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5 de agosto de 2026

Café faz mal à saúde? O que a ciência diz sobre benefícios – 05/08/2026 – Café na Prensa

Café faz mal à saúde? O que a ciência diz sobre benefícios – 05/08/2026 – Café na Prensa

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Não é de hoje que o café é visto como aliado da saúde. “Café forte é remédio caseiro contra intoxicações de toda casta”, escreveu há quase 90 anos o historiador Basílio de Magalhães em “O Café” (1939). Mas apenas recentemente o que era crendice ganhou respaldo científico.

Pesquisas mostram que o consumo moderado de café –em especial puro e pela manhã– está associado a uma maior longevidade, além de menor incidência de doenças cardiovasculares e demência.

Artigos publicados pelas associações de cardiologia da Europa e dos Estados Unidos confirmam que a ingestão de três a cinco xícaras por dia reduz o risco cardiovascular global.

Estudos apontam que o café diminui a probabilidade de acidentes vasculares cerebrais (AVC), insuficiência cardíaca e arritmias graves.

Boa parte desses benefícios se manifesta quando a ingestão de café se concentra pela manhã, segundo uma pesquisa feita com 40.725 adultos entre 1999 e 2018.

A análise concluiu que os indivíduos que ingeriam café no início do dia apresentavam probabilidade 16% menor de mortalidade por todas as causas e 31% menor de óbito por doenças cardiovasculares.

O café também é um aliado da saúde neurológica: um levantamento com 131.821 indivíduos, acompanhados por até 43 anos, identificou uma associação entre o hábito e a redução do risco de demência.

Estudos indicam ainda que pessoas que bebem café regularmente têm menos chances de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida e que o consumo diário reduz os níveis de enzimas associadas à lesão no fígado, além de diminuir o risco de acúmulo de gordura no órgão (esteatose hepática).

Os benefícios do café vão além da cafeína. A bebida contém inúmeros compostos bioativos. Por isso, vários estudos também identificaram menor risco de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares mesmo entre os que ingeriam café descafeinado.

Como em quase tudo na vida, moderação é a palavra-chave. Afinal, a cafeína é uma droga, e sua ingestão exagerada pode ter consequências graves. “Há relatos em diversos casos individuais indicando que doses extremamente elevadas de cafeína —como as consumidas na forma de cápsulas ou pó, em quantidades superiores a 10 vezes a encontrada em uma xícara de café comum— podem levar à fibrilação ventricular e à morte súbita”, diz a American Heart Association (a associação de cardiologia dos EUA).

A entidade também alerta que adicionar muito açúcar ou leite pode aumentar a ingestão calórica e anular os potenciais benefícios à saúde associados ao café em si.

Em suma, a ciência hoje mostra que o café traz muitos benefícios à saúde. É uma grande mudança se comparada com o que a medicina falava sobre a bebida quando ela começou a ganhar popularidade, há mais de 300 anos.

Uma anedota dessa época foi registrada pelo médico e historiador francês Octave Guelliot (1854–1943) no livro “Du Caféisme Chronique” (“Do Cafeísmo Crônico”, em tradução livre —título revelador da visão médica daquele período).

Conta Guelliot que o dramaturgo francês Bernard le Bovier de Fontenelle, um consumidor inveterado de café, era frequentemente advertido de que a bebida era um veneno e que encurtaria sua vida. Ao que ele, que viveu até os 99 anos (1657-1757), respondia: “Se é um veneno, é um veneno lento”.


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Fonte.:Folha de São Paulo

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