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16 de julho de 2026

Filas e brigas marcam passagem pelo aeroporto de Lisboa – 16/07/2026 – Turismo

Filas e brigas marcam passagem pelo aeroporto de Lisboa – 16/07/2026 – Turismo

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Eram 20h45 da quinta-feira (2) quando cheguei à imigração no aeroporto de Lisboa, onde passaportes são vistos uma última vez antes de embarques internacionais. Levei cerca de uma hora para passar por essa etapa, e durante esse tempo ouvi protestos e vi pessoas furando a fila com o receio de perder seus voos.

O voo para São Paulo estava previsto para às 23h30, mas atrasou quase uma hora. O embarque, antes programado para as 22h30, teve início apenas às 22h50.

Segundo a organização do aeroporto, o atraso se deu por “problemas no sistema”, e no avião o piloto ainda disse que a falta de funcionários atrasou o envio de todas as malas para a aeronave.

Apesar dos atrasos, o despacho das malas e a inspeção de segurança foram rápidas. O problema acontece mesmo na imigração, onde a fila era um pouco maior do que aquela que enfrentei ao chegar em Lisboa, por volta das 11h30 do dia 25, uma sexta-feira, quando entrei em Portugal em 15 minutos.

No dia 2, a passagem pelos totens digitais do novo sistema fronteiriço da UE (União Europeia), que tem provocado críticas pela Europa, foi instantânea, mas os problemas vieram a seguir, na checagem manual.

Das 18 cabines disponíveis, apenas quatro funcionavam naquele momento. Duas eram para passageiros prioritários, como idosos e portadores de passaportes da União Européia, e duas para outros passaportes –essa fila era bem maior. Por volta de 21h30, um funcionário ainda deixou uma dessas quatro cabines em operação.

Durante a hora em que estive na fila, vi grupos revoltados com a situação e viajantes furando a fila —alguns falavam com pessoas em fileiras à frente e tiravam a faixa entre elas para ficar perto de seus supostos conhecidos, enquanto outras simplesmente se espremiam e tentavam seguir em frente.

O mais expressivo deles foi aquele que tentava pegar um voo para Angola, atrás de mim. Meia hora após entrar na fila, esse passageiro protestou contra duas garotas que teriam furado a sua posição na fila e a de outras pessoas.

Ele levantou a voz contra elas e disse que deveriam voltar e respeitar os demais presentes.

Minutos mais tarde, um homem que estava quase chegando à checagem bateu palmas para chamar a atenção de um dos dois funcionários que tentavam auxiliar a fila da imigração.

A maioria dos que estavam ao meu redor exigia deles atualizações sobre o embarque de seus voos. Às 21h10, por exemplo, uma jovem pediu licença àqueles à sua frente, levantando olhares raivosos, para pedir informações sobre seu voo para Doha, no Qatar, previsto para decolar às 21h30.

Ela conseguiu confirmar que seu voo estava atrasado. Na mesma hora, um homem atrás de mim, com destino a Cabo Verde num voo às 21h05, foi informado de que deveria deixar a fila e ir ao balcão de informações da companhia aérea.

Não era a primeira vez que esse homem pedia informações sobre seu voo, e ele já havia percorrido boa parte da fila.

Mais tarde, por volta de 21h30, os passageiros com destino à Angola gritaram para chamar a atenção dos funcionários. Segundo eles, o embarque para seu voo havia, enfim, começado.

A insatisfação aumentou quando uma mulher abriu caminho entre os passageiros, pedindo desculpas, e se dirigiu ao fim da fila. Muitos começaram a protestar, pedindo para que os funcionários a impedissem, quando ela chegou ao final.

Pouco antes da minha vez, pude ver outra atendente dizer a um dos funcionários da fila que os passageiros com destino à Angola deviam ser passados na frente. O homem questionou a ordem da funcionária.

Quando enfim fui chamado para uma das cabines, tive apenas que mostrar meu passaporte, o meu cartão de embarque e confirmar o meu destino.

Esse último processo se resolveu em segundos. Uma vez do outro lado, a fila dos que aguardavam para entrar em Portugal era tão grande quanto a dos que tentavam deixar o país.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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