11:23 AM
7 de agosto de 2026

Sangue menstrual é usado para detectar HPV em pesquisa – 07/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

Sangue menstrual é usado para detectar HPV em pesquisa – 07/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

PUBLICIDADE


Um teste para detectar o HPV (papilomavírus humano) a partir do sangue menstrual coletado no absorvente apresentou desempenho semelhante ao exame convencional em um estudo feito com mais de 3.000 mulheres na China.

Na pesquisa, publicada na revista científica BMJ, o método apresentou sensibilidade de 94,7% para identificar lesões cervicais de alto grau, praticamente o mesmo índice do teste feito a partir da coleta realizada por profissionais de saúde, que alcançou 92,1%.

Os autores sugerem que a estratégia poderia ampliar o acesso ao rastreamento do câncer do colo do útero, especialmente em regiões onde a cobertura dos exames é baixa ou em que mulheres enfrentam barreiras para ter atendimento médico.

A infecção persistente por HPV de alto risco é o principal fator para o desenvolvimento da doença, que causa cerca de 348 mil mortes por ano no mundo e aproximadamente 661 mil novos casos anuais.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram 3.068 mulheres com idades entre 20 e 54 anos, com ciclos menstruais regulares, residentes em áreas urbanas e rurais.

As participantes realizaram três tipos de exames: teste de HPV a partir do sangue menstrual coletado em um absorvente, amostras cervicais feita por profissionais de saúde e a citologia cervical (Papanicolau).

Aquelas que testaram positivo para o vírus por qualquer método de coleta ou por citologia foram encaminhadas para biópsia dirigida por colposcopia.

A principal métrica de resultado foi a precisão diagnóstica para detectar lesões de grau 2 ou pior e de grau 3 ou pior, consideradas de alto risco para câncer.

Entre todas as participantes, o teste de HPV no sangue menstrual mostrou praticamente a mesma sensibilidade do exame convencional.

A especificidade do método (ou seja, a capacidade de apontar corretamente quem não tem a condição) foi um pouco menor (89,1% contra 90% do exame convencional), mas o valor preditivo negativo, isto é, a probabilidade de uma mulher com resultado negativo realmente não ter lesão, foi idêntico nos dois métodos, alcançando 99,9%.

Longe da prática

Apesar do potencial do teste, ainda existem desafios para a adoção na prática. Na avaliação da ginecologista Renata Bonaccorso Lamego, do Einstein Hospital Israelita, os achados são significativos em termos de acurácia diagnóstica, mas não significa que o método vá substituir o modelo atual de rastreamento.

“Na prática clínica isso acrescenta muito pouco, principalmente por causa de questões logísticas. Os kits para coleta de HPV ainda são caros, não podem ser desperdiçados, e existe o risco de entregar o material para a paciente e ela simplesmente não realizar o exame ou não saber o que fazer com aquela informação”, observa.

Outro ponto que dificulta a substituição do exame convencional pela coleta de sangue menstrual é o manejo dos resultados positivos.

“Se o resultado vier negativo para HPV, ótimo: a mulher pode repetir o exame apenas depois de cinco anos. O problema é quando o teste dá positivo”, alerta Lamego.

Segundo a especialista, cerca de 20% das mulheres brasileiras testam positivo para HPV, mas o índice pode ser ainda maior entre as mais jovens.

“Nesse cenário, surgem várias questões: qual seria o fluxo dessas pacientes no sistema de saúde? Como orientar essas mulheres sobre o significado do resultado?”, indaga.

A presença do vírus não significa que há lesão por HPV ou câncer. “Na verdade, apenas entre 3% e 7% das mulheres com HPV positivo apresentam lesões de alto grau ou câncer de fato. Um aumento de resultados positivos pode gerar ansiedade e aumentar a demanda por exames no sistema de saúde”, avalia a ginecologista do Einstein.

No Brasil, cerca de 19 mil novos diagnósticos de câncer de colo do útero devem ocorrer a cada ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer). Quando detectada precocemente e tratada de forma adequada, a doença apresenta alto potencial de cura. Além disso, é prevenível por vacinação e rastreamento organizado.



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima