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31 de julho de 2026

Antonio Bachour abre confeitaria no Mata São Paulo

Antonio Bachour abre confeitaria no Mata São Paulo

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Não é a primeira vez que os paulistanos podem experimentar os doces de Antonio Bachour, 51. Além de concentrarem uma explosão de sabores, são produzidos como pequenas joias em açúcar — usado com parcimônia por sinal —, eles estiveram à venda em uma loja pop-up que funcionou nos Jardins entre dezembro de 2024 e maio de 2025.

Mas agora essas pequenas obras de arte, deslumbrantes ao olhar, acabam de ganhar endereço próprio no complexo de gastronomia, compras e artes Mata São Paulo, erguido no espaço tombado do extinto Hospital Matarazzo pelo empresário Alexandre Allard.

Filho de libaneses que nasceu em Porto Rico, Bachour tem um currículo cintilante. Foi eleito o melhor confeiteiro do mundo três vezes, nos anos de 2018, 2019 e 2022, pelo The Best Chef Awards, prêmio global originário da Polônia, que reconhece o trabalho de chefs de cozinha ao redor do planeta.

Com sua genialidade, mantém docerias em Miami, nos Estados Unidos, e Mérida, no México. A capital paulista se torna a terceira cidade do mundo a ter uma linha de doces assinados por ele.

Homem de barba e óculos, vestindo uniforme de chef azul-marinho e boné preto, sorri enquanto segura uma bandeja com quatro doces redondos cor de pêssego. Ao fundo, uma confeitaria com balcões de doces e teto de madeira iluminado
Antonio Bachour: chef confeiteiro de Porto Rico (Henrique Peron/Veja SP)

Se a fachada é semelhante à de outros estabelecimentos do complexo, como os novos restaurantes Lavva, dedicado ao churrasco premium coreano sob as ordens do chef Paulo Shin, e o Preta Maria, com releitura de receitas africanas pela chef Bela Gil, precedidos pelo feérico Mata Città, inaugurado em dezembro e focado na culinária italiana, o Bachour by Mata encanta pelo visual de seu salão de 274 metros quadrados.

Além do piso desenhado em mosaicos, das paredes de madeira e da iluminação embutida em molduras no teto, feitas também de madeira, chama a atenção a extensa vitrine repleta de confeitos esteticamente irretocáveis.

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Mas não é só. O espaço funciona também como restaurante, com opções salgadas, que vão de sanduíches, como o recheado de ovos mexidos, queijo cheddar, bacon e rúcula no pão brioche, a pratos principais, como o arroz de coentro e espinafre com sobrecoxa de frango, aïoli de pimenta ají amarillo e molho peruano.

Com funcionamento diário das 8h às 22h, a proposta de Bachour é a mesma de seus outros restaurantes internacionais: um ponto que seja ideal tanto para quem busca apenas uma sobremesa quanto para quem deseja tomar café da manhã, fazer um brunch ou uma refeição completa.

Interior de um restaurante luxuoso com teto abobadado de madeira e iluminação amarela suave. Ao centro, um balcão de buffet com alimentos. Mesas redondas de madeira com cadeiras de couro marrom estão dispostas sobre um tapete estampado com motivos de pavão. As paredes são de madeira escura, e grandes janelas de vidro emolduram a cena
Bachour by Mata: salão com piso desenhado em mosaicos e molduras de madeira no teto (Henrique Peron/Veja SP)

O confeiteiro garante que sua equipe foi pioneira no formato: “Nós fomos os primeiros a desenvolver esse conceito de unir brunch, refeições e doceria no mesmo lugar. E agora isso já se tornou algo muito popular ao redor do mundo”, afirma. Os doces, porém, não deixam de ser os protagonistas. Como ele mesmo gosta de dizer: “Quando as pessoas entram em alguma loja minha, elas querem ver a sobremesa”.

Alguns clássicos já conhecidos do chef roubam a cena pela quantidade de fãs. É o caso do shortcake de morango, um bolo de amêndoa e framboesa fresca na cobertura com camadas de musse de baunilha, geleia de morango e creme diplomata de baunilha; da rosa, no formato e na cor da flor, com bolo de amêndoa, musse de baunilha, geleia de morango e panacota de pistache; e do exótico, composição de crocante e ganache de coco, creme de maracujá e geleia da fruta com manga.

