7:48 PM
31 de julho de 2026

Autores de crimes liberados de manicômios sem perícia tendem a praticar delitos mais graves

Autores de crimes liberados de manicômios sem perícia tendem a praticar delitos mais graves

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A liberação de autores de crimes recolhidos em manicômios, sem que haja uma comprovação técnica de “cessação de periculosidade” por meio de perícia médica tradicional, pode representar riscos relevantes à segurança pública e à integridade dos próprios pacientes. É o que revela uma pesquisa realizada em Minas Gerais com dados de 224 pacientes do Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz (HPJJV), em Barbacena, entre os anos de 2020 e 2024.

Intitulada Avaliação da Política Pública de Liberação de Pessoas com Transtornos Mentais Autoras de Delitos sem Atestada Cessação de Periculosidade, a pesquisa foi conduzida pelo policial penal e pesquisador Romário Carlos Lima Pinto. Ele analisou casos de reincidência a partir dos dados obtidos no livro de registros do setor penal da unidade prisional, coletando apenas os números de identificação desses pacientes, sem utilizar nenhum dado sensível como nome, idade, endereço ou informações de saúde individualizadas.

A pesquisa tomou como norte a aplicação da Resolução nº 487/2023 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que extingue os manicômios judiciários, hospitais de custódia para pessoas com transtornos mentais envolvidas em processos criminais.

De acordo com o estudo, a norma pode criar um “vácuo institucional” caso não seja acompanhada de protocolos rigorosos de monitoramento e do fortalecimento das redes de saúde mental. Isso porque ela prioriza a “desinstitucionalização” dos autores de crimes com doença mental grave, tendo como base apenas uma avaliação feita por equipes multidisciplinares de saúde (o que, na prática, deixa de lado a exigência do laudo de “cessação de periculosidade”). Ao mesmo tempo, encaminha essas pessoas para acompanhamento na rede pública de saúde que, na maioria das vezes, não possui uma estrutura de atendimento para esses casos.