Uma nova fabricante chegou ao Brasil com opções em todos os segmentos, oferecendo de compactos de apelo popular a vans e sedãs de luxo. Em pouco tempo, seus carros importados começaram a ser vistos como opções interessantes diante da concorrência formada por marcas tradicionais. BYD? Não. O texto se refere à Peugeot do início da década de 1990.
Passados 34 anos de presença oficial no Brasil, a marca francesa não vive seu melhor momento. A linha atual da marca se resume a dois compactos flex: o SUV 2008 e o hatch 208, que enfrenta o elétrico chinês Dolphin Mini neste teste Folha Mauá.
O modelo da BYD é o compacto da vez, com 29,5 mil unidades vendidas entre janeiro e maio, segundo dados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos). O Peugeot registrou 9.809 emplacamentos no mesmo período, resultado distante dos números obtidos pelo antigo 206 no início deste século.
Apesar de ser produzido na Argentina, o 208 é mais nacional que o Dolphin Mini, devido às peças feitas no Brasil. O motor 1.0 flex, por exemplo, é produzido em Betim (MG). A marca francesa faz parte do grupo Stellantis, que engloba ainda Fiat, Citroën, Jeep e RAM.
O BYD é montado em regime SKD (sigla em inglês para parcialmente montado) na fábrica de Camaçari (BA). Todas as peças vêm da China, mas a montadora promete estabelecer uma extensa lista de fornecedores locais até 2027.
Hatch compacto mais rápido do Ranking Folha Mauá 2025, o Peugeot 208 custa R$ 120.990 na versão Allure. O teto panorâmico é único em seu segmento e em sua faixa de preço. No Dolphin Mini GS (R$ 119.990), a exclusividade aparece nos ajustes elétricos do banco do motorista.
Os demais equipamentos são equivalentes. Ar-condicionado, direção com assistência elétrica, rodas de liga leve e central multimídia estão presentes em ambos.
Em movimento, o hatch de origem francesa se mostra mais maduro que o BYD. O comportamento em curvas e as boas retomadas proporcionadas pelo motor 1.0 turbo flex de 130 cv dão vivacidade ao compacto. Os 100 km/h foram atingidos em 9,3 segundos com etanol. O BYD precisou de 15,7 segundos para completar a mesma prova.
Peugeot 208 ALLURE
Preço: R$ 120.990 (junho/2026)
Motor: flex, dianteiro, turbo, 999 cm³
Potência: 130 cv (etanol) e 125 cv (gasolina) a 5.750 rpm
Torque: 20,4 kgfm a 1.750 rpm (etanol/gasolina)
Transmissão: câmbio automático do tipo CVT, sete marchas
Pneus: 195/55 R16
Peso: 1.140 kg
Porta-malas: 304 litros
Tanque: 47 litros
Comprimento: 4,05 m
Largura: 1,74 m
Altura: 1,47 m
Entre-eixos: 2,54 m
Aceleração (0 a 100 km/h, em segundos): 9,3 (etanol) e 10 (gasolina)
Retomada (80 km/h a 120 km/h, em segundos): 7,2 (etanol) e 7,8 (gasolina)
Consumo urbano (km/l): 9,9 (etanol) e 11,9 (gasolina)
Consumo rodoviário (km/l): 14,7 (etanol) e 18,1 (gasolina)
Autonomia urbana com etanol: 465 km
Autonomia rodoviária com etanol: 559 km
Autonomia urbana com gasolina: 691 km
Autonomia rodoviária com gasolina: 851 km
Dados sobre preço, potência, dimensões e capacidades são de responsabilidade da montadora; consumo e desempenho foram medidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia
A posição de dirigir é bem acertada em ambos os modelos, mas o banco do motorista do Dolphin Mini tem espuma mais macia, bom para o uso na cidade. A baixa autonomia rodoviária também reforça a proposta urbana do hatch chinês.
O BYD é capaz de percorrer 268 km na estrada a 90 km/h com uma carga completa, segundo a medição feita pelo IMT (Instituto Mauá de Tecnologia).
No uso urbano, o alcance total do modelo elétrico sobe para 342 km. No mesmo cenário, o Peugeot chega a rodar 465 km com um tanque de etanol.
Para quem pode carregar a bateria na garagem de casa, os gastos do BYD são mais baixos. Com os tributos inclusos, o kWh na cidade de São Paulo custou, em média, R$ 1 no mês de maio. Nessa condição, o custo do quilômetro rodado com o Dolphin Mini fica em R$ 0,11 segundo a média urbana de consumo atingida no teste Folha Mauá
O preço médio do etanol em São Paulo na última semana de maio ficou em R$ 4,01, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Assim sendo, o Peugeot gastou R$ 0,25 por quilômetro rodado em meio ao trânsito da cidade quando abastecido com o combustível de origem renovável.
BYD DOLPHIN MINI GS
Preço: R$ 119.990 (junho/2026)
Motor: elétrico, dianteiro
Potência: 75 cv
Torque: 13,8 kgfm
Transmissão: tração dianteira, câmbio de marcha única
Pneus: 175/55 R16
Peso: 1.239 kg
Porta-malas: 230 litros
Comprimento: 3,78 m
Largura: 1,72 m
Altura: 1,58 m
Entre-eixos: 2,50 m
Bateria: LFP, 38 kWh
Aceleração (0 a 100 km/h, em segundos): 15,7
Retomada (80 km/h a 120 km/h, em segundos): 15,8
Consumo urbano (kW/100 km): 11,1
Consumo rodoviário (kW/100 km): 14,2
Autonomia urbana: 342 km
Autonomia rodoviária: 268 km
Dados sobre preço, potência, dimensões e capacidades são de responsabilidade da montadora; consumo e desempenho foram medidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia
A diferença explica o interesse dos motoristas de aplicativo pelo Dolphin Mini, que ainda oferece bom espaço para dois ocupantes no assento traseiro, superando o 208 nesse quesito.
Aos que valorizam a economia no uso e têm facilidade para recarregar as baterias em suas residências, o elétrico da BYD se torna uma opção mais interessante. Já quem prefere um carro mais esportivo e pretende utilizá-lo em viagens longas, a vantagem recai sobre o Peugeot 208 e seu eficiente motor flex.
Fonte.:Folha de S.Paulo


