O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (19), com os investidores aguardando a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), que será na tarde desta quarta.
Além disso, os analistas acompanham as negociações entre EUA e Irã, que seguem estagnadas pelo controle do estreito de Hormuz.
Às 9h09, a moeda norte-americana caía 0,36%, cotada a R$ 5,2040. Na terça-feira (18), o dólar fechou em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,221, em meio à piora dos mercados globais diante da escalada das tensões no Oriente Médio, que pressinou os preços do petróleo e renovou as preocupações dos investidores com a inflação.
O Ibovespa operou perto da estabilidade, mas fechou em queda de 0,26%, aos 166.334 pontos, no 11º pregão consecutivo de baixa.
Segundo Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, o desempenho do índice ao longo de terça-feira foi sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, impulsionadas pela alta do petróleo, que superou US$ 90 por barril em meio à crise no Irã, além de um movimento técnico de recompra após as quedas recentes. As ações da Petrobras fecharam o dia em alta de 0,30%, a R$ 42,60.
Folha Mercado
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Para Bassani, apesar da alta do dólar, a valorização da moeda norte-americana foi limitada pela expectativa de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) mantenha os juros inalterados em setembro e, provavelmente, até o fim do ano, o que reduz a força da moeda americana no exterior.
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, afirma que o Ibovespa tentou reverter a sequência de perdas e chegou a subir com força na máxima do dia, mas os ganhos não se sustentaram diante da piora do humor externo. Segundo ele, a recuperação inicial foi impulsionada pelo retorno pontual de investidores estrangeiros, movimento considerado importante para conter as perdas após a saída de recursos relevantes da Bolsa nas últimas semanas.
Para Kayo, ainda falta confiança do investidor local, que segue vendo mais atratividade na renda fixa do que nas ações, sobretudo diante das incertezas sobre o resultado da eleição presidencial e o ajuste fiscal a ser adotado pelo próximo governo.
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma imagem que mostra o estreito de Hormuz como “novo território americano”. A publicação ocorreu em meio à estagnação das negociações diplomáticas e à disputa pelo controle da via marítima.
“Não há nenhuma negociação ou conversa em andamento, nem prevista, com a República Islâmica do Irã”, escreveu o republicano em outra publicação. Segundo Trump, o bloqueio naval americano aos portos iranianos continua em vigor.
Antes da manifestação do norte-americano, o principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o estreito de Hormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições de um acordo provisório firmado com o Irã em junho.
As exigências incluem o fim do bloqueio americano aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos iranianos congelados e a interrupção de ameaças e operações militares dos Estados Unidos, segundo Qalibaf.
Considerado estratégico para o comércio global, o estreito de Hormuz era responsável, antes da guerra, pela passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.
Segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a possibilidade de interrupções no estreito de Hormuz tem dimensão suficiente para transformar uma disputa regional em um problema monetário global. No começo do dia, os juros de longo prazo avançaram nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão, enquanto os investidores exigiam um prêmio maior para financiar os governos, em um ambiente no qual a energia mais cara ameaça reacender a inflação nas economias desenvolvidas.
Esse cenário também afetou os Treasuries, títulos de dívida do governo americano. Os papéis de 30 anos chegaram a atingir a maior taxa desde 2007.
Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que os investidores também estão cada vez mais preocupados com o cenário fiscal. O déficit público dos Estados Unidos permanece bastante expressivo, enquanto o Japão também enfrenta um quadro fiscal desafiador. Segundo o especialista, há ainda a perspectiva de aumento dos gastos públicos na Alemanha, o que pode ampliar o déficit do país.
“Essas preocupações com a expansão dos gastos governamentais também contribuem para que os investidores exijam rendimentos maiores”, diz.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, diz que o aumento da tensão no Oriente Médio também devolve pressão às curvas de juros brasileiras, limitando o alívio que dados mais fracos de atividade econômica poderiam trazer.
Segundo ele, o cenário coloca o BC (Banco Central) diante do dilema entre cortar a Selic em setembro para apoiar uma economia em desaceleração ou manter o ritmo de juros diante de um choque de custos que pode contaminar as expectativas de inflação.
Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, diz que o principal destaque desta semana será nesta quarta-feira (19), com a divulgação da ata do Fed, que deve trazer mais detalhes sobre a visão dos formuladores de política monetária americana e os próximos passos em relação aos juros.
Na quinta-feira (20), o mercado acompanha o balanço do Walmart, maior varejista dos Estados Unidos. De acordo com Yamashita, o resultado será importante para avaliar o comportamento do consumidor americano e entender como está a demanda das famílias em um cenário de juros ainda elevados.
Fonte.:Folha de S.Paulo