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Há por lá também criações elaboradas especialmente para a unidade brasileira. São exemplos o bolinho de mandioca recheado de queijo meia cura e servido com maionese de goiabada; o romeu e julieta, massa folhada recheada de creme de queijo mascarpone e goiabada; e o paris-brest, feito na massa choux com praliné e ganache de pistache. É importante que se diga que estão longe de ser baratas; a mais em conta das sobremesas custa 55 reais e a mais cara, 85 reais.

Exibição de doces e pães em uma vitrine de vidro iluminada, com uma variedade de croissants, bolos e tortas coloridas. Ao fundo, uma máquina de café expresso e balcões de mármore.
Bachour by Mata: vitrine colorida de doces (Henrique Peron/Veja SP)

Todas essas pedidas são preparadas na cozinha montada no subsolo do salão, que no dia a dia é tocada pela subchef Ana Flávia Gomes. A equipe de quase trinta funcionários recebeu treinamento de Bachour e do subchef da loja de Miami, o mineiro Lucas Constantini, para que todos os itens do cardápio tenham o mesmo padrão e nível de qualidade encontrados nas outras duas lojas.

Apesar de o formato sedutor de cada uma das receitas ser a marca registrada do chef, ele as desenvolve pensando primeiro no sabor. “Não adianta fazer um design lindo se não ficar saboroso”, pontua. Ao mesmo tempo, reconhece que a beleza é uma das partes fundamentais de seus doces. “As pessoas precisam comer comida salgada todos os dias, não doces. Eles são complementares. Por isso é preciso atrair o público, fisgar a atenção com o visual”, continua. Foi exatamente com essa lógica e, claro, com doses de talento e ambição, que ele chegou ao reconhecimento mundial que tem hoje.

Se o talento de Bachour ganhou os holofotes, a ligação com a confeitaria começou muito antes dos prêmios internacionais. Quando era criança, frequentava a padaria de seus pais em Porto Rico. Com seus seis irmãos, ele cresceu cercado de culinária.

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Dentro de casa, observava sua mãe cozinhar para uma família numerosa e sempre com o cuidado de ter uma sobremesa após a refeição. Eram doces como o baklava, trouxinha de massa folhada com recheio de nozes banhada por mel, que remonta às origens familiares no Líbano, ou então o flã, parecido com o pudim de leite, popular entre os porto-riquenhos.

Fora de casa, assistiu aos cozinheiros da padaria dos pais prepararem bolos e vez ou outra ajudava na missão. Desde essa época, a confeitaria se tornou uma paixão.

Com apenas 17 anos, foi diagnosticado com um câncer cerebral grave. Precisou se mudar para Filadélfia. Nos Estados Unidos, ficou sob supervisão médica por oito meses e passou por uma cirurgia para a retirada do tumor. Ao despertar da cirurgia, grande parte de suas memórias não existia mais. Recordava-se de sua mãe e do sonho de trabalhar com confeitaria. Foi justamente esse desejo que o levou novamente às cozinhas, e a partir daí foi em busca de pôr em prática o que já existia na sua cabeça.

Para aprimorar conhecimentos, graduou-se em artes culinárias pela Johnson & Wales University, na cidade americana de Providence, e posteriormente especializou-se em chocolate e confeitaria pela L’École Valrhona, tradicional liceu parisiense. Na vida profissional, trabalhou como chef confeiteiro em badalados hotéis como W South Beach, Trump Soho e St. Regis Bal Harbour, todos localizados nos Estados Unidos.

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“Antonio é um confeiteiro muito generoso, extremamente atencioso aos detalhes. Fizemos alguns eventos juntos, e ainda me impressiono com quanto carinho ele demonstra pelo que faz, mesmo rodando o mundo é ainda sempre curioso em aprender, provar novos sabores”, diz o chef Luiz Filipe Souza, que preparou em seu restaurante, o Evvai, no Jardim Paulistano, um jantar de sobremesas com Bachour em agosto de 2024. O cozinheiro paulistano lembra até hoje de gestos carinhosos do confeiteiro, como ensinar folhados e croissant para o time do Evvai.

