O tema taxa de rolha entrou em alta recentemente quando o músico Ed Motta se recusou a pagar, digamos que enfaticamente, por esse adicional na conta cobrado pelo restaurante Grado, um dos melhores italianos do Rio de Janeiro. Segundo relatos e vídeos que circularam nas redes, cadeira e garrafa voaram nessa noite. Mas, afinal, o que é esse serviço e por que se deve pagá-lo?
A taxa de rolha é uma cobrança feita por restaurantes, bares e outros endereços gastronômicos quando o cliente leva a própria garrafa de vinho (poderia ser outra bebida, como saquê) e a consome no local. Em vez de uma proibição, grande parte dos estabelecimentos acaba franqueando a oportunidade de o freguês trazer um rótulo especial que, preferencialmente, não se encontra na carta de vinhos da casa.
Esse valor surgiu para cobrir os custos dos restaurantes, como as taças, o gelo, a climatização e o trabalho do garçom ou do sommelier, como a decantação e o resfriamento das garrafas. Também tem a finalidade de repor a perda que os estabelecimentos têm com a não venda de bebidas.
Trata-se de uma espécie de compensação, o que torna justo o pagamento do valor pedido, embora em alguns lugares os preços estipulados sejam bem salgados para evitar justamente a redução de lucros – é a forma de desestimular a prática pela clientela. Isto porque a venda de bebidas alcoólicas desempenha um papel importante no equilíbrio financeiro dos estabelecimentos.
Além disso, lugares mais requintados possuem sommeliers, que fazem uma seleção de rótulos focados nos pratos que compõem o menu do restaurante. É a chamada harmonização.
Embora não seja ilegal, de acordo com a Associação Nacional de Restaurantes (ANR), não existe uma legislação federal que regule a quantia cobrada e sua aplicação. E nenhum estabelecimento é obrigado a permitir que o cliente traga a própria, o que pode ser vetado. Em geral, para determinar o montante, os profissionais que cuidam das adegas levam em consideração, por exemplo, o preço médio da carta de vinhos – alguns lugares cobram o equivalente ao rótulo mais barato disponível.
Uma exceção está no município do Rio de Janeiro, que saiu na frente com a Lei nº 9.270/2026. Sucinta, a regulamentação em vigor desde janeiro deste ano tem apenas sete artigos que definem modalidades da cobrança, inclusive a gratuidade. “A cobrança da ‘rolha’ não é obrigatória e fica a critério do estabelecimento, que poderá oferecê-la como cortesia”, diz o artigo 2º.
Nem sempre isso acontece, mas o ideal é que todas as cartas de vinhos exibam o valor da taxa, evitando assim quaisquer mal-entendidos e possíveis constrangimentos.
VEJA SÃO PAULO é uma das únicas publicações no Brasil a publicar essa taxa nas críticas semanais, assim como na edição Comer & Beber, o guia anual de gastronomia.
Cabe lembrar que a taxa de rolha já remunera um serviço. Ainda assim, muitos restaurantes que frequento aqui em São Paulo acrescentam sobre ela a taxa de serviço, normalmente de 13% a 15%. Curioso. Parece até que os proprietários desconhecem que estão cobrando serviço sobre serviço.
O antigo restaurante Monte Líbano, inaugurado na região da 25 de Março, onde funcionou de 1973 a 2022, reabriu na Vila Olímpia. Desde então, tem o nome de Alice Monte Líbano, justa homenagem à fundadora, a libanesa Alice Maatouk (1934-2020), personalidade gastronômica por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER 2015. É possível provar esfirras como a aberta de coalhada com zátar e a versão de massa folhada com carne, além de charutos de uva com seu vinho favorito na faixa.
Alameda Raja Gabaglia, 143, Vila Olímpia, tel. 2640-5505. Tem acessibilidade. $

O casal de proprietários, o espanhol de Málaga Francisco Javier Navarro Serrano e a mulher dele, a paulistana Mirthes Pereira Campos Navarro, cuida pessoalmente da cozinha. No menu, estão pratos como a ensalada tropical, de lagosta, polvo e camarão ao molho rosé com abacaxi, morango, maçã e uva verde, e a paella de frutos do mar, preparada com arroz bomba e especiarias. Um branco ou um rosé não é cobrado. A partir da segunda garrafa, há uma taxa de 80 reais.
Alameda Campinas, 1061, Jardim Paulista, tel. 98798-8289. Tem acessibilidade. $$

Local encantadoramente simples, com três unidades tocadas por um casal de indianos, a mais recente no Brooklin. A especialidade é o thali, conjunto de pratos completo. Existe uma refeição executiva, com pão nan, sopa e salada, e outra maior, que dá direito ainda à samosa, o pastel de batata, ervilha e especiarias, e à sobremesa gulab jamon, uma bolinha de leite frita em calda de açúcar. De prato principal, pode ser o cordeiro vindaloo. Embora o prato principal seja um cordeiro, recomendo levar um rosé que combina com os efeitos picantes do prato.
Rua Thomaz Gonzaga, 45c, Liberdade, tel. 3132-0111. $

