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24 de julho de 2026

Tarifas aplicadas pelo governo Trump têm “vida própria”, diz Brian Winter

Tarifas aplicadas pelo governo Trump têm “vida própria”, diz Brian Winter

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Ao WW, o editor-chefe da Americas Quarterly, Brian Winter, afirmou em entrevista que as tarifas aplicadas pelo governo do presidente americano, Donald Trump, ao Brasil fazem parte de um processo de “inércia burocrática” e que elas têm “vida própria”.

Segundo ele, é difícil precisar quando Donald Trump ouviu pela última vez a palavra “Brasil”, sugerindo que talvez tenha sido durante a visita de Flávio Bolsonaro ao Salão Oval, semanas antes.

Origem das tarifas e o processo da Seção 301

O processo que resultou nas sobretaxas ao Brasil teve início com uma decisão política em julho de 2025, quando Trump anunciou o primeiro tarifaço. Após recuar da medida inicial, o processo da chamada Seção 301 permaneceu em curso.

“Eles têm vida própria”, afirmou Winter, explicando que a investigação continuou com seus próprios ideólogos empenhados em erguer barreiras comerciais para diversos países.

Foi por isso, segundo ele, que o Brasil figurou entre os primeiros a ser atingido pela tarifa da Seção 301, seguido pelo Canadá, que também foi alvo de uma tarifa originada em processo iniciado anteriormente.

Improviso e dinâmica da corte real

Brian Winter destacou ainda que há sempre um grau de improviso misturado às decisões do governo Trump. Ele citou o livro Regime Change, escrito pelos repórteres do New York Times Maggie Haberman e Jonathan Swan, que relata os bastidores do chamado “Dia da Libertação”.

Segundo a obra, Trump e o assessor Howard Lutnick estiveram juntos até o último momento acertando os números finais das tarifas, enquanto outros assessores aguardavam à distância, preocupados com o desfecho. “É uma dinâmica um pouco com uma corte real, que tem uma burocracia que também funciona”, disse Winter.

Mistura de técnica e política

Para o analista, o caso brasileiro reflete uma combinação de dois fatores distintos. De um lado, há uma burocracia focada nos aspectos técnicos da política comercial. De outro, existe um elemento nitidamente político que também influencia as decisões.

“O ponto para o Brasil é que é uma mistura das duas coisas”, concluiu Brian Winter, ressaltando a dificuldade de analisar um cenário tão complexo e multifacetado.



Fonte: CNN Brasil

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