A Folha de São Paulo publicou uma análise dizendo que “o brasileiro não trabalha muito” e que isso seria “uma questão cultural, uma preferência por maior quantidade de lazer”. A análise usava dados de Gethin & Saez (2025), que harmonizam horas trabalhadas de 160 países.
Eu repliquei essas análises. Resultado:
- A quantidade de horas que o brasileiro deveria trabalhar pode ir de −189 a +206 min/semana dependendo da especificação. Nenhuma conclusão firme;
- Quando se incluem os controles institucionais que o próprio paper original identifica como determinantes primários (tributação, informalidade e regulação de jornada) o resultado inverte de sinal. O Brasil passa a trabalhar MAIS que o esperado;
- A hipótese cultural, analisada com dados da World Values Survey, é rejeitada condicionalmente a instituições. E a dimensão cultural que sobrevive opera contra a narrativa: o Brasil pontua 50% em “trabalho deve vir primeiro”, vs. EUA 28%, Alemanha 29%, Japão 10%.
- Em tempo: minha análise não é a “pá de cal”, mas mostra que a resposta é bem mais complexa do que algumas regressões podem indicar.
Leia o artigo completo.
Referências citadas
Gethin, A. & Saez, E. (2025). “Global Hours Worked: Facts and Driving Forces.” NBER WP 34217.
Bachas, P. et al. (2022). “Capital Taxation, Development, and Globalization.” NBER WP 29819.
Duffy, B. et al. (2023). “What the World Thinks about Work.” Policy Institute, King’s College London.
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Fonte.:Folha de S.Paulo


