A 320 km de Belo Horizonte, no sudoeste de Minas Gerais, a Serra da Canastra é um dos capítulos mais impressionantes da geografia brasileira. O nome vem do formato do chapadão, semelhante a um baú antigo, chamado de “canastra” pelos moradores do Cerrado. Em cima desse relevo tabular a 1.428 metros de altitude nasce o Rio São Francisco, no Chapadão do Zagaia, e apenas alguns quilômetros depois o Velho Chico despenca em queda livre de 186 metros na Cachoeira Casca D’Anta. A serra também é divisor natural das bacias do São Francisco, do Rio Paranaíba e do Rio Grande, guarda um dos últimos redutos do pato-mergulhão no Brasil e produz o Queijo Canastra, patrimônio cultural imaterial do país reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Uma serra que virou parque nacional depois de uma disputa fundiária
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado pelo Decreto nº 70.355, de 3 de abril de 1972. A intenção original era proteger 200 mil hectares, mas apenas 71.525 hectares foram efetivamente regularizados, com perímetro de 173 km. O território abrange seis municípios: São Roque de Minas, Capitólio, Vargem Bonita, São João Batista do Glória, Delfinópolis e Sacramento.
A implantação foi conturbada. A área desapropriada tinha dezenas de fazendas, algumas em cima das nascentes do Velho Chico, e os proprietários resistiram por dez anos, sendo retirados pela Polícia Federal em algumas propriedades. Alguns fazendeiros ainda discutem indenizações na Justiça até hoje. O parque é administrado pelo ICMBio a partir de um escritório em São Roque de Minas e integra o bioma Cerrado, um dos mais ameaçados do país. A cidade fica a 8 km da portaria principal.

Do Chapadão do Zagaia à foz no Atlântico em 2.700 km
O Rio São Francisco nasce no Chapadão do Zagaia, a 1.428 metros de altitude, e passa por uma nascente histórica reconhecida a 1.200 metros, marcada por uma imagem do santo. Segundo o Portal Oficial de Turismo de Minas Gerais, o rio percorre 2.700 km entre a serra e a foz no Oceano Atlântico, entre Alagoas e Sergipe, com bacia hidrográfica de 640 mil km².
Poucos quilômetros depois da nascente, o São Francisco encontra a Cachoeira Casca D’Anta, sua primeira grande queda com 186 metros de queda livre. A cachoeira pode ser visitada por cima, na parte alta do chapadão, ou por baixo, chegando pelo distrito de Vargem Bonita. A queda dá um espetáculo que muda com as estações: cheia e barulhenta no verão, mais tímida e cristalina no inverno seco.

O que fazer na Serra da Canastra?
A serra combina cachoeiras, observação de fauna, cânions e a rota do Queijo Canastra em roteiros que costumam durar quatro a cinco dias.
- Nascente histórica do Rio São Francisco: a 12 km de São Roque de Minas dentro do parque, marcada por imagem de São Francisco e trilha calçada.
- Cachoeira Casca D’Anta: primeira grande queda do Velho Chico, com 186 metros de queda livre, acessível pelas partes alta (portaria 1) e baixa (via Vargem Bonita).
- Cachoeira do Rasga Canga: dentro do parque, com poços do Rolinho embaixo, ponto de observação do pato-mergulhão.
- Cachoeira dos Rolinhos: sequência de poços cristalinos ideais para banho na parte alta do chapadão.
- Curral de Pedras: mirante próximo à nascente com formações rochosas e vista panorâmica.
- Cânion do Rio São Francisco: paredões escarpados que abrem o vale do Velho Chico logo após a Casca D’Anta.
- Retiro de Pedras: sítio da primeira fazenda instalada na região, com valor histórico dentro do parque.
- Rota do Queijo Canastra: circuito por fazendas produtoras nos arredores de São Roque de Minas, com degustação e visita ao processo artesanal.
- Cachoeira da Chinela: fora do parque, acessível por São Roque de Minas.
Quem planeja conhecer um dos destinos mais impressionantes de Minas Gerais vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 420 mil visualizações. O vídeo apresenta um roteiro completo de 4 dias na Serra da Canastra, explorando cachoeiras como a Casca d’Anta, dicas de hospedagem na Pousada Guardião da Canastra, gastronomia local e passeios guiados, tudo com detalhes sobre preços e acessos.
O reino do pato-mergulhão e do lobo-guará no Cerrado
Poucas áreas de conservação do Brasil abrigam tantas espécies ameaçadas em um mesmo território. O Parque Nacional da Serra da Canastra é um dos últimos refúgios do pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), ave endêmica e criticamente ameaçada de extinção que só nada em água pura. Também protege populações significativas de lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, veado-campeiro, onça-parda e ema.
São mais de 800 espécies de aves catalogadas e cerca de 200 espécies de mamíferos, muitos em risco. A vegetação predominante são os campos rupestres, com manchas de cerrado e matas ciliares. Acima de 1.200 metros aparecem espécies típicas de campos de altitude, como arnicas e canelas de ema. Em algumas datas, o silêncio das trilhas permite avistar animais que não aparecem em outros parques nacionais brasileiros.
Como é o clima na Serra da Canastra durante o ano?
O clima tropical de altitude tem duas estações bem marcadas: verão quente e chuvoso e inverno seco e frio. As chuvas se concentram entre outubro e março.
18°C a 28°C
☔ Alta
Momento de ver a espetacular Casca D’Anta com seu maior volume de água.
🌊 CASCA D’ANTA CHEIA
14°C a 27°C
🌤️ Média
Clima agradável para conhecer a nascente do Rio São Francisco e percorrer trilhas.
⛰️ NASCENTE DO SÃO FRANCISCO
8°C a 25°C
☀️ Baixa
Alta temporada! Perfeito para a Rota do Queijo Canastra e apreciar os mirantes.
⭐ ROTA DO QUEIJO
14°C a 29°C
🌤️ Média
A melhor época para a observação de fauna, como os tamanduás-bandeira e rolinhos.
🐾 OBSERVAÇÃO DE FAUNA
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Serra da Canastra saindo de Belo Horizonte
De carro, o trajeto de 320 km até a nascente é feito pela BR-381, com transferência para a BR-262 em sentido Triângulo Mineiro e depois pela MG-050 até Piumhi. De lá, mais 70 km até São Roque de Minas ou Vargem Bonita. A viagem dura entre 5 e 6 horas.
Os aeroportos mais próximos são o de Araxá, a 160 km, e o de Uberaba. Quem vem de São Paulo pode acessar pela via Passos e São Sebastião do Paraíso. Dentro do parque, a estrada principal tem cerca de 70 km entre as portarias 1 e 3, em terra batida sem posto de combustível, então é essencial abastecer nas cidades-base.
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Vale a pena conhecer a Serra da Canastra
Poucos lugares do Brasil conseguem juntar em um só endereço a nascente do maior rio genuinamente brasileiro, uma cachoeira de 186 metros de queda livre, um dos últimos refúgios de espécies ameaçadas do Cerrado e um queijo artesanal que virou patrimônio cultural. A Serra da Canastra faz isso a poucas horas de Belo Horizonte, longe do turismo massificado.
Fonte. MG.Superesportes


