo, preconceito religioso e impiedosa reação policial. Apesar de descendentes dos envolvidos de ambos os lados ainda viverem na região, o episódio caiu no esquecimento após 124 anos, citado quase só em trabalhos historiográficos.

Grande parte do registro nasceu do livro Os Monges de Pinheirinho, de 1975, do historiador local Gino Ferri (1922-2016). A partir de meados dos anos 1960 ele entrevistou alguns dos envelhecidos participantes. Quase todos entre os vencedores, como o autor lamentaria décadas depois da publicação. “Naquela época eu sabia muito pouco sobre o outro lado”, comentou Ferri no início dos anos 2000.

Tudo começou com a presença incômoda e provocativa de miseráveis que abriram roçados e ergueram palhoças em uma terra sem dono às margens do rio Taquari, hoje dentro dos limites de Roca Sales. O grupo contava com uns 60 desgarrados, incluídas mulheres e crianças.



Fonte.:BBC NEWS BRASIL

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