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9 de julho de 2026

Entenda a onicotilomania: o que acontece com o corpo quando o impulso de tirar peles vira compulsão

Entenda a onicotilomania: o que acontece com o corpo quando o impulso de tirar peles vira compulsão

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Você já se pegou cutucando aquela pelezinha solta ao redor da unha, mesmo sabendo que isso só vai piorar a situação? Esse impulso, aparentemente inofensivo, tem nome e explicação científica. O hábito de cutucar a pele ao redor das unhas é classificado como um comportamento repetitivo focado no corpo (BFRB, na sigla em inglês).

O que são os comportamentos repetitivos focados no corpo (BFRBs)?

Os BFRBs são uma categoria de comportamentos repetitivos e autodirigidos que causam danos à pele, cabelos ou unhas. Além de cutucar a pele ao redor das unhas, esse grupo inclui roer unhas (onicofagia), arrancar cabelos (tricotilomania) e morder a parte interna da bochecha. Apesar de parecerem hábitos comuns, esses comportamentos podem se tornar compulsivos e causar sofrimento significativo.

O ato de cutucar as cutículas, conhecido clinicamente como onicotilomania, envolve a manipulação repetitiva e compulsiva das unhas e da pele ao redor. Pesquisas indicam que esse comportamento afeta uma parcela significativa da população, sendo mais comum em mulheres e com início geralmente na adolescência.

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Quais são os três pilares que explicam a compulsão por cutucar a pele?

O impulso de cutucar a pele ao redor das unhas não é um simples tique nervoso. Ele se sustenta em três pilares que envolvem a percepção de imperfeições, a regulação emocional e a busca por estimulação sensorial. Compreender esses pilares ajuda a desmistificar o comportamento e a reconhecer quando ele se torna um problema.

Os três pilares desse fenômeno são:


🔍
Percepção de imperfeição e o impulso de “corrigir”


O cérebro identifica uma pequena irregularidade — uma pele solta, uma cutícula áspera ou uma rebarba — e ativa um impulso de removê-la. O ato de cutucar é uma tentativa de “consertar” o que parece fora do lugar.


😰
Regulação emocional e alívio da ansiedade


Muitas pessoas recorrem ao cutucar como uma forma de lidar com o estresse, a ansiedade ou o tédio. O comportamento gera uma sensação temporária de alívio ou satisfação, que reforça o ciclo.


🖐️
Busca por estimulação sensorial


Para alguns, o ato de cutucar satisfaz uma necessidade tátil ou de movimento, especialmente em momentos de tédio ou concentração. A sensação física do ato pode ser tão recompensadora quanto o resultado.

Quando o hábito de cutucar a pele vira um transtorno?

Cutucar a pele de forma ocasional é um comportamento comum. O problema começa quando o ato se torna compulsivo — ou seja, quando a pessoa se sente impulsionada a fazê-lo mesmo sabendo que está causando danos. O transtorno de escoriação (ou dermatilomania) é caracterizado por lesões cutâneas recorrentes, tentativas frustradas de interromper o comportamento e sofrimento clinicamente significativo.

Os principais sinais de que o hábito pode estar se tornando um transtorno são:

  • Lesões visíveis: cortes, sangramentos, cicatrizes ou inflamações recorrentes
  • Perda de controle: tentativas repetidas de parar sem sucesso
  • Tempo significativo: gastar horas por dia cutucando a pele
  • Impacto na vida social: evitar situações que exponham as lesões, como usar roupas curtas ou ir à piscina
  • Vergonha e culpa: sentimentos intensos relacionados ao comportamento

Por que o ciclo de cutucar a pele é tão difícil de quebrar?

O grande problema do ato de cutucar a pele ao redor das unhas é que ele se torna um ciclo vicioso. A pessoa sente uma irregularidade, cutuca para removê-la, mas acaba criando uma ferida ou uma crosta. A crosta, por sua vez, é percebida como uma nova imperfeição, e o ciclo recomeça.

Esse ciclo é alimentado por dois mecanismos principais. O primeiro é o alívio temporário: o ato de cutucar pode gerar uma sensação de gratificação ou alívio da tensão, o que reforça o comportamento. O segundo é a automaticidade: muitas pessoas cutucam sem sequer perceber, especialmente em momentos de estresse, tédio ou concentração.

O transtorno frequentemente ocorre em conjunto com outras condições, como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Estudos indicam que há uma predisposição genética para o comportamento, que tende a ser mais comum em famílias com histórico de TOC.

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Como lidar com a compulsão por cutucar a pele?

O tratamento do transtorno de escoriação envolve uma abordagem combinada, que pode incluir psicoterapia, medicação e mudanças no estilo de vida. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Reversão de Hábitos (TRH) são as abordagens mais eficazes.

Algumas estratégias práticas para interromper o ciclo incluem:

  • Criar barreiras físicas: usar curativos ou luvas para dificultar o acesso à pele
  • Substituir o estímulo: usar objetos de fidget, bolas de estresse ou massinha para manter as mãos ocupadas
  • Manter a pele hidratada: usar cremes para reduzir a aspereza que desencadeia o impulso
  • Praticar a atenção plena: reconhecer o impulso antes de agir e fazer uma pausa

Em casos mais graves, o tratamento com medicações pode ser útil. O mais importante é buscar ajuda profissional sem vergonha. Muitas pessoas com essa condição sentem vergonha, culpa e não entendem por que fazem isso, mas o transtorno tem tratamento e a compreensão do mecanismo é o primeiro passo para a mudança.

A tabela abaixo resume as principais diferenças entre o hábito ocasional e o transtorno:








CaracterísticaHábito ocasionalTranstorno de escoriação

Frequência
Com que frequência ocorre
Esporádica, em momentos específicosRecorrente e crônica, muitas vezes diária

Consciência
A pessoa percebe o que faz
Totalmente consciente e controlávelPode ser automático ou precedido por tensão intensa

Consequências
Impacto na pele e na vida
Lesões leves e temporáriasLesões significativas, cicatrizes, infecções e prejuízo social

Controle
Capacidade de parar
Fácil de interromperDificuldade extrema ou incapacidade de parar

O que a compulsão por cutucar a pele revela sobre a nossa relação com o corpo?

O ato de cutucar a pele ao redor das unhas até arrancá-la é um microcosmo da nossa relação com o corpo: uma tentativa de controlar imperfeições que, paradoxalmente, acaba criando mais danos. Ele revela como a ansiedade e o estresse podem se manifestar em comportamentos físicos repetitivos, e como a linha entre um hábito inofensivo e uma compulsão debilitante é muitas vezes tênue.

Reconhecer que esse impulso tem raízes profundas — na percepção de imperfeições, na regulação emocional e na busca por estímulo — é o primeiro passo para lidar com ele de forma mais saudável. Dizer a alguém com transtorno de escoriação que “é só parar” é como dizer a uma pessoa com depressão que “é só se animar”. O caminho para a mudança passa pela compreensão, pela paciência e, quando necessário, pela ajuda profissional.



Fonte. MG.Superesportes

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