Crítica | SP
Ixe Sanduíches
Três estrelas (Bom)
R. Cotoxó, 404, Pompéia, região oeste. @ixesanduiches
“Ixe! Hoje é nosso rodízio!”, disse meu companheiro quando nos sentamos no carro. Ri achando que era um trocadilho, já que estávamos indo ao Ixe Sanduíches. Mas o “ixe” tinha saído espontâneo mesmo, e em nada tinha a ver com nosso jantar de meio de semana. Gosto dos lugares que já entregam a atmosfera da casa no nome. É o caso do Ixe, uma lanchonete descontraída que faz combinações variadas com bons ingredientes e conservas de produção própria.
Começamos com meia porção de fritas (R$ 18) e meia de polenta de milho frita com queijo e alho-poró (R$ 20). Não senti a presença deste último na polenta, mas ela estava ótima —crocante por fora, macia por dentro, e combinando bem com o parmesão grudadinho por cima. A combinação parecia chamar uma cerveja. Então fomos de Roleta Russa IPA (R$ 18; garrafa de 350 ml).

Sanduíche de pastrami, do Ixe Sanduíches
–
Priscila Pastre/Folhapress
Nos lanches, destaque para o de pastrami, que vem com pão de fermentação natural, queijo, picles, coleslaw (uma salada de repolho) e mostarda (R$ 49). Acertava em todos os requisitos: especialmente na quantidade de pastrami (ideal, não aquele exagero que muitos lugares cometem) e no sabor. Estava ligeiramente defumado, cortado bem fininho, e sem gordura, mas não ressecado.
Provei também o beirute de cabra (R$ 41), uma das opções vegetarianas. Vem no pão sírio, com abobrinha, queijo, homus de ervilha, hortelã e castanhas. Esperava que o sabor forte do queijo que dá nome a ele tomasse conta da boca. Em vez disso, ele surgiu discreto, elegante. Em textura, unia-se ao homus para contrastar com a castanha. Ela, por sua, vez, estava fresca, sem aquele sabor rançoso que por vezes acaba estragando boas ideias. Também rendiam crocância as abobrinhas, dispostas em fatias nem finas nem grossas demais, e levemente grelhadas.
Se for com crianças, é bom avisar que não tem cheesebúrguer. Ao ouvir as palavras sanduíche, fritas e lanchonete, os pequenos parecem fazer uma associação automática e podem se frustrar. Para eles, há opções de sandubas mais simples a R$ 25. Pedimos o que vinha com peito de frango, queijo e alface no pão brioche.
Eles também podem estranhar o ketchup, que não é o industrializado. A receita da casa carrega no dulçor e carece de acidez, mas é interessante. Melhores são a maionese (imperdível) e a mostarda, que perde em picância, mas ganha em delicadeza.
De sobremesa, pedimos a panacota (R$ 15). Ela vem num copinho sem muito charme, cumprindo apenas o papel de um docinho honesto para encerrar a refeição. Acertadamente pouco doce, com uma cobertura fina de goiabada.
A casa aposta nos drinques e tem boas cervejas, mas se a ideia for uma refeição sem álcool há bebidas refrescantes que alegram o paladar, como a limonada com calda de amora e lavanda (R$ 15).
Num simpático sobrado de esquina, com apenas seis mesas no salão e a janelona da cozinha aberta para a calçada, o Ixe revelou-se um lugar eclético em termos de sabor. Dá para ir com aquele amigo que prefere um lanche saudável (caso do beirute de brócolis com homus de abóbora), com aquele outro que prefere combinações ousadas (como o hambúrguer de linguiça e barbecue de goiabada) e com quem curte uma cozinha fusion (é atraente o frango coreano, com toques agridoces e maionese apimentada). Daqueles lugares de onde a gente sai com vontade de voltar para provar mais.
Fonte.:Folha de São Paulo


