10:09 PM
6 de maio de 2026

Navio de expedição enfrenta possível surto de hantavírus com mortes e transmissão humana

Navio de expedição enfrenta possível surto de hantavírus com mortes e transmissão humana

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Um possível surto de hantavírus a bordo do navio de expedição MV Hondius, no Oceano Atlântico, mobiliza autoridades sanitárias internacionais e mantém cerca de 150 pessoas sob monitoramento. Até o momento, três mortes foram registradas, e há ao menos sete casos identificados – dois confirmados e cinco sob investigação, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, e seguia rumo a Cabo Verde, na costa da África Ocidental. Atualmente, permanece sob controle sanitário, com operações de evacuação médica, triagem e isolamento em andamento.

Casos confirmados

Entre os desdobramentos mais recentes, foi confirmado que um passageiro diagnosticado com hantavírus recebeu atendimento em Zurique, na Suíça. Outros três pacientes com suspeita da doença foram retirados do navio e seguem para tratamento especializado na Holanda

 

As autoridades de saúde também identificaram que a cepa envolvida é a variante andina, a única conhecida com capacidade de transmissão entre humanos, ainda que de forma rara e associada a contato muito próximo. A convivência em cabines compartilhadas e o contato direto entre passageiros reforçam a hipótese de contágio interpessoal dentro do ambiente confinado do navio.

A origem do surto, no entanto, permanece indefinida. Especialistas consideram diferentes cenários: desde a eventual presença de roedores a bordo até a possibilidade de um passageiro já ter embarcado infectado. O período de incubação do vírus – que varia de uma a oito semanas – também permite que a infecção tenha ocorrido antes da viagem. Não se descarta ainda a atuação simultânea de múltiplas formas de transmissão, embora essa hipótese siga em investigação.

Para esclarecer a dinâmica do surto, equipes médicas e epidemiológicas analisam amostras ambientais do navio, incluindo sistemas de ventilação e superfícies.

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Sintomas e evolução da doença

O hantavírus é uma doença rara, normalmente associada ao contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A infecção em humanos ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas suspensas no ar.

Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e semelhantes aos de uma gripe: febre, fadiga, dores no corpo e calafrios. Em quadros mais graves, a doença pode evoluir rapidamente, comprometendo pulmões, rins ou o sistema cardiovascular.

Nas Américas, a forma mais comum é a síndrome pulmonar por hantavírus (SPH), que pode causar insuficiência respiratória severa. Em alguns casos, a taxa de mortalidade entre pacientes com complicações respiratórias se aproxima de 40%. Não há tratamento específico para a doença. O manejo clínico é baseado em hidratação, monitoramento e cuidados intensivos em casos graves.

Apesar da gravidade dos casos registrados na embarcação, a OMS reforça que o risco para a população em geral é considerado baixo. O hantavírus não apresenta o mesmo padrão de transmissão de doenças respiratórias altamente contagiosas, como a Covid-19.

A principal preocupação segue concentrada no ambiente do navio, onde o confinamento pode facilitar transmissões. Até o momento, não há recomendação de restrições a viagens internacionais.

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O que diz a operadora da embarcação

A Oceanwide Expeditions, responsável pelo navio, vem divulgando atualizações frequentes sobre a situação a bordo. Em seus comunicados mais recentes, a empresa confirmou a retirada de três passageiros para atendimento médico fora da embarcação, dois deles em estado grave.

Segundo a operadora, a assistência médica foi reforçada com a chegada de especialistas em doenças infecciosas enviados da Holanda, além da manutenção de protocolos rigorosos de isolamento entre passageiros e tripulantes.

Em relação aos casos confirmados, a Oceanwide afirmou que três infecções por hantavírus estão associadas à viagem, incluindo o passageiro que testou positivo após desembarcar e ser atendido na Suíça. A operadora também reforça que ainda não há confirmação de que todos os casos graves e mortes registrados estejam diretamente ligados ao vírus, o que segue sob investigação.

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Confira o comunicado divulgado no dia 6 de maio:

“Podemos confirmar que os três indivíduos anteriormente indicados como aguardando transferência médica desembarcaram com sucesso do MV Hondius e estão agora a caminho, em aeronaves equipadas para transporte médico, para locais capazes de fornecer cuidados especializados e exames médicos adequados. Dois dos indivíduos permanecem em estado grave. O terceiro, embora atualmente assintomático, teve contato próximo com o indivíduo que faleceu a bordo em 2 de maio de 2026. Os dois indivíduos sintomáticos não testaram positivo para hantavírus até o momento.

Em parceria com o RIVM (Instituto Holandês de Saúde Pública e Meio Ambiente), a Oceanwide Expeditions está ampliando o atendimento médico a bordo com dois médicos infectologistas, que chegam hoje de avião da Holanda. Isso garante que o atendimento médico ideal possa ser fornecido, se necessário, durante a próxima etapa desta situação em evolução.

Neste momento, o destino planejado para o MV Hondius são as Ilhas Canárias. A Oceanwide Expeditions permanece em contato próximo e contínuo com as autoridades competentes em relação ao ponto exato de chegada e aos procedimentos de quarentena e triagem para todos os passageiros. A cooperação continua com as autoridades locais e internacionais, incluindo a OMS, o RIVM, as embaixadas relevantes e o Ministério das Relações Exteriores da Holanda.

O Departamento Federal Suíço de Saúde Pública (FOPH) confirmou que um passageiro que viajou na primeira etapa da viagem (Ushuaia para Santa Helena, 1 a 24 de abril de 2026) testou positivo para hantavírus e está sendo tratado no Hospital Universitário de Zurique. Sua esposa, que o acompanhou, não apresentou sintomas, mas está em autoisolamento por precaução. Todos os passageiros presentes nesta viagem foram contatados pela Oceanwide Expeditions.

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Isso eleva o número total de casos confirmados de hantavírus associados a esta viagem para três:
Em 26 de abril, após o desembarque planejado, um hóspede faleceu durante o trajeto de volta para casa. Uma variante do hantavírus foi identificada neste paciente.

Em 27 de abril, um passageiro apresentou um quadro grave de doença e foi evacuado para a África do Sul por via aérea. Essa pessoa está atualmente internada na Unidade de Terapia Intensiva em Joanesburgo e encontra-se em estado crítico, porém estável. Uma variante do hantavírus foi identificada neste paciente.

Em 6 de maio, o Departamento Federal de Saúde Pública (FOPH) confirmou que um passageiro que viajou no primeiro trecho da viagem testou positivo para hantavírus e está sendo tratado no Hospital Universitário de Zurique.”

O navio permanece ancorado próximo a Cabo Verde, enquanto autoridades coordenam a retirada de passageiros e a definição do destino da embarcação. A tendência é que siga para as Ilhas Canárias, onde passageiros e tripulantes devem passar por triagem médica antes de serem repatriados.

Relatos a bordo

Em meio à incerteza, passageiros relatam um clima de apreensão, ainda que controlado. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o vlogger de viagens Jake Rosmarin, que está a bordo, descreveu a situação:

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“Nós não somos apenas uma história, nós não somos apenas manchetes. Somos pessoas, com famílias, com gente esperando por nós em casa. Há muita incerteza, e essa é a parte mais difícil.”

 

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Fonte.:Viagen

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