
A presença crescente de casas de apostas e plataformas adultas como patrocinadoras de times brasileiros, como o Corinthians, acendeu um alerta em 2026. Especialistas questionam se as regras atuais protegem crianças da exposição a produtos que podem causar dependência emocional e financeira.
Qual é o principal risco da exposição de menores a esses anúncios?
Especialistas explicam que crianças e adolescentes ainda não têm o controle de impulsos totalmente formado. O contato frequente com marcas de apostas (bets) e conteúdo adulto pode despertar curiosidade precoce e facilitar o acesso a produtos viciantes, acelerando um processo de ‘adultização’ prejudicial ao desenvolvimento emocional e mental.
Como os clubes estão tentando mitigar o impacto desses patrocínios?
No caso recente do Corinthians, o contrato de R$ 22 milhões com uma plataforma adulta prevê restrições severas. A marca não pode aparecer nos uniformes das categorias de base nem do time feminino, e o clube tem poder de veto sobre as peças publicitárias. Além disso, jogadores não podem ter suas imagens vinculadas diretamente a ações de divulgação da empresa.
O que a legislação brasileira diz sobre o tema no futebol?
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código de Defesa do Consumidor proíbem práticas que explorem a vulnerabilidade infantil. Recentemente, o ECA Digital reforçou barreiras na internet, mas ainda há uma lacuna regulatória sobre a exibição física dessas marcas em estádios, transmissões de TV e uniformes esportivos.
Houve punições recentes para empresas desse setor?
Sim. Em abril de 2026, a administração do Maracanã, a federação do Rio de Janeiro e uma plataforma de serviços adultos foram multadas em quase R$ 900 mil. A autuação ocorreu pela exibição de anúncios em painéis de LED dentro do estádio, o que violou leis estaduais e normas de proteção ao consumidor e ao menor de idade.
Quais providências estão sendo tomadas pelas entidades de proteção infantil?
O Instituto Alana solicitou ao governo federal uma revisão na Portaria do Jogo Responsável. O objetivo é proibir qualquer publicidade de apostas em locais frequentados por menores de 18 anos. A entidade defende que o interesse das crianças deve prevalecer sobre os lucros comerciais das empresas em espaços de entretenimento familiar, como o futebol.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte. Gazeta do Povo


