11:21 AM
15 de julho de 2026

Erika Hilton quer impedir que discurso religioso e científico sirva de defesa no PL da Misoginia

Erika Hilton quer impedir que discurso religioso e científico sirva de defesa no PL da Misoginia

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Em meio às discussões sobre o PL da Misoginia, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou uma emenda, nesta terça-feira (14), que endurece o texto da proposta e aumenta a possibilidade de censura para conteúdos legítimos. A sugestão estabelece que o argumento de liberdade de expressão, de liberdade religiosa, de convicções filosóficas, políticas, científicas ou acadêmicas não poderá servir como justificativa para afastar a responsabilização por condutas tipificadas pela lei.

Na prática, a medida busca impedir que argumentos baseados em crenças religiosas, opiniões pessoais ou posicionamentos políticos sejam utilizados como justificativa para excluir a ilicitude ou a responsabilidade por atos considerados misóginos ou discriminatórios.

O Projeto de Lei 896/2023 pretende criminalizar a discriminação contra a mulher e incluir a misoginia entre as condutas previstas na Lei do Racismo, um dos instrumentos penais mais rigorosos do ordenamento jurídico brasileiro. O texto, no entanto, possui uma redação genérica e subjetiva, o que amplia a margem para interpretações judiciais. Segundo especialistas, a proposta deve trazer possíveis impactos negativos à liberdade de expressão e à livre manifestação de pensamento.

O impedimento ao uso de argumentos acadêmicos e científicos torna o texto ainda mais problemático. Isso porque pesquisas e debates legítimos sobre diferenças entre homens e mulheres, comportamento humano ou desempenho físico passariam a depender da interpretação dos juízes sobre o que constitui produção científica e o que configura discriminação.