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- Author, Amir Azimi
- Role, BBC News Persa
Tempo de leitura: 6 min
Durante semanas, os Estados Unidos e Israel insistiram que a capacidade militar do Irã foi severamente prejudicada. O presidente americano, Donald Trump, e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmaram repetidamente que os ataques paralisaram a estrutura de comando iraniana e enfraqueceram sua capacidade de resposta.
Segundo eles, o conflito já deveria estar caminhando para o fim. No entanto, o oposto parece estar acontecendo. A escalada continua mais rápida, mais acentuada e com menos pontos de saída claros.
No sábado (21/3), veio à tona que o Irã lançou dois mísseis em direção à base conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido em Diego Garcia, no Oceano Índico, a uma distância de cerca de 3.800 km.
Embora os mísseis não tenham atingido a ilha, o incidente levantou novas preocupações sobre as capacidades do Irã. Até então, acreditava-se que o alcance de seus mísseis fosse de cerca de 2.000 km.
Seja isso reflexo de uma capacidade anteriormente não divulgada ou de uma desenvolvida sob bombardeio, a implicação é a mesma: a pressão militar não deteve o avanço do Irã.

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Quem está no comando, afinal?
Se uma parte significativa da liderança iraniana foi eliminada — incluindo o líder supremo Ali Khamenei, além de figuras importantes como Ali Larijani, comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas —, surge uma questão central: quem está conduzindo essa campanha e como o Irã conseguiu manter suas capacidades mesmo sob tamanha pressão?
A incerteza começa no topo. Mojtaba Khamenei, que teria sobrevivido ao ataque que matou seu pai e vários familiares próximos, foi nomeado o novo líder. No entanto, ele não apareceu em público. Além de duas mensagens escritas, nada se viu ou ouviu dele.
Seu estado de saúde permanece incerto, assim como sua capacidade de liderar. Em um sistema construído sobre a autoridade central, esse silêncio cria incerteza no próprio centro do poder.
No entanto, as ações iranianas sugerem tudo, menos um colapso.
No sábado, o Irã também atacou a cidade de Dimona, no deserto do Negev, em Israel, uma área ligada ao programa nuclear não declarado de Israel.
Isso ocorreu após ataques israelenses à infraestrutura energética iraniana perto de Bushehr, onde também fica uma usina nuclear do Irã. A mensagem era simples: a escalada seria correspondida e locais estratégicos não estavam mais fora de alcance.
Essas ações sugerem coordenação, e não confusão. A premissa por trás da estratégia dos EUA e de Israel, de que a remoção dos principais líderes levaria à paralisia, agora parece incerta. A ideia de “choque e pavor” depende do colapso rápido das estruturas de tomada de decisão. Mas e se essas estruturas forem mais resilientes do que o esperado?
Se for esse o caso, surge um problema mais imediato: quem restará para negociar?
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, tem mantido um perfil discreto. No início do conflito, ele pediu desculpas aos países vizinhos afetados pelos ataques iranianos, uma atitude que, segundo relatos, irritou elementos dentro da Guarda Revolucionária Islâmica.
Desde a ascensão de Mojtaba Khamenei, ele tem se pronunciado pouco, restringindo ainda mais as opções diplomáticas.

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Desconfiança nas negociações
Do ponto de vista de Teerã, os eventos recentes oferecem poucos motivos para confiar em quaisquer negociações. Nos 14 meses desde que Trump retornou à Casa Branca, sinais de progresso em direção a um acordo nuclear em duas rodadas de negociações distintas foram seguidos por ações militares.
Autoridades iranianas afirmam que, durante a segunda rodada de negociações em Genebra, em 27 de fevereiro, abordaram a maioria das preocupações dos Estados Unidos. Os preparativos para discussões técnicas em Viena estavam em andamento. Mas Trump disse que “não estava satisfeito” com o andamento das negociações e os ataques começaram no dia seguinte.
Para os tomadores de decisão iranianos, a mensagem é clara: negociar não impede ataques; pode até mesmo incentivá-los.
O que acontece agora
Mas não é apenas o Irã que pode intensificar o conflito. Trump também elevou a aposta na noite de sábado.
Ele emitiu um ultimato de 48 horas exigindo que o Irã reabrisse o estreito de Ormuz, uma das rotas petrolíferas mais movimentadas do mundo, alertando que o não cumprimento levaria os Estados Unidos a “obliterar” as usinas de energia iranianas.
O Irã rejeitou a exigência e respondeu com uma ameaça semelhante: qualquer ataque à sua infraestrutura energética seria respondido com ataques em toda a região. O Conselho Supremo de Defesa do Irã também levantou a possibilidade de minar partes do Golfo Pérsico.

Com canais de negociação limitados, as opções de Trump estão se restringindo. Uma escalada ainda maior corre o risco de se tornar um ciclo de destruição com pouco ganho estratégico, deixando apenas as opções mais extremas sobre a mesa.
Para o Irã, a situação também é difícil. O país entrou no conflito já sob pressão econômica e enfrentando agitação generalizada. A guerra, por ora, reduziu essa pressão, dando às autoridades espaço para reforçar o controle interno.
Isso cria um equilíbrio delicado. A escalada serve para o Irã tanto como uma forma de responder a ameaças externas quanto de controlar a agitação interna. Mas também aumenta os riscos de um erro custoso.
Ambos os lados agora têm opções limitadas. O Irã não pode recuar facilmente sem parecer fraco, enquanto os EUA e Israel não podem alcançar um resultado decisivo apenas com poder aéreo.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


