11:17 PM
17 de junho de 2026

Defesa de Bolsonaro admite que ele pediu conserto em arma, mas nega correlação com fim da domiciliar

Defesa de Bolsonaro admite que ele pediu conserto em arma, mas nega correlação com fim da domiciliar

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LUÍSA MARTINS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro admitiu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que ele solicitou o conserto de uma pistola por ter constatado uma falha, mas que não há qualquer correlação entre o pedido e o fim do prazo da prisão domiciliar, que vence no dia 25.

Os advogados afirmam que, devido às medicações psiquiátricas capazes de afetar a cognição de Bolsonaro, sua equipe de segurança tirou o percussor da pistola, tornando-a inoperante. Alheio a essa informação, o ex-presidente teria notado o problema e determinado que a arma fosse para a manutenção.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia dado 24 horas para que a defesa se explicar sobre a arma, apreendida na segunda-feira (15) durante blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.

Moraes afirmou que era necessário esclarecer “a razão pela qual o condenado mantinha uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente” e por que, às vésperas do encerramento do período de sua prisão domiciliar, previsto para o dia 25, teria solicitado um reparo no armamento.

A pistola Glock, calibre de 9 milímetros, estava com o militar Estácio Leite da Silva Filho, que faz parte da equipe de segurança de Bolsonaro, conforme registro feito junto ao STF. O militar se apresentou aos policiais como integrante do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República, o que o órgão nega.

Estácio foi encaminhado a uma delegacia e relatou que levava a arma para conserto devido a uma pane e que pretendia devolvê-la na terça-feira (16). O sistema Sigma, do Exército Brasileiro, comprovou que a pistola pertencia ao ex-presidente.

Moraes ordenou que o batalhão da PM responsável pelas medidas de segurança da domiciliar de Bolsonaro esclareça se estão sendo feitos os procedimentos de revista nos carros que saem do condomínio do ex-presidente.

A PM respondeu a Moraes que está cumprindo suas atribuições ao fazer a varredura em habitáculos e porta-malas dos veículos que deixam a residência de Bolsonaro, mas que os carros usados pelo GSI ficam estacionados em via pública e não adentram a garagem, “razão pela qual não são submetidos a vistorias”.

Ao narrar a abordagem na blitz, o policial militar Davi Evangelista Alves afirmou que a pistola estava no assoalho do carro -um veículo oficial da Presidência da República- e que “o motorista, de forma repentina, fechou o vidro”.

Estácio também teria dito inicialmente que a arma “constava em sua funcional”, mas o policial afirma que na documentação dele não havia esse registro. Indagado novamente, respondeu que a pistola era de Bolsonaro e que o equipamento ficava dentro do carro.

No depoimento anexado ao processo que trata do cumprimento da pena do ex-presidente, o militar afirma que “informou imediatamente” que a arma pertencia a Bolsonaro e que a pistola lhe foi entregue “em razão da constatação de uma pane, a qual, segundo informa, aparentava ser de fácil solução.”

Em nota, a PM disse que “um militar do Exército Brasileiro que conduzia veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após ser encontrada, além da arma institucional regularmente portada, uma segunda arma de fogo no interior do veículo”.

“Durante a ocorrência, o abordado informou não possuir a documentação da segunda arma e declarou que o armamento pertenceria a terceiro. Diante dos fatos, a arma e o condutor foram conduzidos à 21ª DP”, prossegue a nota. A blitz ocorreu em Taguatinga, região administrativa do DF.

O GSI afirma que Estácio nunca trabalhou no órgão durante o governo Lula (PT). O GSI diz que não é responsável pela segurança de ex-presidentes da República, o que inclui Bolsonaro, e que os servidores à disposição dos ex-mandatários são escolhidos e indicados por eles.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 27 de março, após ficar internado por duas semanas em um hospital de Brasília, com broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista no país.

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Fonte Noticias ao Minuto

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