Responsável pelas ótimas sobremesas do Evvai, Bianca Mirabili nunca trabalhou diretamente com Bachour, mas teve a oportunidade de fazer algumas colaborações em eventos. Ela define como “a mais especial” tê-lo recebido no Evvai, junto com Luiz Filipe, para a comemoração dos sete anos do restaurante. “Foi uma experiência muito marcante, porque acompanho o trabalho dele há muitos anos. Na verdade, o primeiro livro de confeitaria que comprei na vida foi um livro dele, o Bachour Simply Beautiful (2014). Então, pude sair da posição de admiradora para cozinhar ao lado dele, trocar ideias e construir uma relação profissional”, encanta-se. “É quase como conhecer e, de repente, trabalhar ao lado do artista que você sempre admirou.”

Bachour acaba de inaugurar sua primeira loja na América do Sul, em uma cidade que já vinha dando sinais de entusiasmo com seu trabalho. Em seus cálculos, cerca de 8% de seus 1,6 milhão de seguidores no Instagram são da capital paulista. Além disso, os paulistanos também lotaram a pop-up que funcionou por seis meses na Rua Oscar Freire, com filas de espera de cerca de três horas.

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“Eu amo São Paulo, é uma cidade dinâmica. Me ofereceram para abrir uma loja em Dubai, nos Emirados Árabes. Eu disse que não, porque quero focar na América do Sul. É uma parte do mundo que é muito subestimada”, ele diz. Sua ligação com a cidade vai se intensificar. Nos planos dele, está uma visita à unidade de São Paulo a cada três meses para fazer a troca do menu. Se em muitas docerias o cardápio é mantido igual por anos, no Bachour by Mata o tédio e a mesmice não terão espaço.

Bachour by Mata. Alameda Rio Claro, 190 (Mata São Paulo), Bela Vista.

Tempero africano

As receitas de Bela Gil para o restaurante recém-inaugurado Preta Maria

As inaugurações do Mata São Paulo não param por aí. Ao lado da confeitaria Bachour by Mata, abriu as portas neste mês o restaurante Preta Maria, da chef e apresentadora Bela Gil.

Sócia do restaurante vegetariano Camélia Òdòdó, na Vila Madalena, e pelo qual recebeu o título de Chef Revelação por VEJA SÃO PAULO COMER & BEBER em 2021, ela escolheu o nome da casa em homenagem à irmã, a cantora Preta Gil, que morreu no ano passado.

Interior de um bar ou restaurante com teto abobadado de madeira entrelaçada. À esquerda, um balcão com garrafas iluminadas e banquetas de vime. Mesas de madeira com pratos e talheres estão dispostas pelo salão, algumas com cadeiras escuras e outras com um longo sofá estampado. A iluminação é suave, criando um ambiente acolhedor
O salão do Preta Maria: ripas de bambu no teto e bar ao fundo (Henrique Peron/Veja SP)

A especialidade é a culinária africana de países como Nigéria, Benim, Costa do Marfim, Angola e Senegal. Para desenvolver o menu ao longo de três anos, a cozinheira fez pesquisas e experimentações com ingredientes e técnicas vindas dessas nações.

Entre as opções de pratos principais está o arroz jollof (R$ 89,00), tradicional na região da África Ocidental, que ganha uma roupagem diferente em cada local. Na criação de Bela, além da base clássica de arroz com tomate refogado, cebola, alho, gengibre e especiarias como curry, páprica e tomilho, são acrescentados camarão e lula grelhados, para dar um toque de brasilidade.

Arroz com frutos do mar, camarões, lulas, ervilhas e pimentões verdes fatiados, servido em uma tigela de cerâmica escura sobre uma mesa de madeira com listras diagonais marrons e laranjas
Preta Maria: pratos como arroz jollof com frutos do mar (Henrique Peron/Veja SP)

Essa e outras receitas são servidas em um ambiente com 165 metros quadrados, que também impacta pela beleza como o Bachour by Mata. De uma estrutura circular no teto saem ripas de bambu que revestem toda a casa.

Ao fundo, fica o bar, com balcão feito de pedra bahia azul. É de lá que saem os drinques autorais assinados por Gabriel Bressane, responsável pelas operações de bar de todas as casas do Mata São Paulo.

Preta Maria. Alameda Rio Claro, 190 (Mata São Paulo), Bela Vista.

Publicado em VEJA São Paulo de 31 de julho de 2026, edição nº 3006.

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Fonte.: Veja SP Abril

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