A forma mais tentadora (e, vá lá, inevitável) de se descrever um navio de cruzeiro é elencar a sua numeralha. No caso do novíssimo Norwegian Luna, falamos de 20 andares, 17 restaurantes, 18 bares, cinco piscinas, nove jacuzzis e capacidade para 3.565 hóspedes, entre outros tantos atrativos que jamais seriam zerados numa única viagem.
Não importa quão experiente seja o passageiro, impossível ficar indiferente ao topar com um titã desses ancorado e imaginar como esse misto de shopping center e resort consegue flutuar. E isso que o barco em questão nem é desses colossos que estão na moda na área, cada vez maiores.
Pelo contrário. A proposta do Luna é ser um pouco mais compacto e exclusivo —ou o tanto que é possível para o seu porte. O navio, que fez sua viagem de estreia no mês passado entre Miami e as Bahamas, é o mais novo integrante da classe Prima Plus, a mais elitizada da frota da Norwegian Cruise Line. Ao longo deste ano, a embarcação deve se concentrar no Caribe, fazendo rotas entre Flórida, República Dominicana, México e Bermudas, com pacotes de sete dias a partir de R$ 4.239.
Dois são os seus cartões de visita principais, digamos assim. Um deles é o Aqua Slidecoaster, um toboágua com cara de montanha-russa. Ele comporta até duas pessoas numa mesma boia, lançada em alta velocidade por escorregadores de dez andares. Dá até para fazer corrida com a dupla ao lado.
O outro é o musical “Elton”, em homenagem a Elton John. O espetáculo, encenado à noite no teatro de três andares do navio, empilha hits do cantor como “Tiny Dancer”, “I’m Still Standing” e “Don’t Let the Sun Go Down on Me” enquanto bailarinos fazem coreografias caprichadas em meio a plataformas e projeções. O fôlego deles impressiona.
A escolha do repertório do músico britânico vai de encontro à proposta do Norwegian Luna de ser um navio para todas as idades. “Quando pensamos num cruzeiro, temos de pensar que toda a família precisa se divertir, não apenas as crianças, os pais ou os avós”, diz Jovo Sekulovic, vice-presidente de operações hoteleiras da Norwegian.
De fato, na plateia até os mais novinhos cantavam os versos de “Your Song” e “Rocket Man”.
Enquanto o barco singra o mar do Caribe, adultos podem deixar a criançada na área de fliperama, no parque aquático infantil ou no Moon Climber, um percurso de obstáculos com vários níveis. O Glow Court é uma quadra que usa luzes de LED e pode virar pista para festinhas à noite. Já o Drop é um tobogã seco, um escorregador em queda livre que desliza em círculos.
Caso não queiram lagartear em alguma das banheiras de hidromassagem ou piscinas, incluindo as de borda infinita, adultos podem caminhar sob o mar no Oceanwalk, uma passarela com seu piso de vidro. Já o Mandara é o spa do navio, com sauna, academia, mais piscinas, suíte termal com cachoeira de dois andares e toda uma sorte de tratamentos que podem ser feitos com vista para o oceano.
O Luna também conta com o pacote básico de atrações de cruzeiro: um amplo cassino, um cardápio de aulas de dança, free shop (que só abre em águas internacionais) e quadras —com destaque para a de pickleball.
As 17 opções gastronômicas abarcam o Hudson’s, com seu amplo salão na popa do navio com janelões para o mar, o Indulge Food Hall, em que os pedidos são feitos num tablet, e o Surfside, com bufê requintado de itens frescos, que em nada lembra a comida com cara de xepa de muitos navios que aportam pelos lados de cá. Todos esses são boca livre, isto é, estão incluídos no pacote.
Já a comida nos restaurantes de especialidade é cobrada à parte. Incluem opção mediterrânea, mexicana, italiana, hambúrgueres, bistrô, sushi e por aí vai. No asiático Hasuki, os cozinheiros filipinos cantam enquanto assam a comida na chapa. Festivo e fumegante. Isso sem contar os 18 tipos de bares, que incluem pub, karaokê, wine bar, de coquetéis, enfim. Até unidade do Starbucks tem no Luna.
Quem põe o pé em terra firme também fica um pouco desnorteado com tanta opção, sobretudo se for descer em Great Stirrup Cay. Trata-se de uma ilha privativa nas Bahamas operada pela Norwegian. Em sua viagem inaugural, o barco saiu de Miami, aportou ali e depois voltou para a cidade da Flórida.
Com parte em obras, o local abriga também um menu de passatempos, que vão de piscina para crianças a circuito de tirolesa. Na área do Vibe Beach Club, criança não entra: ideia ali é que maiores de 18 anos possam deitar nas espreguiçadeiras, pedir um drinque e olhar o mar do Caribe. Ele é mesmo de turquesa tão translúcido, que até parece que alguém carregou no filtro do Instagram.
Um dos passeios que se pode fazer em Great Stirrup Cay é nadar com os porquinhos. Por US$ 95 por pessoa, a excursão leva a uma outra ilha onde os simpáticos suínos são criados na praia e ensinados a pegar onda com turistas apoiados em suas costas. Dá para pegar os filhotinhos no colo, tirar algumas fotos e dar fruta no espetinho para os bichos. Na volta para o navio, comer bacon causa remorso, é claro.
O Luna conta com 1.809 cabines. Aquelas viradas para o mar, com varanda, são espaçosas como uma suíte de hotel normal. O espaço chamado The Haven é um reduto à parte dentro do navio: ali, os quartos são ainda maiores, há mordomo 24 horas, piscina de borda infinita e bar, tudo privado para a turma hospedada ali, que tem até elevador próprio e dispõe de pelo menos R$ 21.300 por um pacote de sete dias. É como um cercadinho VIP dentro de um barco VIP.
Fonte.:Folha de S.Paulo


