A conclusão e bênção oficial da Torre de Jesus Cristo da Sagrada Família, em junho de 2026, colocou Barcelona novamente no centro das atenções. O marco, que coincidiu com o centenário da morte de Antoni Gaudí, atraiu visitantes interessados em acompanhar um dos projetos arquitetônicos mais conhecidos do mundo.
A basílica continua sendo uma parada quase obrigatória para quem visita a capital catalã. Mas, em uma cidade que recebe milhões de turistas todos os anos e que há tempos debate os impactos do turismo de massa, limitar a experiência aos pontos mais famosos significa deixar de lado uma parte importante de sua história.
Basta se afastar de algumas estações de metrô das atrações mais concorridas para encontrar jardins pouco conhecidos, bairros que preservam uma rotina mais local, praias frequentadas por moradores e obras arquitetônicas que, geralmente, não estão no roteiro tradicional.
Para quem quer conhecer uma Barcelona diferente daquela das filas da Sagrada Família, do Park Güell e das Ramblas tradicionais, este roteiro de três dias reúne lugares que ajudam a entender a cidade para além dos seus ícones mais fotografados.
Dia 1
O primeiro dia pode começar longe das áreas mais movimentadas, no Parc del Laberint d’Horta. Criado no fim do século 18, ele é considerado o jardim histórico mais antigo de Barcelona. O destaque é o labirinto formado por ciprestes, mas o parque também reúne esculturas, pequenos pavilhões e áreas ajardinadas que contrastam com o ritmo do centro da cidade.
A poucos quilômetros dali ficam os Jardins de la Tamarita. Cercado por árvores, fontes e caminhos de pedra, o espaço costuma ser frequentado por moradores do bairro de Sarrià-Sant Gervasi e oferece uma pausa entre uma atração e outra.
No período da tarde, vale seguir para Gràcia, um dos bairros mais interessantes da cidade. Antes de ser incorporado a Barcelona, ele funcionava como uma cidade independente. Ainda hoje, mantém uma identidade própria, marcada por pequenas praças, comércio de rua, cafés e com mais cotidiano dos moradores do que ao turismo.
Dia 2
Se existe um tema que ajuda a compreender Barcelona, é o modernismo catalão. E conhecer esse movimento passa por olhar além de Gaudí.
A manhã pode começar no Recinte Modernista de Sant Pau, um dos conjuntos arquitetônicos mais importantes da cidade. O complexo foi construído para funcionar como hospital e se destacou por um conceito inovador para a época, com edifícios separados por especialidades médicas, conectados por galerias subterrâneas.
Mosaicos, vitrais, esculturas e jardins fazem parte do conjunto, reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco. Apesar da relevância histórica, o local costuma receber menos visitantes do que os monumentos mais famosos da cidade.
Depois da visita, vale reservar parte do dia para o Palau de la Música Catalana, outra obra-prima assinada por Domènech i Montaner. Inaugurado em 1908, o edifício é considerado um dos principais exemplos do modernismo catalão.
Seu interior ajuda a explicar por que muitos visitantes consideram a experiência tão marcante quanto uma visita à Sagrada Família. O grande destaque é a sala de concertos, iluminada por uma claraboia de vitral invertida que permite a entrada de luz natural. Esculturas, colunas revestidas por mosaicos e detalhes decorativos ocupam praticamente todos os espaços do edifício.
Mesmo localizado em uma região central, o Palau costuma aparecer em segundo plano nos roteiros tradicionais. Quem tiver tempo pode optar por uma visita guiada durante o dia ou assistir a uma apresentação à noite.
Para encerrar a programação, uma caminhada pelo Mercado de Sant Antoni permite observar uma Barcelona mais cotidiana. O mercado reúne bancas de alimentos, cafés e pequenos comerciantes que fazem parte da rotina dos moradores da região. Na região, o bairro que leva o mesmo nome do mercado é conhecido por abrigar barzinhos, restaurantes e ter um ar boêmio.
Dia 3
O último dia pode ser dedicado ao litoral e a bairros que passaram por transformações nas últimas décadas.
A primeira parada é a Rambla del Poblenou. Enquanto a maior parte dos turistas se concentra na tradicional La Rambla, próxima ao centro histórico, essa avenida para pedestres mantém um ambiente mais ligado à vida local.
Cafés, padarias, mercados, restaurantes e pequenos comércios ocupam os dois lados da via, que atravessa um dos bairros mais movimentados da cidade, principalmente no verão.
A região passou por um processo de revitalização impulsionado pelos Jogos Olímpicos de 1992, que transformaram antigas áreas industriais e aproximaram o bairro do litoral. Muitas das pessoas que frequentam a área estão indo para o trabalho, passeando com a família ou seguindo em direção ao mar.
Quem seguir pela Rambla del Poblenou chega, em poucos minutos, à Praia de Bogatell. A mudança em relação à Barceloneta, que é uma das praias mais visitadas por turistas, é perceptível. Há menos grupos de pessoas e mais moradores correndo, andando de bicicleta ou simplesmente aproveitando a faixa de areia.
No período da tarde, a indicação é seguir para o mosteiro de Pedralbes. Fundado em 1327, o conjunto preserva parte importante da história medieval catalã. Seu pátio interno é considerado um dos mais bem preservados da Europa, enquanto as antigas salas dos mosteiros ajudam a compreender a vida religiosa da região ao longo dos séculos.
Para encerrar a viagem, uma visita à Torre Bellesguard oferece mais um encontro com a obra de Gaudí. Construída sobre um terreno ligado à história da monarquia catalã, ela combina referências medievais e soluções arquitetônicas que o arquiteto utilizaria em projetos posteriores.
Quem ainda tiver disposição pode terminar o dia em um dos mirantes da capital da Catalunha. Os Bunkers del Carmel ficaram mais conhecidos nos últimos anos, mas continuam oferecendo uma das vistas mais amplas de Barcelona, especialmente no fim da tarde. O lugar é ideal para ver o pôr do sol e contemplar uma vista completa da cidade.
Fonte.:Folha de S.Paulo


