9:35 AM
13 de agosto de 2026

Não monitorei Dino, e decisão de Moraes prejudica toda a imprensa, diz jornalista alvo no Maranhão

Não monitorei Dino, e decisão de Moraes prejudica toda a imprensa, diz jornalista alvo no Maranhão

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(FOLHAPRESS) – Principal alvo de um inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes sobre a obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino, o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, 40, nega ter cometido irregularidades e afirma que não monitorou o integrante do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus familiares.

Ele teve seu computador e celular apreendidos em março pela Polícia Federal. O órgão acessou as conversas dele com informantes, que foram alvos de busca e apreensão nesta terça-feira (11).

“Estão tentando me destruir profissionalmente, porque diante da revelação da minha fonte a nível nacional, quem é a pessoa que daqui para a frente vai querer falar comigo ou me passar informação?”, questiona Luís Pablo em entrevista à reportagem.

Os textos que ele publica desde 2011 no blog Luís Pablo, apresentado como “jornalismo independente que incomoda o poder”, tratavam do suposto uso irregular de carros do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) e do governo do estado por Dino.

Para ele, a decisão de Moraes é um “precedente grave a todos os jornalistas do país, que estão à mercê de ser alvo de uma operação como a que aconteceu comigo”.

Luís Pablo também nega ter sido pago para divulgar reportagens e diz que a quantia de R$ 100 mil citada em investigação da PF se refere ao empréstimo de um amigo.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Dino enviou duas notas antigas do ministro e uma do Tribunal de Justiça do Maranhão negando irregularidades. Elas afirmam que veículos de segurança são utilizados pelo STF, em colaboração com os tribunais, com base em normas da corte e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A assessoria de Dino diz que “jamais houve uso irregular de veículo oficial” do TJ-MA e que “um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país”. O ministro afirma ter pedido a ampliação das medidas de segurança para ele e sua família.

Entidades de jornalismo criticaram a decisão de Moraes e afirmam que casos do tipo podem resultar em intimidação do trabalho da imprensa.
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PERGUNTA – O que era mostrado nas reportagens que motivaram essas medidas judiciais?
LUÍS PABLO – O uso irregular do veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por parte dos familiares do ministro Flávio Dino. Era irregular porque não havia nenhuma sessão administrativa do STF para o Tribunal de Justiça concedendo o veículo para ele.

O que havia era um documento solicitando apenas apoio de segurança para o ministro. Só após as minhas reportagens é que o STF encaminhou um novo documento pedindo para ceder o veículo para o ministro.

P – O inquérito trata de uma suspeita de perseguição ao ministro e à família dele. Durante a elaboração da reportagem, houve perseguição a essas pessoas?
LP – Nunca procurei nenhum familiar, e nem o ministro Flávio Dino foi abordado por mim. Eu procurei de forma institucional por meio do seu email do gabinete e do STF, assim como também procurei por meio do email do Tribunal de Justiça pedindo esclarecimentos, e nenhum me respondeu.

P – Mas houve monitoramento durante a apuração da reportagem?
LP – Quando aconteceu a operação em março, fui acusado de estar monitorando Flávio Dino. Ontem [terça, 11], após nova decisão do ministro Alexandre de Moraes, ficou provado que eu em momento algum monitorei Dino. Após a revelação da minha fonte, ficou comprovado que recebi o material da fonte. Essa afirmação de que eu estava monitorando o ministro não existe.

P – Como foi o dia em que houve a busca e apreensão na sua casa, em março?
LP – Durou apenas dez minutos porque eles vieram diretamente buscar apenas meus equipamentos de trabalho. Em seguida foram embora.

P – E qual sua reação à época?
LP – Fiquei estarrecido, fiquei me sentindo intimidado diante de uma decisão que me deixou sem meus equipamentos de trabalho. Fiquei durante dias sem trabalhar, sem meus equipamentos. Eu me senti censurado diante dessa decisão.

P – Isso mudou de alguma forma a rotina de trabalho?
LP – Mudou completamente. Eu me sinto uma pessoa prejudicada profissionalmente. Estão tentando me destruir profissionalmente, porque diante da revelação da minha fonte a nível nacional, quem é a pessoa que daqui para a frente vai querer falar comigo ou me passar informação? Nenhuma. Como é que eu vou exercer o papel de jornalista sem ter a prerrogativa de não revelar minha fonte?

P – Dino disse que precisou reforçar a segurança dele e da família dele. A reportagem criava insegurança para o ministro?
LP – A matéria foi de interesse público, porque não investiguei a pessoa, investiguei o fato. E o fato é que o ministro estava usando um carro oficial do Tribunal de Justiça em que até o combustível é custeado pelos cofres públicos com cartão corporativo.

P – Em nota, o sr. disse que há “profunda preocupação” com o trabalho conduzido pela Polícia Federal nesse caso. Qual é essa preocupação?
LP – A preocupação é em relação ao relatório, que expõe uma questão que não condiz com a realidade sobre a aquisição de uma propriedade, e às reportagens que eu divulguei. Eu não recebi dinheiro para divulgar as reportagens. Eu fiz o meu papel como jornalista.

P – A investigação aponta suspeita de que houve um pagamento de R$ 100 mil a um terceiro para quitar um imóvel que o sr. tinha adquirido.
LP – Não existe relação nenhuma entre a aquisição do imóvel com as reportagens. Essa acusação é inverdade, é sem fundamento. A aquisição do imóvel foi mediante um empréstimo que o advogado fez para mim, ele é meu amigo pessoal. Eu não recebi nenhum dinheiro do advogado para publicar as reportagens.

P – O relatório diz que há indícios de que o sr. faz reportagens compradas. Qual sua posição sobre essa afirmação?
LP – Eu não recebi [dinheiro], reafirmo que não recebi, e não existe prova nas conversas que tive com o advogado que eu recebi dinheiro para divulgar reportagens contra Flávio Dino.

P – Associações de jornalismo criticaram as decisões de Alexandre de Moraes sobre o caso. O sr. tem recebido suporte?
LP – Fui procurado pelo Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, que divulgou nota junto com a Fenaj [Federação Nacional dos Jornalistas], e a Abraji [Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo] também me procurou. As demais se manifestaram em notas.

Peço que todas as entidades façam uma representação diante desse precedente muito grave, não só comigo, mas com todos os jornalistas do país, que estão à mercê de ser alvo de uma operação como a que aconteceu comigo.
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RAIO-X
Luís Pablo Conceição Almeida, 40, é nascido em São Luís e atua como jornalista desde 2011. É autor do blog Luís Pablo, no qual publica textos sobre polícia e Judiciário do Maranhão.

Moraes determina busca contra suposto informante de blogueiro que escreveu sobre Dino

Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim e Diogo Diniz Lima em investigação da Polícia Federal sobre obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino. Entidades de imprensa criticaram medidas que atingem o sigilo de fonte jornalística.

Folhapress | 06:25 – 12/08/2026



Fonte Noticias ao Minuto

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