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30 de junho de 2026

Turismo em Cabo Verde: veja o que conhecer no país – 30/06/2026 – Turismo

Turismo em Cabo Verde: veja o que conhecer no país – 30/06/2026 – Turismo

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Futebol, música e Carnaval são paixões nacionais. Além disso, fala-se a língua portuguesa dos colonizadores, e a maioria da população miscigenada descende dos escravizados, trazidos do continente africano. Esse poderia ser um retrato do Brasil, mas, na verdade é o povo de Cabo Verde, que os brasileiros passaram a conhecer melhor após o sucesso recente do país na Copa do Mundo.

Quem pousa no aeroporto internacional da capital, Praia, na ilha de Santiago, se sente logo em casa. Neste arquipélago com dez ilhas principais isoladas no meio do oceano Atlântico, basta dizer que se vem do Brasil para ser tratado quase como família.

As afinidades culturais e sociais entre os dois países aparecem a cada encontro ao longo da viagem entre suas ilhas. Enquanto o motorista põe para tocar música da cantora cabo-verdiana Cesária Évora (1941-2011) com Marisa Monte, a guia de turismo Nilza Aline Barros diz como ama novelas brasileiras. “Somos nações irmãs”, diz ela, que também canta nas horas vagas.

Com cerca de 170 mil habitantes, um terço da população de cerca de 530 mil pessoas do país, Praia concentra no bairro do Platô, no alto de uma colina com vista ao mar, os prédios históricos e ruas exclusivas para passeios de pedestres.

Os calçadões de pedra portuguesa ladeados por sobrados abrigam alguns poucos hotéis, mercados públicos e museus, fazendo lembrar mais as cidades coloniais de Minas Gerais do que outras agitadas capitais africanas.

A 15 quilômetros do centro histórico fica a Cidade Velha, que remonta às origens de Cabo Verde.

Após desembarcar pela primeira vez, em 1460, naquelas terras de origem vulcânica inabitadas, os colonizadores da coroa portuguesa escolheram estabelecer seu primeiro povoamento europeu dos trópicos nessa vila pesqueira, antes chamada Ribeira Grande de Santiago.

Em 1466, quatro anos depois de nascer como lar dos primeiros colonos portugueses, Santiago entraria para a história por outra razão. Ali passaria a funcionar o primeiro entreposto insular para o tráfico de escravizados de vários pontos da África continental para a América —milhares deles para o Brasil. O Pelourinho de 1520 na Cidade Velha, atualmente Patrimônio Mundial da Unesco, guarda a memória dessa ferida.

Por outro lado, a maior ilha do arquipélago orgulha-se por ser o berço da língua crioula cabo-verdiana, o “kriolu”. Para se comunicar naquela terra onde não existiam povos originários, os imigrantes de distintas etnias trazidos à força tiveram de fundir seus idiomas com a língua dos colonizadores. Até hoje, é falada no dia a dia, mais comum que o português oficial.

O tráfico de escravizados perdurou até o século 19, e Cabo Verde só se tornou independente de Portugal em 1975. Quase seis séculos após seu nascimento, esse país-arquipélago movimenta a economia graças ao turismo (responsável por 25% do PIB) e à prestação de serviços. E, resiliente, orgulha-se por sua identidade, como demonstram as comemorações da torcida em sua primeira participação numa Copa.

Mesmo a apenas 570 quilômetros do Senegal, país mais próximo no continente africano, Cabo Verde exibe mais identificação cultural com o Brasil, embora esteja a 3.000 quilômetros. Até o maior mercado popular do país, na zona aos pés da colina do Platô, na capital, leva o nome de Sucupira, em homenagem à cidade fictícia da novela “O Bem-Amado“, de Dias Gomes. Nele, como nos mercados públicos brasileiros, é bom estar atento ao celular e à carteira.

Nesta África sem leões, safáris ou grandes turbulências sociais, ou políticas, a riqueza da miscigenação humana está explícita na qualidade musical. Músicos contemporâneos com raízes familiares cabo-verdianas, como Mayra Andrade e Dino D’Santiago, orgulham-se de promover ritmos que só existem ali. Apresentações ao vivo de morna, coladeira, batuque e funaná podem ser vistas em restaurantes musicais como o Quintal da Música, no Platô.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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