Parques, comida e cultura são a base de um bom roteiro para quem visita Buenos Aires pela primeira vez. Os três podem ser encontrados de forma organizada ou espontânea.
A cidade recompensa quem se planeja —com ingresso para concerto no tradicional Teatro Colón ou mesa no disputado Gran Dabbang. Mas também surpreende quem caminha sem destino e encontra jardins de rosas e lagos pelo caminho.
Cada bairro tem um estilo próprio, e a escolha da base dá o tom da viagem. Retiro, a poucos minutos a pé de pontos emblemáticos do centro, como a praça de Maio, é bem servido de metrô e ônibus. Mais boêmio, Palermo concentra bares, restaurantes e parques ao ar livre, além de espaços culturais como o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires. A seguir, veja um roteiro de três dias pela cidade a partir desses dois locais.
Dia 1
Com muitas opções de transporte público e hospedagem, o Retiro funciona bem como base para explorar a cidade. No bairro fica o hotel boutique Carles (R$ 600 a diária), que ocupa um prédio de 11 andares em uma rua arborizada de inspiração francesa.
Depois de tomar café da manhã no local —cheio de doce de leite e medialunas (pão doce folhado)— é hora de explorar a pé pontos históricos próximos, como a praça de Maio.
Ponto tradicional para manifestações na cidade, recebeu este nome em referência à Revolução de Maio de 1810 que deu início ao processo de independência argentina. Ela é rodeada por locais históricos, como a Catedral Metropolitana de Buenos Aires, igreja em que o papa Francisco celebrava missas, e a Casa Rosada, sede do governo de Javier Milei.
A 30 minutos de caminhada dali fica Puerto Madero, bairro com áreas verdes e diques. Uma das formas de atravessá-los é pela Ponte da Mulher, projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. A estrutura remete a um casal dançando tango.
Ao lado, a 1 km em direção à costa, está a Reserva Ecológica Costaneira Sul, um bolsão de floresta de 350 hectares com árvores nativas, lagos e muitos pássaros. O local é conhecido pela observação de aves, com mais de 300 espécies.
Uma trilha corta todo o parque, que tem entrada grátis. Ele pode ser percorrido a pé ou em bicicletas —há uma estação de aluguel logo na entrada. A dica é ir sem se preocupar com o tempo para aproveitar a calmaria do local.
Se bater a fome, caminhe 30 minutos até o Mercado San Telmo, que reúne restaurantes e lojas. No prédio de 1897 adornado com vigas, arcos e colunas de metal, estandes vendem um pouco de tudo, como empanadas, choripán, sorvete e café. Também dá para comprar lembrancinhas. Uma caixa de alfajores sai por R$ 58.
Para terminar o dia, um concerto ou uma peça no Teatro Colón, a 20 minutos do San Telmo de ônibus, não decepciona. Inaugurado no começo do século 20, o teatro tem 2.490 assentos e está entre as principais casas de espetáculos da América Latina.
Recebeu nomes famosos da música erudita como o compositor russo Igor Stravinsky, o regente austríaco Herbert von Karajan e a cantora de ópera Maria Callas. Além de concertos grátis e pagos (alguns por R$ 40), o endereço organiza visitas guiadas (R$ 100).
Dia 2
Outro bairro para explorar Buenos Aires é Palermo, onde ficam muitos restaurantes e parques urbanos. A oferta hoteleira também é farta, a exemplo do Dazzler Polo (R$ 600 a diária), do grupo Wyndham. São 133 quartos com no mínimo 33 m².
O local fica a meia hora de caminhada da primeira parada do dia, o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, o Malba. Aberto em 2001, tem acervo com obras de artistas da região.
Abriga quadros de nomes de peso, como Frida Kahlo, autora de “Autorretrato com Macaco e Papagaio”. Brasileiros também abundam com produções de Lygia Clark, Cildo Meireles e Tarsila do Amaral, que assina o famoso “Abaporu” ali exposto.
São três andares, com exposições de acervo e temporárias. O museu abre todos os dias, menos de terça-feira, mas melhor ir na quarta-feira, quando o ingresso custa a metade do preço, R$ 20. Uma passada na loja não faz mal: há caderninhos temáticos das mostras por R$ 30.
Fora do museu, o dia continua com um trajeto de 20 minutos de ônibus para um bairro próximo, Nuñez. Ali o restaurante Ness transforma uma antiga siderúrgica em salão para sua cozinha a lenha.
Os clientes se sentam próximos à parrilla, onde o chef Leo Lanussol prepara pratos como o peixe do dia, que vem com cauda e pele crocante, cebolinha e limão (R$ 279 para dois).
Depois de comer, uma opção de passeio para quem gosta de futebol é o estádio Monumental de Nuñez, do River Plate, que está a 2 km do Ness. É enorme, abrigando 80 mil pessoas. O tour guiado, que custa R$ 100, passa pelas arquibancadas e também por um museu sobre a história do clube.
Voltando a Palermo para o jantar, é o momento da viagem de provar carne bovina na parrilla tradicional. O La Carniceria, do chef Germán Sitz, tem no menu cortes como o ojo de bife e o chorizo (R$ 370 por 900g) preparados na parrilla diante dos clientes.
Perto do restaurante, na praça Itália, fica uma série de bancas vendendo livros usados para serem garimpados, um ótimo jeito de terminar a noite.
Dia 3
Há muitas cafeterias em Palermo para começar o dia. Meio padaria, meio viennoiserie, o Oli tem menu de brunch e almoço. Peça sem medo o panisse de grão-de-bico com labneh (R$ 35). Ele se parece com churros, crocante por fora e macio por dentro, e pode ser mergulhado em um molho de iogurte.
Se a fome for maior e se quiser almoçar, o local também serve o contrafilé com fritas (R$ 190), que chega ao prato suculento com batatas crocantes e salada de folhas verdes. A vitrine cheia de doces e pães do local anima qualquer um a comprar algum folhado para a viagem.
Com comida na mão, andar pelas ruas do bairro sem pretensão é um bom plano. Pelo caminho, aparecem parques como o Roseiral de Palermo. O nome se explica de longe: o cheiro das flores que abriga, mais de 90 espécies de rosas, viaja pelos arredores. Ele também tem um lago lotado de gansos barulhentos, mas simpáticos.
Atravessando o Roseiral se chega ao Planetário Galileo Galilei, que realiza sessões na sua cúpula com projeção 8K por cerca de R$ 40. O ideal é visitá-lo à noite, quando fica iluminado.
Depois de tanto parque, bate a fome. Hora de ir jantar no Gran Dabbang, pequeno restaurante aberto há 11 anos. Nele o chef Mariano Ramón prepara pratos inspirados na Ásia, principalmente na Índia.
Os currys fazem sucesso. O de pato (R$ 120) é feito com a coxa da ave mergulhada em especiarias e ají panca, uma pimenta peruana. Vem também com arroz, melado de cana e pão folhado.
Para esticar a noite, vale conhecer o Victor Audio Bar, point de música analógica com sistema de som de qualidade. Intimista, o local aposta nos coquetéis clássicos, em especial nos martínis, que têm seção própria. Uma das receitas é o pornstar (R$ 56), feito com vodca, brut, xarope de maracujá, pedaços da fruta e baunilha.
O listening bar também funciona como endereço para comer bem, com menu do chef Pedro Peña, com petiscos, pratos para dividir e lanches. É o caso do queijo quente (R$ 90), que ainda leva jalapenho e mel no brioche, servido ao lado de uma sopa de tomate.
Fonte.:Folha de S.Paulo


