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14 de maio de 2026

O que fazer em três dias na praia de Pajuçara, em Maceió – 13/05/2026 – Turismo

O que fazer em três dias na praia de Pajuçara, em Maceió – 13/05/2026 – Turismo

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Para um habitante do Sul/Sudeste do país, parece uma loucura passar um feriado em Maceió, coisa de milionário. Mas não é. Quer dizer, desde que o turista se prepare com antecedência, porque apesar dos voos serem frequentes e curtos, mais ou menos três horas a partir de São Paulo, custam mais caro conforme se aproxima a data do embarque.

Com tantos fins de semana encompridados por feriados que estão por vir ainda neste ano, começando por Corpus Christi, no comecinho do mês que vem, e até o Natal, que neste ano cai numa sexta-feira, vale muito a pena pensar em passar um deles em Alagoas. Este é um roteiro pensado, testado e aprovado por quatro pessoas de idades que variam entre 12 e mais de 50. Bem mais de 50.

A base deste roteiro foi a praia de Pajuçara, dentro da cidade de Maceió, mas a 5 quilômetros do centro, onde alguns hotéis com design caprichado e mais voltados ao bem-estar do turista começam a mudar o estilo do local.

Planeje chegar a Maceió na noite anterior ao primeiro dia, pensado para ser o da preguiça, para ficar na praia o mais perto possível e deixar que a água do mar leve com ela tudo que estiver atrapalhando a vida.

Com um dia de descanso profundo, embalado pela tranquilidade da praia de Pajuçara, com mergulhos longos no mar de temperatura perfeita e águas calmas, que abraçam o corpo e abrem o apetite, o turista se recompõe e reúne toda a energia necessária para as aventuras que virão a seguir.

Dia 1 – Sem compromissos, por favor

Acorde sem despertador, só quando o corpo estiver satisfeito com as horas de sono. Se tiver perdido o café da manhã do hotel, paciência, ninguém vai à praia de Pajuçara para fazer gincana nem correr contra o tempo. Aproveite a desculpa para conhecer, por exemplo, a nova unidade da Ruca Confeitaria, no térreo do modernoso Edifício New Time, bem na ponta sul da praia de Pajuçara. Só o seu croissant já vale a missa, mas tem muito mais no cardápio.

Depois, se for possível, deixe o celular no quarto, vista uma roupa de banho e vá à praia só com o que quer que seja que você use para cobrir o corpo, uma toalha e um cartão de débito para comer milho cozido, tomar água de coco e deixar o tempo passar, sem notícias, sem link com piadinha, sem figurinha, sem emoji, sem novidades.

Quando o sol começar a se pôr, observe sem fotografar, sem enviar para ninguém, sem pensar em postar e ganhar likes. E, quando der vontade, ou fome, volte pro quarto sem pressa, banho, roupa seca e um passeio a pé pela orla cheia de feirinha de artesanato, bikes e patinetes elétricas para alugar, mas sem a lotação que espanta turistas mais ariscos.

Na hora do jantar, vale experimentar a culinária ultracaprichada do restaurante Flor de Sal, no Sais Beach Living Hotel, que fica bem em frente à praia. Preço salgado, mas comidas inesquecíveis. Éramos quatro pessoas na mesa, uma invejando a comida da outra.

Dia 2 – Catamarã, Praia do Gunga, passeio de UTV e falésias de areia colorida

Esse é um passeio que quase todos os hotéis recomendam e têm seus esquemas para levar os turistas até o ponto de embarque do catamarã, na Lagoa do Roteiro, a mais ou menos 40 minutos do hotel. Para isso tem que acordar cedo, tomar café e estar na recepção até às 8h30. O horário é inegociável, mesmo que seu transporte seja privativo nessa primeira parte, porque a saída do catamarã é uma só, depende da maré, e é sempre coletiva.

Ela leva à praia do Gunga, mais afastada do centro que a Pajuçara, de águas mais agitadas e seu entorno, idem. Lá, o lugar de apoio é um restaurante em frente à lagoa do Roteiro, e onde se recomenda almoçar. O prato é escolhido da chegada, para ficar pronto e ser servido na volta do passeio, com a adrenalina a mil e o estômago nas costas.

É de lá que saem os UTV, sigla em inglês para utility task vehicle, um jipão aberto, de rodas gigantes, feitas para andar em areia, terra, lama, duna. Fácil de dirigir, ele é deixado na mão do turista, que segue um guia local em um quadriciclo que nos leva até as falésias de areias coloridas, uma daquelas maravilhas da natureza local, em tons de amarelo, vermelho, laranja.

O vaivém de UTVs e quadriciclos na estrada dá um ar de “Mad Max” à aventura, e é bom, mesmo que só por um breve momento, se imaginar na pele da Furiosa, personagem de Charlize Theron em “Mad Max: a Estrada da Fúria”, de 2015.

Mas tem muito mais: em poucos minutos, você vê duplas de jet ski saindo para passeios pagos, um catamarã com turistas atracando, um helicóptero que leva a passeios pela orla decolando e um paramotor com instrutor e novato deixando o solo para voos curtos. É difícil não lembrar da cena do surfe no meio da guerra de outro filme, o clássico “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola —só que, aqui, com final feliz.

Dia 3 – Mergulho com peixes, piscinas naturais e cuidado com as águas-vivas

Levanta, sacode a poeira e, de novo, 8h30 na recepção para sair para a praia de Paripueira, onde fica o Beach Club Mar & Cia, o ponto de partida para os passeios de aventura aquática do dia.

De lá, entra num barco pequeno que leva a um barco maior e este, até o ponto em alto mar em que ficam as piscinas naturais, rasinhas e de água transparente, em que é possível ver peixes e corais a olhos nus.

Só ficar lá, fora do barco, com água na altura da cintura, já é muito emocionante, mas o divertido mesmo é encarar um curso rapidésimo de mergulho, de dez minutos, botar o equipamento e fazer um mergulho guiado nas piscinas naturais.

Você fica parado e um dos instrutores te conduz por cima, como se o corpo do turista tivesse pendurado em um varal, e vai te levando só para os lugares com maior diversidade animal, e longe do perigo. Toda a delícia de mergulhar, sem nenhuma responsabilidade. Nas fotos, não dá nem pra ver que tem alguém te segurando.

O almoço é no Beach Club Mar & Cia, que já foi pedido com antecedência. Lá rolam as atrações normais de praias turísticas, tererê, tatuagem de henna. Só preste atenção ao embarcar e desembarcar no catamarã. Como as águas são rasas, é preciso caminhar um bom tempo pelo mar da areia até a escada do barco e, dependendo da época do ano, não é incomum deparar-se com uma floração de águas-vivas, entre elas as medusas e as temíveis caravelas.

Encostou e queimou, como aconteceu com um dos nossos integrantes de viagem. Não tema, os marinheiros locais logo apontam a solução: um despejo de uma garrafa inteira de vinagre (de álcool ou vinho, os de maçã não têm o mesmo efeito) no machucado —e a dor vai embora. Fica a marca por alguns dias e a memória de um passeio incrível, em que o cansaço foi embora, o sol aqueceu, o mar protegeu e o turista volta à rotina de alma lavada.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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