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9 de abril de 2026

Boulos amplia espaço como conselheiro de Lula após saída de ministros da ‘cozinha’ do Planalto

Boulos amplia espaço como conselheiro de Lula após saída de ministros da ‘cozinha’ do Planalto

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(FOLHAPRESS) – As trocas no primeiro escalão do governo consolidaram o espaço do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), junto ao presidente Lula (PT). Com a desincompatibilização dos ministros-candidatos, Boulos ampliou sua influência na chamada cozinha do Planalto, participando inclusive das reuniões semanais do conselho de campanha do petista.

A expansão só se deu nos últimos meses. Ao tomar posse em 29 de outubro, Boulos assumiu tarefas de visibilidade externa, distantes do núcleo decisório do Palácio do Planalto.

Entre as suas atribuições estavam, por exemplo, a defesa do governo nas redes sociais, a relação com os movimentos sociais e o fortalecimento da presença do Executivo nas cidades, com a montagem do programa Governo do Brasil na Rua.

À época, Lula ainda atribuiu a Boulos a articulação da regulamentação do trabalho por aplicativos e do fim da escala 6×1. Como uma espécie de porta-voz, o ministro viu ainda sua lista de tarefas aumentar à medida que o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, crescia nas pesquisas de opinião, tendo sido escalado para a negociação com caminhoneiros.

Mas, para auxiliares do presidente, a surpresa está na sua rápida integração ao grupo que discute estratégia eleitoral. Filiado ao PSOL, Boulos é hoje um forasteiro no conselho composto por aliados históricos do presidente, quase todos petistas.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, Lula tem recebido regularmente o núcleo de sua pré-campanha para debate de conjuntura e definição de estratégia política-eleitoral.

Entre os participantes, estão futuros integrantes do comitê eleitoral, como o presidente do PT, Edinho Silva, seu coordenador-geral; o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, responsável pela elaboração do programa de governo; e o ex-prefeito de Diadema (SP) José de Filippi Jr., futuro tesoureiro.

Compõem o grupo ainda o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), o presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, o ex-ministro Gilberto Carvalho e a dirigente petista Mônica Valente.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também são ouvidos pelo presidente na construção da candidatura de reeleição. O marqueteiro deve ser Raul Rabelo, publicitário próximo de Sidônio.

Nesta quarta-feira (8), o próprio Lula atestou o prestígio de seu ministro ao confirmar o envio de um projeto para acabar com a escala 6×1. A decisão tinha sido anunciada por Boulos, mas contestada por parlamentares e até mesmo integrantes do governo.

A trajetória de Boulos não foi imune a quedas de braço com seus pares. Ele atraiu a ira de colegas por ter sido um dos principais articuladores da revogação de um decreto presidencial sobre um programa de concessão de hidrovias na região amazônica.

O projeto enfrentava resistências de comunidades indígenas da região do Tapajós, no Pará, mas tinha apoio de outros ministérios, como da Casa Civil. Boulos negociou a revogação diretamente com o presidente.

Conhecedores de Lula ressaltam, além disso, que a participação no conselho não significa acesso automático ao seleto grupo de interlocutores do presidente, integrado, por exemplo, pelos ex-ministros Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Rui Costa, todos do PT. O trio deixou seus cargos para disputar a eleição, dois deles a pedido do próprio presidente.

Boulos, por sua vez, quis ficar no governo. Essa é a primeira vez que seu trabalho é observado de perto pelo presidente. Em 2024, Lula se empenhou pela candidatura do psolista à Prefeitura de São Paulo. Mas nunca trabalhou diretamente com ele.

O mundo político há anos especula a possibilidade de Boulos migrar para o PT, partido maior e com mais capacidade de projetar candidaturas fortes. No início de março, o PSOL se recusou a entrar em uma federação com o partido de Lula, em derrota para o ministro.

Ele também aparece como possível sucessor político de Lula, hoje com 80 anos. Para isso, terá de entrar em uma fila composta por petistas.

Lula pode não concorrer às eleições deste ano; entenda

O presidente se elegeu em 2022 prometendo que não disputaria um novo mandato. Após a posse, porém, passou a afirmar que cogitava concorrer mais uma vez. Em declarações públicas, afirmou que a candidatura dependeria de estar bem de saúde. O mandatário completará 81 anos em outubro

Folhapress | 07:20 – 09/04/2026



Fonte Noticias ao Minuto

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