Com dupla personalidade, este restaurante divide-se em um concorrido quilo no térreo com receitas variadas e o salão destinado a pratos típicos no piso superior. Chama-se banchan o mix de pratinhos, uma espécie de couvert que está incluído no preço das sugestões, entre eles o kimchi. O bul go gui é o churrasco de contrafilé em tiras finas ao molho agridoce. Vale levar um branco leve ou um tinto jovem para aproveitar a gratuidade da rolha.
Rua Correia de Melo, 54, Bom Retiro, tel. 3337-2533. Tem acessibilidade. $

O trio de churrascaria atrai pelo preço das carnes, mais em conta que em muitos concorrentes. O cardápio traz carnes no estilo do Uruguai, país de origem de Rodrigo Facal, um dos quatro sócios. Antes delas, pode-se saborear a empanada de queijo com cebola. O corte com o nome da casa é a capa do bife ancho. Bem tostado por fora, revela boa maciez. A cebola caramelada na brasa com azeite está entre as opções de guarnição. Um tinto, das serras Gaúcha ou Mantiqueira, pode fazer uma boa harmonização e de graça. Mas fique atento: a partir da segunda garrafa, a taxa é de 50 reais.
Rua Doutor Roberto Kikawa, 157, Pinheiros, tel. 3032-0050. Tem acessibilidade. $$

Num antigo sobrado pertinho do Hospital das Clínicas, o restaurante costuma atrair multidões com pratos simples e apetitosos que representam a culinária sertaneja do Rio Grande do Norte. Tradição nordestina, a paçoca é preparada com carne de sol moída misturada a muita cebola-roxa e generosa quantidade de farinha, o que confere uma textura mais seca. Um acompanhamento campeão para esse prato: macaxeira cozida, também chamada de mandioca ou aipim, bem macia e regada com manteiga de garrafa. Um tinto jovem cai bem de parceiro nessa combinação sem cobrança.
Rua Arruda Alvim, 187, Pinheiros, tel. 2649-3612. $

A proprietária argentina Ana Maria Massochi merece aplausos. São 45 anos de serviços prestados nesta que continua uma das melhores churrascarias da cidade, com uma varanda que se abre direto para a calçada. As carnes chegam à mesa sempre no ponto pedido e na companhia de uma salada verde com pepino laminado e fios de cebola-roxa. Sempre no ponto certo, o vazio ou fraldinha pode ser pedido em peça de 300 gramas ou 450 gramas. Um tinto encorpado da Argentina, do Uruguai, do Brasil ou da França é uma boa escolha. Mas se liga. A cortesia vale apenas para a primeira garrafa. Da segunda em diante, o valor é de 90 reais.
Rua Aspicuelta, 683, Vila Madalena, tel. 3814-6747 / 96434-0170. $$

No térreo do JW Marriott Hotel, fica este restaurante, com a cozinha tocada agora pelo chef Carlos Leiva. Variação saborosa do steak tartare, o manzo é a carne com os temperos e ovo caipira que o cliente mistura à mesa. Como essa entrada, os pratos aparecem em sistema rotativo, caso do bacalhau confitado com risoto de tinta de lula. Na dúvida, leve um branco e um tinto para fazer a melhor escolha de harmonização. Não há cobrança na primeira garrafa. Se abrir uma segunda, o valor é de 120 reais.
Avenida das Nações Unidas, 14401 (JW Marriott Hotel), Chácara Santo Antônio, tel. 2526-0105. Tem acessibilidade. $$

No ponto onde não vingou o pretensioso GiuGiu foi aberto o Osteria e Caffè Sardegna, que tem proposta mais simples e jeitão de trattoria bacana. Duas boas sugestões de prato principal: o clássico espaguete ao vôngole ao molho de vinho branco, tomatinhos confitados, ervas e pimenta-calabresa e o pollo all’arancia, o pato com laranja repaginado com coxa e sobrecoxa de frango ao suco da fruta junto de salada verde e batata crocante. Se optar pela massa, capriche na escolha do rótulo de branco. Na faixa, só a primeira garrafa. Depois dela, paga-se 80 reais por rolha.
Rua Haddock Lobo, 1626 (Shops Jardins), Jardins, tel. 3198-8220. Tem acessibilidade. $$

A rede, que começou na Vila Olímpia com ambiente arejado e um “ofurô” de cervejas lotado de garrafas no gelo, se multiplicou por mais quatro endereços paulistanos e novas unidades em outras cidades e capitais — desde o fim de 2024, investe ainda em outra marca, um pouco mais simples, o Cabaña Argentina, com a primeira unidade no Shopping Pátio Higienópolis. Neste império da carne, liderado pelos empresários Luiz Marsaioli e Cristiano Melles, prova-se um saboroso choripán (R$ 48,00), o clássico sanduíche argentino de linguiça. Das carnes, surgem como boas opções o bife de chorizo (R$ 149,00, 280 gramas), que poderia ser secundado por batata suflê (R$ 64,00) bem mais crocante. Vale o alerta: de graça, só a primeira garrafa. Da segunda em diante, o valor é de 120 reais por unidade.
Rua Comendador Miguel Calfat, 525, Vila Olímpia, tel. 2397-0099. Tem acessibilidade. $$$

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Fonte.: Veja SP Abril


