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28 de julho de 2026

Café tem dois desafios pela frente – 28/07/2026 – Vaivém

Café tem dois desafios pela frente – 28/07/2026 – Vaivém

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A safra brasileira de café deste ano é recorde, recompondo oferta e estoques mundiais, uma vez que o Brasil é o principal fornecedor internacional desse produto. A velocidade da entrada do grão no mercado, no entanto, não é a esperada inicialmente. O excesso de chuva nas regiões produtoras trouxe uma série de desafios ao setor.

As observações são de analistas do Itaú BBA, que alertam também sobre atraso na secagem e no beneficiamento, queda de frutos e até na possibilidade de perda de qualidade do produto. Não bastassem os problemas da safra atual, o setor começa a olhar também para os possíveis efeitos de um El Niño mais forte sobre a colheita 2027/28. O risco climático traz incertezas sobre a florada dos cafezais.

Essa nova visão tem levado o mercado a reagir nas últimas semanas, com forte alta no início deste mês, quando o arábica chegou a atingir US$ 3,50 por libra-peso no contrato de setembro em Nova York. Atualmente está em US$ 3,23.

Além dos fatores físicos, o mercado de café se movimenta também pela presença de fundos de investimentos. Eles intensificam as compras no setor.

Os preços se acomodaram, mas ainda permanecem em patamares elevados, sustentados pelo dólar mais fraco, pelo atraso na colheita e por preocupações com a disponibilidade de café de melhor qualidade, afirmam os analistas do banco.

No mercado físico, conforme acompanhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a saca de café do tipo arábica, que esteve em R$ 2.266 na primeira semana de janeiro, caiu para R$ 1.384 no início de junho e começou esta semana em R$ 1.726.

O café robusta iniciou o ano em R$ 1.301, recuou para R$ 885 em abril e, nesta semana, está em R$ 1.087.

A safra brasileira, estimada pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em 71,9 milhões de sacas, vai elevar a produção mundial para 190 milhões no período 2026/27, com alta de 6,1% sobre a safra anterior.

Já o consumo mundial fica em 180 milhões de sacas, 3,6% a mais. Com isso, os estoques finais, que estavam em 24 milhões de sacas, em 2025/26, sobem para 26 milhões, 15% do consumo mundial.

Os três líderes na produção mundial —Brasil, Vietnã e Colômbia­— elevam a produção nesta safra 2026/27, mas a Indonésia produzirá 8% a menos, recuando para 11,4 milhões de sacas. Pelos dados do Usda, com a produção de 71,9 milhões de sacas, o Brasil conseguirá exportações de 49,1 milhões e consumo de 22,4 milhões. Os estoques finais internos ficam em 4,4 milhões de sacas, 13,6% acima dos da safra anterior.

Segundo os analistas do Itaú BBA, o cenário para o produtor permanece favorável, mesmo diante da volatilidade de preços nas Bolsas internacionais. O patamar atual de preço proporciona margens positivas e relações de troca historicamente atrativas. Eles alertam, no entanto, que, com perspectivas de maior oferta de café e incertezas climáticas para a próxima safra, a proteção de margem segue sendo uma ferramenta importante para o produtor.

Ventos melhores As exportações do complexo soja devem atingir US$ 61 bilhões neste ano. É um valor acima dos US$ 53 bilhões de 2025, mas ainda abaixo do recorde de US$ 67 bilhões de 2023. Os dados são da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Ventos melhores 2 A associação refez as estimativas para este ano, e as exportações deverão somar 115 milhões de toneladas. O processamento interno, com o aumento da demanda de óleo para o biodiesel, está previsto em 63 milhões de toneladas.

Menos soja… As exportações de soja deverão ser de 12,5 milhões de toneladas neste mês, um volume abaixo do registrado nos dois meses anteriores. Se confirmadas essas exportações, o volume acumulado do ano sobe para 85,1 milhões.

…mais milho Já as vendas externas de milho sobem para 3,3 milhões de toneladas, o maior volume mensal do ano. Com isso, as vendas externas de janeiro a julho do cereal devem chegar a 9,6 milhões de toneladas, segundo a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais).


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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