12:17 AM
20 de janeiro de 2026

O adeus a Raul Jungmann – 19/01/2026 – Opinião

O adeus a Raul Jungmann – 19/01/2026 – Opinião

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VÁRIOS AUTORES (nomes ao final do texto)

Recordar é viver. No caso de Raul Jungmann, 73, que nos deixou neste domingo (18), é viver um exemplo de vida. Tanto no plano pessoal como na vida pública.

O motivo desta manifestação é para que, em tempos de velocidade e fugacidade das informações e acontecimentos, este depoimento possa atravessá-los para que todos os que vierem depois possam conhecer, saber e praticar o exemplo que ele nos deixou.

Não apenas nós, que assinamos este artigo, somos testemunhas do seu exemplo. Certa e seguramente ele poderia ser assinado e referendado por centenas, senão milhares de seres da vida privada e da pública que com ele conviveram. Basta verificar os inúmeros depoimentos que já vieram à luz revelando imensa tristeza por tão significativa perda.

Deixa-nos um legado: o do diálogo, da conciliação, da capacidade de ouvir, do respeito com que ouvia os argumentos contrários, do debate de ideias e de programas para o país. E note-se que Raul Jungmann sempre foi chamado para ocupar posições político-administrativas de significativa controvérsia. Ministro do Desenvolvimento Agrário, da Defesa, da Segurança Pública, sempre atuou pautado pela ideia da busca de uma composição.

Conciliador, era também assertivo quando buscava convencer seu interlocutor e igualmente quando exercia suas funções. Mas suas posições não eram ancoradas em nenhuma raivosidade pessoal ou ideológica. No seu horizonte estavam o interesse do povo brasileiro e do país. Foi assim também quando deputado federal, ocasião em que presidiu comissões de grande polêmica. Exerceu-as, todas, com expressiva moderação.

No Ministério do Desenvolvimento Agrário, soube conciliar interesses dos postulantes da reforma agrária com os proprietários no país. No Ministério da Defesa, conjugou, sem preconceitos, a área militar com a civil. No Ministério da Segurança Pública, produziu extraordinário trabalho de coordenação das atividades dos secretários estaduais com vistas ao combate ao crime individual e ao organizado. Nessa área, tanto sucesso teve que logo nos levou a ideia, afinal convertida em lei, do Sistema Único de Segurança Pública, o Susp, que hoje, ainda, quer-se levar para o texto constitucional.

Esse foi, resumidamente, o trajeto do nosso pranteado Raul Jungmann na atividade político-administrativa. Más também no plano pessoal nos lega uma lição. Jamais praticou nenhum desvio de conduta que pudesse retirar a sua consistente respeitabilidade.

Mesmo nos últimos meses de seu martírio manteve postura de grande dignidade. Com ele estivemos há cerca de cinco meses, quando nos contou de sua doença. Mas, com a coragem de sempre, nos disse: “Esta é a maior luta que enfrento na minha vida. Mas vencerei”. A doença o derrotou, mas a sua coragem pessoal e cívica, a sua honestidade intelectual persistem. Esta não desapareceu nem desaparecerá.

Seu exemplo há de ser levado em conta em momentos em que a chamada polarização divide o país. Ao invés do diálogo para gerar concordância, o embate por meio de palavras ásperas para gerar divisões e discordâncias insuportáveis.

Que a imagem e a conduta de Raul permaneçam no pensamento de todos os brasileiros. E que Deus o tenha.

Michel Temer

Ex-presidente da República

Aldo Rebelo

Ex-ministro da Defesa

Carlos Marun

Ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo

Sérgio Etchegoyen

Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional

Moreira Franco

Ex-ministro de Minas e Energia e da Secretaria-Geral da Presidência

TENDÊNCIAS / DEBATES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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