12:54 PM
18 de julho de 2026

Suspeito de vazamento de dados da mulher de Moraes pede que ministro seja afastado do caso

Suspeito de vazamento de dados da mulher de Moraes pede que ministro seja afastado do caso

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ISADORA ALBERNAZ
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A defesa do empresário Marcelo Conde afirmou ter pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado impedido e afastado da relatoria do caso que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo magistrados do tribunal e seus parentes.

A informação foi publicada pelo portal Metrópoles e confirmada à Folha de S.Paulo.

Os advogados de Conde argumentaram que Moraes não poderia estar à frente do processo porque entre os supostos alvos do vazamento estaria a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Considerado foragido da Justiça brasileira, Marcelo Conde teve sua prisão preventiva decretada pelo Supremo no início de abril e foi incluído no chamado inquérito das fake news. Ele vive atualmente na Espanha e diz ser alvo de uma “ação judicial truculenta” de Moraes.

O Regimento Interno do Supremo estabelece que os questionamentos de impedimento feitos pelos envolvidos no processo sejam direcionados à presidência da corte para a análise de admissibilidade. Se o caso for admitido, o ministro é ouvido e o processo é encaminhado para análise do plenário e julgamento.

O próprio ministro também pode se declarar impedido ou suspeito, como ocorreu com Dias Toffoli no caso do Banco Master após conexões dele com a instituição de Daniel Vorcaro terem sido reveladas.

No caso do pedido da defesa de Conde, ainda não está claro quem vai analisar o pedido. Isso porque, como mostrou a Folha, o então vice-presidente Alexandre de Moraes assumiu nesta sexta-feira (17) a presidência do Supremo no esquema de rodízio com Edson Fachin.

Durante o recesso do Judiciário, que se encerrará em 31 de julho, também cabe a quem ocupa a presidência decidir sobre questões consideradas urgentes.

A reportagem procurou o STF por mensagem de WhatsApp por volta de 17h50 e perguntou a respeito do pedido de impedimento apresentado. Até a publicação desta reportagem, não foi enviado um posicionamento. É comum que a corte não se manifeste sobre processos sigilosos, como é o caso do inquérito das fake news.

Marcelo Conde foi apontado pelo contador Washington Travassos de Azevedo como o responsável por encomendar de forma ilegal dados de familiares do ministro, como Viviane. Ele teria fornecido uma lista de CPFs e pagado, em espécie, R$ 4.500 para “receber as declarações fiscais obtidas de forma ilícita”.

À PF Azevedo também afirmou ter sido um intermediário entre uma pessoa interessada nos dados sigilosos do Fisco e outra que dizia saber como obtê-los.
A mulher de Moraes é um dos centros da crise no STF após a divulgação de informações sobre seu contrato com o Master, que declarou pagamentos que se estenderam por 2025 e chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos ao Barci de Moraes Sociedade de Advogados.

Conde divulgou nota no fim de abril em que fala das acusações. Ele negou a condição de foragido e disse que as acusações “descabidas” não correspondem à realidade. “Nunca atuei ou participei de qualquer organização voltada à obtenção de dados sigilosos”, disse.

À época, afirmou que o magistrado age de maneira truculenta e “embaralha os papéis de investigador, acusador, juiz e ofendido, em inquérito sigiloso atinente a pretenso vazamento de dados fiscais da sua mulher”.

De acordo com o Supremo, a investigação da PF constatou a atuação de servidores públicos com acesso funcional aos dados, vigilantes, despachantes e intermediários.

Teriam sido acessados dados de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, do TCU (Tribunal de Contas da União), deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários, entre outros.

Conde é presidente da STX Desenvolvimento Imobiliário e da associação Rio Vamos Vencer. Ele é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, que morreu em 2015.

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Fonte Noticias ao Minuto

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