
A rápida expansão de escolas de medicina e a mudança nas relações de trabalho estão acendendo um alerta no Brasil. Em julho de 2026, especialistas e órgãos como o CFM debatem como garantir que médicos recém-formados tenham a qualificação necessária para atender a população com segurança.
Qual é o principal problema apontado na formação dos novos médicos?
O Brasil vive uma expansão acelerada de faculdades de medicina, chegando a cerca de 500 escolas. Especialistas alertam que muitas dessas instituições são ‘caça-níqueis’ e não oferecem a estrutura necessária. Isso cria um cenário de formação desigual, onde o diploma nem sempre garante que o profissional saiba lidar com casos complexos logo que sai da faculdade, gerando riscos no atendimento em postos de saúde e prontos-socorros.
Como as pós-graduações afetam a especialização médica?
Tradicionalmente, o ‘padrão-ouro’ para um médico se tornar especialista é a residência médica, que exige muita prática supervisionada. No entanto, muitos profissionais estão optando por cursos de pós-graduação mais curtos e com menos exigências práticas. Embora ajudem na educação continuada, esses cursos não substituem a residência, o que pode resultar em médicos atuando em áreas específicas sem o treinamento prático aprofundado que a profissão exige.
O que é a ‘OAB da Medicina’ defendida pelo CFM?
O Conselho Federal de Medicina (CFM) defende no Congresso Nacional a criação de um exame de proficiência obrigatório, semelhante ao que os advogados fazem na OAB. A ideia é que o médico recém-formado precise passar por provas teóricas e práticas para obter seu registro profissional. O objetivo é criar um filtro contra a má formação acadêmica e garantir que apenas profissionais aptos exerçam a profissão.
Como o governo brasileiro pretende avaliar a formação médica?
O governo federal editou uma medida para transformar o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) em um requisito para o exercício da medicina. Pela proposta, estudantes que ingressarem no curso a partir de agora deverão atingir uma nota mínima para poderem trabalhar. Há uma disputa no Congresso sobre se esse exame é suficiente ou se o modelo do CFM (a OAB da Medicina) seria mais rigoroso e eficaz.
O que é a ‘pejotização’ e como ela impacta o atendimento?
A ‘pejotização’ ocorre quando o médico trabalha como pessoa jurídica (empresa) em vez de ter um contrato de emprego formal (carteira assinada). Hoje, apenas 30% dos médicos têm vínculo formal. Isso resulta em profissionais que pulam de hospital em hospital para cumprir plantões, sem criar laços com a instituição ou acompanhar o histórico dos pacientes a longo prazo, o que fragmenta a qualidade do sistema de saúde.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte. Gazeta do Povo


